O Sínodo sobre os jovens se prepara para discutir o documento final

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24 Outubro 2018

Bispo de Martinica: a maionese funcionou. Houve discussões ásperas, mas há comunhão.

Monseñor Bizzeti: devemos fazer um solene pedido de perdão aos jovens pelo mundo que lhes deixamos

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 22-10-2018 . A tradução é de Graziela Wolfart.

O Sínodo sobre os jovens, que começou na quarta-feira, dia três de outubro, e será concluído no domingo, 28 de outubro, prepara-se para discutir, e depois votar, o documento final.

Hoje, 22 de outubro, os padres sinodais tiveram um dia de “folga”, “todos menos os que estão trabalhando nas comissões encarregadas da carta aos jovens e do documento final, que será apresentado na aula amanhã”, disse, durante a coletiva de imprensa diária, na Sala de Imprensa Vaticana, o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini. Depois da apresentação do esboço, amanhã, os membros do Sínodo terão “até quarta-feira” para discutir e (“individualmente ou em grupos”) propor emendas ao texto, que depois será lido e votado, ponto por ponto, pela assembleia que se reunirá no sábado. Na quinta-feira, entretanto, acontecerá a peregrinação pelo último trajeto da Via Francígena em Roma, do parque de Monte Mario até São Pedro, e na sexta-feira a assembleia escolherá o próximo Conselho do Sínodo. No domingo, com a missa presidida pelo Papa, será concluído o Sínodo.

Segundo indicou monsenhor David Macaire, de Martinica, com uma metáfora, no Sínodo “a maionese funcionou”: “Viemos de países diferentes, com opiniões diferentes; não digo que houve verdadeiras oposições, mas viemos de diferentes realidades; houve inclusive discussões ásperas, em meu grupo linguístico, quando, por exemplo, falamos sobre os solteiros, uma realidade pastoral para os bispos do Canadá ou para mim e para os bispos franceses, mas para os bispos orientais é algo de não tão imediata compreensão. Tive que explicar, “não são forçosamente os que recusam o matrimônio”, e graças ao diálogo nos escutamos e compreendemos”.

Projetou-se também o vídeo feito por um grupo de meninos iraquianos, entregue por Safa al Abbia, “ouvinte” caldeu que teve que voltar antes ao seu país para estar ao lado de sua mãe doente. Sua intervenção sobre o destino dos cristãos no Oriente Médio foi uma das mais aplaudidas. Antes de deixar Roma, expressou o desejo de se encontrar com o Papa, que aceitou imediatamente, dirigindo palavras de consolo a todos os jovens iraquianos. Uma atenção e um afeto partilhados imediatamente por Safa, ao voltar a sua pátria, segundo informou Vatican News, reunindo em um vídeo enviado ao Sínodo as reações de seus jovens compatriotas. Os jovens, junto com monsenhor Shlemon Warduni, bispo auxiliar de Bagdá, agradecem, afirmam que rezaram por Francisco e asseguram sua unidade com toda a Igreja.

Também participou da coletiva de imprensa o jesuíta Paolo Bizzeti, vigário apostólico em Anatólia e padre sinodal: “Nós, os mais velhos, criamos que tipo de mundo para os jovens? Fracassamos na criação de um mundo no qual os jovens possam trabalhar, buscar caminhos para suas vidas. Seria preciso, de nossa parte, um solene pedido de perdão aos jovens”, afirmou. “Criamos um mundo em que é difícil aos jovens se integrar – afirmou. Os jovens têm a impressão de que no mundo não há lugar para eles. Talvez lhes demos muitas coisas inúteis, ou os privamos de possibilidades. Como é possível falar de discernimento quando tantos jovens no mundo não têm possibilidade para decidir, quando desde pequenos suas vidas estão programadas para que lutem pela sobrevivência ou fujam de seus países?”.

O padre Bizzeti também destacou o valor único da assembleia sinodal (“Qual agência mundial está em contato com os problemas das pessoas como a Igreja católica?”) e explicou alguns aspectos do método sinodal: “A maneira como acontece o trabalho precisa de um pouco de método: seria necessário se concentrar mais sobre algumas questões de fundo, inclusive discutindo acaloradamente; não se pode delegar tudo aos que elaboram dezenas e centenas de páginas para a proposta conclusiva… há uma excessiva riqueza de temas, teria que constar o valor de nos empobrecer”, porque “se pode morrer de pobreza, mas também de riqueza!”.

No que se refere à situação na Turquia, monsenhor Bizzeti, ao responder uma pergunta, disse que para o processo de beatificação de Andrea Santoro, missioneiro assassinado em 5 de fevereiro de 2006 em Trebizonda, “está se trabalhando”, além disso, como se sabe, no processo de beatificação do monsenhor Luigi Padovese, seu predecessor como vigário apostólico de Anatólia, assassinado em Iskenderun em 3 de junho de 2010.

O bispo estadunidense Frank J. Caggiano, bispo de Bridgeport, destacou que “o abuso sexual de menores não deve ter espaço na Igreja, e no Sínodo existe o consenso sobre o fato de que devemos falar aos jovens empaticamente e devemos fazer com que saibam da gravidade do que aconteceu e que estamos comprometidos na reconstrução da credibilidade e da confiança. Cada bispo, na minha opinião, deve decidir o que é o melhor a ser feito para voltar a conquistar esta confiança, mas há um acordo universal entre bispos para que se faça”. Henriette Cámara, jovem “ouvinte” e membro dos escoteiros católicos de Guiné, destacou que, apesar de vir de uma família muçulmana, “fui acolhida pelo movimento de braços abertos, sem discriminações ou condições”. Também participou da coletiva de imprensa o padre Ángel Fernández Artime, Reitor-Mor dos Salesianos, que destacou que o Sínodo deve evitar o perigo de um enfoque “demasiado eurocêntrico e ocidental”, considerando que “a Igreja é de todas as cores, raças e línguas, e todos devemos concebê-la universalmente: mas creio que o Sínodo não correrá este risco”.

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