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23 Outubro 2018

Que nas cátedras existam poucas mulheres não é verdade só na Itália. Infelizmente, apesar das recentes tentativas de investir no "capital feminino", também na França é assim. E isso apesar das alunas, das doutorandas e das pesquisadoras que às vezes trabalham mais, e às vezes são até mais brilhantes. Como isso é possível? O que impede as mulheres de progredir na carreira acadêmica?

A opinião é de Michela Marzano, filósofa italiana, professora da Universidade de Paris V - René Descartes, publicada em "La Repubblica", 19-10-2018. Tradução Luisa Rabolini.

Eis o texto.

Obviamente, falando em pesquisa e universidades, é absurdo até imaginar resolver a questão da paridade usando o estratagema das "cotas cor de rosa". Existem competências e qualidades objetivas necessárias para participar de um concurso e esperar vencê-lo. Não se trata, portanto, de apostar na "quantidade", mas de questionar-se sobre o que ainda está refreando para que muitas mulheres façam carreira. Se for verdade que continua a acontecer que se diga de uma mulher: "Quem lhe deu o cargo foi o amante" - como admitiu ainda outro dia o professor Vincenzo Barone, diretor da Scuola Normale Superiore em Pisa - e que muitos colegas do sexo masculino tenham dificuldade em tolerar que uma mulher possa se tornar titular antes deles, também é verdade que a questão central, para muitas mulheres, seja, por um lado, a dificuldade de conciliar a vida familiar com a vida profissional, e pelo outro, a falta de confiança em si mesmas. Não basta estar preparadas para obter uma cátedra. Não basta estudar para que as próprias habilidades sejam reconhecidas. Também é preciso "insistir", como ressaltou a professora Annalisa Pastore, a primeira mulher titular na classe de Ciências na Normale depois de 208 anos. Mas para "insistir" é preciso ter força. E para ter a força é necessário não só ser acompanhada, quando se tem uma família, por um marido ou um companheiro que compartilhem diariamente o fardo da casa e da responsabilidade dos filhos, mas também acreditar em si mesma e ter aquele mínimo de autoconfiança que é a condição sine qua non de todo sucesso. De que outra forma explicar que apenas 30% dos participantes do concurso de admissão da Normale sejam mulheres?

Como é possível, para dar o exemplo do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Paris Descartes, da qual eu também faço parte, que nas últimas eleições o único candidato para a direção fosse um homem, apesar de haver muitas mulheres? É difícil até mesmo ter vontade de "insistir" quando, além das dificuldades objetivas - colegas irônicos, às vezes brutais, que preferem apoiar candidaturas do sexo masculino e não hesitam em colocar entraves para as colegas - nós confrontamos com a convicção de que não estamos à altura da situação, somos "menos" em relação aos homens, mesmo quando os resultados obtidos dizem o contrário. Mas isso significa que é toda a educação que, talvez, deva ser revista. Ensinando aos jovens que características como autoridade, rigor, paciência ou força não têm gênero, e que não é verdade que um homem seja melhor em um âmbito do que uma mulher, ou vice-versa. Só dessa forma, sem que ninguém se sinta ferido em sua própria masculinidade ou feminilidade, até mesmo os homens poderão participar ativamente na vida doméstica (mesmo que isso signifique colocar às vezes de lado a própria vida profissional) e inclusive as mulheres poderão encontrar a coragem para "insistir" (mesmo que isso signifique colocar às vezes de lado a própria vida familiar). Mas é uma batalha que se leva adiante juntos. Caso contrário, as mulheres continuarão a perdê-la.

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