O Sínodo 2018 e a perseguição anticristã contemporânea

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21 Outubro 2018

Praticamente todos os participantes do Sínodo dos Bispos sobre os Jovens, que acontece entre 3 e 28 de outubro, disseram que a presença dos 30 e poucos jovens representantes dentro do salão alterou a dinâmica habitual deste evento. Está mais flexível, mais informal, mais animada e, acima de tudo, mais estridente.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 21-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Os jovens, segundo os participantes, demonstram imediatamente de quais discursos eles gostam ao aplaudir ou até mesmo gritar como um público de estúdio nas filmagens de um reality show americano.

No passado, tal comportamento teria sido desaprovado, senão ativamente desencorajado. Nos sínodos anteriores, as autoridades às vezes repreendiam os participantes por aplausos, os considerando indecorosos e injustos para aqueles que não o recebem. Desta vez, no entanto, tal moderação basicamente pulou pela janela, fazendo da reação do público um indicador útil para identificar quais das mensagens realmente têm aceitação.

Por esse padrão, um tópico no meio de todos se destaca, o que pode não ser uma surpresa uma vez que os sínodos são sempre um aprendizado sobre as realidades da Igreja global: a perseguição anticristã.

As duas maiores aclamações públicas feitas pelos jovens até agora foram para um jovem iraquiano e um arcebispo indiano, ambos contando histórias diretas de sofrimento e perseguição por causa da fé no século XXI.

Safa Al Alqoshy, um católico caldeu de Bagdá, falou durante a segunda semana do sínodo. Ele descreveu o sofrimento dos cristãos em seu país nas mãos do Estado Islâmico e outras formas de radicalismo jihadista.

Papa Francisco abraça Safa al Aqoshy (Foto: @Synod2018)

“É muito importante observar que não há apenas perseguição através de morte, há uma perseguição psicológica, por sentimentos. Você sente que está sozinho, que não tem apoio”, disse ele em entrevista ao Crux logo após seu discurso no sínodo.

Quinta-feira passada, o arcebispo John Barwa de Cuttack-Bhubaneswa, descreveu os horrores de um massacre anticristão que se desenrolou no distrito de Kandhamal em 2008, que deixou mais de 100 pessoas mortas.

Ele contou a história de Rajesh Digal, um jovem catequista que foi assassinado por fundamentalistas hindus no dia 26 de agosto de 2008. Os fundamentalistas tentaram forçar Digal a se converter, disse Barwa, e, quando o enterraram na lama até o pescoço. Um homem perguntou se ele já tinha desistido de Jesus Cristo.

"Ele fechou os olhos antes de olhar para ele e dizer: 'Não!' Então, o homem jogou uma pedra na sua cabeça", disse Barwa.

Barwa também falou com Crux em uma entrevista logo após sua palestra no sínodo. Uma mulher da minoria tribal, há muito tempo oprimida, da Índia, que é sobrinha de Barwa e freira católica, foi estuprada por uma gangue durante o massacre.

O que deve se tirar do fato de que estes são os dois discursos que, até agora, mais pareceram agitar as pessoas e gerar altas expressões de solidariedade e apreciação?

Primeiro, que, nesse sentido, o Sínodo dos Bispos é semelhante a qualquer outra aglomeração aleatória de pessoas nos dias de hoje. Na medida em que, o que uma vez chamei de “guerra global contra os cristãos”, continua não sendo apenas a história cristã mais dramática do nosso tempo, mas a menos contada.

Na investida do ISIS no Iraque e na Síria, a ideia de cristãos como vítimas de perseguição se tornou deprimentemente familiar. No entanto, o desconhecimento da escala global do flagelo é provavelmente o que tornou o relato de Barwa da Índia tão convincente. Estatisticamente falando, a Índia está entre os lugares mais perigosos do mundo para ser cristão nos dias de hoje, com uma média de um ataque físico a cada dois dias.

No geral, a estimativa mais baixa para o número de novos mártires cristãos a cada ano, no início do século XXI, é de cerca de 7.000 a 8.000, enquanto a estimativa mais alta está próxima de 100.000. (A precisão é notoriamente elusiva devido à dificuldade de obter contagens em zonas de conflito e de debater sobre o que conta como violência “anticristã”.)

De qualquer maneira, segundo estes números, um novo mártir surge a cada hora ou a cada cinco minutos. Mesmo à parte da preocupação cristã, isso é uma crise de direitos humanos de proporções assombrosas.

Se a má notícia é a ignorância, aqui está a boa: assim que as pessoas se conscientizam do que está acontecendo, elas querem ajudar.

O bispo Frank Caggiano, de Bridgeport, por exemplo, um dos prelados americanos que participam do sínodo, disse que se sentia inspirado a pensar em maneiras pelas quais sua diocese, que tem bastante recursos, poderia ajudar - talvez gerando relações com paróquias em partes do mundo onde os cristãos são alvos, por exemplo, ou oportunidades para envolver seus jovens em projetos de serviço direto para igrejas que estão sofrendo.

Essa é apenas a resposta de um bispo, mas mostra um movimento mais amplo de corações e mentes no sínodo em resposta às histórias dos novos mártires dos dias atuais.

Por fim, essas histórias são também um lembrete para que o sínodo não se prenda em problemas menores enquanto algumas igrejas correm risco existencial.

Embora seja difícil perceber na cobertura da mídia ou nas reuniões oficiais, o Ocidente representa uma parcela cada vez menor da Igreja Global.

Assista ao discurso de Safa al Aqoshy, durante o Sínodo dos Jovens:

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