Maior acesso a antibióticos, aliado ao seu uso indevido e excessivo, acelerou o surgimento de bactérias resistentes em todo mundo

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20 Outubro 2018

Resistência antibiótica – Novo estudo sugere que a dinâmica de superfície hídrica contribui de forma crucial para a crescente preocupação com a saúde global.

A informação é publicada por Virginia Tech e reproduzida por EcoDebate, 19-10-2018. A tradução é de Ivy do Carmo.

Financiadas pela Fundação Nacional da Ciência, Kathleen Alexander e Claire Sanderson da Faculdade de Recursos Naturais e Meio Ambiente da Virginia Tech, junto a pesquisadores de duas outras universidades, usaram o Rio Chobe, o único recurso permanente de água de superfície da Botsuana setentrional, para investigar o surgimento e disseminação da resistência antibiótica.

A área de estudos singular em Botsuana abrange o Parque Nacional de Chobe, lar da maior população de elefantes africanos do mundo, como também dois municípios. Mais importante, não há agricultura comercial ou extensas instalações médicas no local, dois fatores principais que contribuem para a resistência antibiótica.

As descobertas da equipe, publicadas na revista Frontiers in Microbiology, sugerem que elementos além da agricultura industrial e de instalações médicas podem ser contribuintes significativos para o problema global de disseminação da resistência antibiótica.

A equipe de pesquisadores conduziu testes de superfície da água em transectos lineares ao longo do Rio Chobe, desde a paisagem protegida dentro do Parque Nacional de Chobe ao município urbano de Kasane, até a zona de uso misto de Kazungula, que inclui áreas usadas para agricultura de subsistência, corredores ecológicos e assentamentos humanos.

A área tem uma apreciada estação úmida (novembro a março) e uma estação seca (abril a outubro) e é muito influenciada pelo padrão de pulso de inundação, que traz água da chuva de terras montanhosas da Angola, há milhares de quilômetros dali.

“Há muitos interessados envolvidos no combate à resistência antibiótica, mas os planos de ação atuais se concentram exclusivamente nos setores de saúde e agricultura como sendo os mais importantes disseminadores de bactérias resistentes a antibióticos no meio ambiente,” disse Claire, autora principal do estudo e associada de pesquisa do Departamento de Pesca e Conservação da Vida Selvagem da Virginia Tech.

“Temos um centro de estudo singular em Botsuana, onde não há empresas de agricultura comercial ou instalações médicas extensas. Mas ainda assim encontramos resistência antibiótica na superfície da água, espalhados tanto na paisagem preservada quanto na urbana. Além do mais, os perfis de resistência antibiótica que vemos na superfície da água coincidem com os perfis de populações humanas e animais que compartilham esse importante recurso de água,” ela continua.

Kathleen, professora no Departamento de Pesca e Conservação da Vida Selvagem e afiliada do Instituto Fralin de Ciências da Vida da Virginia Tech, confirmou que a água é a conexão entre todos os fatores contribuintes para a resistência antibiótica na região Chobe. “A água é o recurso que une tudo e todos naquele ambiente. Ela reúne todas as conexões e fatores: animal, humana e ambiental.”

O estudo descobriu que o uso da terra e a estação foram ambos estatisticamente importantes indicadores da presença de bactérias resistentes a antibióticos na superfície da água, com a estação úmida contendo maior resistência antibiótica média que a estação seca. O mapeamento de amostras das estações úmida e seca mostram que os isolados bacterianos na água tiveram a maior resistência antibiótica no município de Kasane, com taxas consideravelmente menores no Parque Nacional de Chobe e na zona de uso misto de Kazungula.

Um estudo prévio realizado por Kathleen em seu centro de estudo em Botsuana mediu os níveis de resistência antibiótica em amostras fecais de animais relacionados à água (hipopótamo, crocodilo, lontra e inhacoso) e animais não relacionados à água (elefante africano, mangusto-listrado, gazela-pintada, búfalo africano, babuíno chacma, gado, girafa, cudo, galinha d’angola, impala, leopardo, zibelina, hiena-malhada, macaco verde e javali).

O estudo descobriu que havia pouca ou nenhuma resistência antibiótica nos herbívoros não associados à água, mas os animais associados à água tinham altos níveis de resistência antibiótica, indicando que a duração de tempo na água e/ou o consumo de vegetação aquática podem ter um papel fundamental.

Kathleen, que vem conduzindo pesquisas e coletando dados nesta área por mais de 20 anos, destacou que é importante considerar o problema da resistência antibiótica com lentes mais amplas.

“Atualmente, a resistência antibiótica é estudada como uma foto instantânea, mas ela muda espacial e temporalmente e precisamos de pesquisa que se ajuste à tais mudanças e que avance nosso entendimento das interações ambientais entre humanos, animais e o terreno,” disse Kathleen, co-fundadora do Centro de Conservação de Recursos Africanos: Animais, Comunidades e Uso da Terra (CARACAL), organização sem fins lucrativos em Botsuana.

A motivação em se compreender a resistência antibiótica é especialmente crucial nesta área de Botsuana, que tem uma das maiores taxas de HIV e tuberculose da região. “A necessidade de antibióticos baratos e eficazes para ajudar essa população humana vulnerável é extremamente importante,” acrescentou Claire.

Uma possibilidade para pesquisas futuras é a ideia de usar espécies selvagens nativas da região de Chobe como sistemas de vigilância, para monitorar mudanças na resistência antibiótica.

“Nós poderíamos usar o mangusto-listrado como um sentinela de sistema de segurança porque esses animais vivem em íntima associação com os humanos, e demonstramos que a resistência antibiótica é compartilhada entre a água, os humanos e os animais nesta região,” disse Kathleen. “Por sistematicamente coletar fezes dessas espécies e testar as amostras para bactérias resistentes a antibióticos, nós conseguiremos monitorar os níveis de resistência antibiótica no ambiente com o decorrer do tempo, usando técnicas não invasivas e efetivas quanto a tempo e custo.”

Claire e Kathleen destacam que entender as causas e fatores do surgimento e disseminação de bactérias resistentes a antibióticos exige uma compreensão minuciosa da interação entre fatores ambientais, contribuições humanas e padrões de interação humana e animal com esse recurso de água tão importante.

Referência:

The Changing Face of Water: A Dynamic Reflection of Antibiotic Resistance Across Landscapes

Claire E. Sanderson1, J. Tyler Fox1, Eric R. Dougherty, Andrew D. S. Cameron and Kathleen A. Alexander

Front. Microbiol., 06 September 2018

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