Da esperança ao ódio: Juventude, política e pobreza do lulismo ao bolsonarismo

Revista ihu on-line

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Mais Lidos

  • Bolívia. “O elemento central da derrubada de Evo Morales não é a direita, mas o levante popular”. Entrevista com Fabio Luís Barbosa dos Santos

    LER MAIS
  • Finanças do Vaticano, o jesuíta espanhol Juan Antonio Guerrero é o novo prefeito

    LER MAIS
  • Representante do Papa participa de Encontro "Economia de Francisco" na PUC-SP

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

Por: Rafael Francisco Hiller | 19 Outubro 2018

Para uma melhor compreensão do momento político em que vivemos e das razões que nos levaram a chegar até aqui se faz necessário um olhar analítico sobre o real. Tal olhar deve nos permitir desmistificar a ideia de que a realidade só pode ser compreendida através do conceito de dualidade. Quando interpretamos a realidade dessa maneira, estreitamos a compreensão dos fatos e acabamos por reduzir a compreensão do real de tal forma que os fatos, tais como são, “escapam” dos olhos já mistificados do observador.

A simplificação da análise sociopolítica acaba sendo infrutífera para aqueles que almejam, a partir dessas análises, atuar sobre o real. Como citam as autoras do presente caderno a respeito dos eleitores em potencial de Bolsonaro: a ideia de que “ Bolsonaro, é automaticamente fascista, de extrema direita, produz discurso do ódio e é avesso ao diálogo. Esse encapsulamento de identidades juvenis não é apenas reducionista sob o ponto de vista acadêmico, como também traz outras implicações negativas. Eticamente, a rotulação não deixa de ser uma forma de violência e uma irresponsabilidade, uma vez que muitas vezes estamos nos referindo a adolescentes em processo de formação política. Politicamente, acreditamos que se trata de um erro estratégico que perde a oportunidade não apenas de entender as razões do apelo conservador, mas também de dialogar e oferecer discursos alternativos”.

Discursos como o elencado acima limitam de tal forma a compreensão do real que impendem que possamos atuar tanto na militância em favor dos ideais como na autocrítica que necessitamos realizar sobre os planos de governos que apoiamos. Torna-se urgente uma superação do modelo atual de interpretação do real, necessitamos de observadores que transgridam a compreensão da realidade enquanto um fenômeno apenas dual. “A brecha se fechou e trouxe a concretude e a revolta de se viver num mundo estruturalmente desigual e violento. Esperança e ódio não são – e nunca foram – categorias excludentes, mas coabitam ganhando maior ou menor espaço conforme o contexto. Isso nos ajuda a compreender porque, no caso em questão, não se pode falar em uma ‘virada conservadora’. De um lado, poderia se inferir que a adesão bolsonarista tem algumas de suas raízes no próprio modelo de desenvolvimento lulista focado na agência individual e no consumo – e não na mudança estrutural dos bens públicos atrelada a um processo de mobilização coletiva”.

Apenas com um olhar verdadeiramente desmistificado e comprometido com a verdade é que alcançaremos uma compreensão satisfatória do real, e é a partir disso que os caminhos da autocrítica e da militância serão novamente conquistados pelos que hoje pouco se fazem ouvidos.

Rosana Pinheiro-Machado e Lucia Mury Scalco, no Cadernos IHU Ideias número 278, apresentam os dados preliminares de uma etnografia longitudinal que vem sendo realizada desde 2009 sobre consumo e política entre jovens do Morro da Cruz (aqui, “o Morro”), a maior periferia de Porto Alegre. Mesmo sem resultados teóricos ou empíricos conclusivos, os resultados são relevantes, pois apresentam um esboço de dados coletados durante o pleito eleitoral de 2018. Tais dados incentivam novos debates e reflexões a partir deste ensaio.

O texto está organizado da seguinte forma:

1.  Esperança, substantivo feminino

2. Ódio, substantivo masculino

3. Considerações finais

Rosana Pinheiro-Machado é Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e doutora em Antropologia Social pela mesma universidade. Foi professora de Desenvolvimento Internacional na Universidade de Oxford de 2013 a 2016; atualmente é professora visitante da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM no PPG de Ciências Sociais e coordenadora e cofundadora da Escola de Governo Comum.

Lucia Mury Scalco é Graduada em Sociologia pela PUCRS, pós-graduada em Comunicação e Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (1999) mestra e doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. Atualmente é coordenadora do GT Família Geração e Gênero do Centro de Estudos Internacionais sobre Governo - CEGOV e pesquisadora da UFRGS.

Rosana Pinheiro-Machado esteve presente no 4º Ciclo de Estudos – A reinvenção da política no Brasil contemporâneo. Limites e perspectivas, a entrevista intitulada, "Olhares sobre uma possível (re)invenção política no Brasil" concedida pela conferencista pode ser assistida neste link.

Para acessar o texto: Clique aqui

Para adquirir a versão impressa o pedido deve ser feito para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Leia mais 

 

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Da esperança ao ódio: Juventude, política e pobreza do lulismo ao bolsonarismo - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV