O Papa aos bispos: “não escandalizem o povo”. E estes pedem que Romero seja proclamado Doutor da Igreja

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16 Outubro 2018

“Peço aos sacerdotes e aos bispos: cuidem do povo santo de Deus, não o escandalizem!” O exemplo de Óscar Arnulfo Romero, mártir e emblema de El Salvador, nas palavras do Papa. Francisco reuniu-se hoje com cinco mil fiéis que chegaram a Roma para participar da canonização do “bispo dos pobres”, no último domingo, 14 de outubro, na Praça São Pedro. Na Sala Paulo VI do Vaticano, ouviu o pedido em bloco dos bispos salvadorenhos: iniciar o processo para declarar o arcebispo de San Salvador, assassinado em 1980, Doutor da Igreja.

A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez, publicada por Vatican Insider, 15-10-2018. A tradução é de André Langer.

“A mensagem de São Oscar Romero é dirigida a todos sem exceção. Ele repetia com vigor que todo católico deve ser mártir, porque mártir significa testemunho, isto é, um testemunho da mensagem de Deus aos homens”, disse o Pontífice, falando em espanhol. Foi uma audiência de fortes traços latino-americanos, com alegria e música, que começou cedo com uma missa.

O Papa chegou logo em seguida. A expectativa era grande, porque muitos esperavam pelo anúncio de uma visita apostólica a El Salvador. Há meses, os bispos do país vêm pedindo insistentemente por isso. Primeiro, eles queriam que o líder católico canonizasse Romero em seu país. Descartada esta opção, em junho o cardeal Gregorio Rosa Chávez, bispo auxiliar de San Salvador, falou com Jorge Mario Bergoglio e propôs-lhe a possibilidade de uma visita curta, mesmo de algumas horas, no contexto da viagem já programada para o Panamá para a Jornada Mundial da Juventude de janeiro. “Gostei da ideia”, reconheceu o líder católico.

Mas o anúncio não veio desta vez. De qualquer forma, os pastores salvadorenhos não saíram desanimados. Pelo contrário, dobraram a aposta e voltaram a insistir com o convite. O encarregado de transmitir a mensagem de saudação ao Pontífice, na sua chegada à Sala Paulo VI, foi José Luis Escobar Alas, atual arcebispo de San Salvador. Ele não pediu apenas a viagem papal, mas fez também outros pedidos.

“Desejo suplicar-lhe em nome dos pastores do povo de Deus, da maneira mais atenta, humilde e respeitosa, tenha a bem autorizar a abertura do devido processo para que São Oscar Arnulfo Romero seja declarado Doutor da Igreja, pois estamos certos de que seu valiosíssimo magistério ajudará a Igreja, a falta de fé e será uma mensagem para as mais graves violações dos direitos humanos”, disse.

Um pedido que ninguém esperava e que poderia tornar-se um poderoso sinal do atual pontificado. Depois, renovou o pedido da viagem. “Em nome de todos os salvadorenhos, fazemos-lhe um cordial convite para visitar o nosso país. Convidamo-lo a visitar dom Romero e lhe pedimos, nessa mesma ocasião, que tenha a bondade de beatificar o padre Rutilio Grande. Ter a Sua Santidade em nosso país seria uma imensa graça”, continuou.

Com essas palavras, ele se referiu ao padre assassinado em 1977 e cujo exemplo levou a uma mudança no compromisso pastoral de Romero. O próprio bispo mártir confessou que, ao chegar à Arquidiocese de San Salvador, um dos que mais o encorajaram foi Grande, poucas semanas antes de seu assassinato. Atualmente, o processo de beatificação deste jesuíta está tramitando na Congregação para as Causas dos Santos do Vaticano.

Antes de concluir sua mensagem, dom Escobar Alas falou dos “momentos de turbulência” que a Igreja vive por conta dos escândalos dos últimos meses (por causa dos abusos sexuais de menores) e assegurou a “grande fidelidade”, o “total apoio” e a “oração constante” de todos os salvadorenhos pelo seu ministério petrino.

Imediatamente depois, o Papa tomou a palavra. Não fez o esperado anúncio da viagem, nem falou sobre a possível nomeação de Doutor da Igreja. Mas retomou alguns traços característicos da figura de Romero. “São Óscar concebia o sacerdote entre dois grandes abismos: o da infinita misericórdia de Deus e o da infinita miséria dos homens”, disse. E o colocou como exemplo para os sacerdotes, pedindo-lhes para que se esforcem para que Deus perdoe incessantemente os homens que se arrependem de sua miséria.

“Daqui envio a minha saudação a todo o povo santo de Deus que peregrina em El Salvador e que hoje vibra pela alegria de ver um de seus filhos elevado à glória dos altares. Seus habitantes têm uma fé viva, que se expressa em diferentes formas de religiosidade popular e à qual conforma a sua vida social e familiar”, disse.

“No entanto, não faltaram as dificuldades e o flagelo da divisão e da guerra. A violência fez-se sentir fortemente em sua história recente. Não são poucos os salvadorenhos que foram obrigados a deixar suas terras em busca de um futuro melhor. A memória de São Oscar Romero é uma oportunidade excepcional para enviar uma mensagem de paz e de reconciliação a todos os povos da América Latina”, acrescentou.

No final, proferiu algumas palavras à parte do discurso preparado. Romero, disse, era uma pessoa muito querida porque o povo de Deus “sabe sentir o cheiro de onde há santidade”. Acrescentou que, entre os presentes, devia agradecer a muitas pessoas, mas, como não podia saudar a todos, chamou uma pessoa especialmente escolhida: Angelita Morales, uma mulher que sempre esteve com o bispo mártir e a quem convidou para uma saudação particular.

O Papa despediu-se com uma brincadeira: perguntou aos presentes se haviam pago o ingresso para a audiência, e todos responderam, em coro, que não. Então ele exclamou, provocando risos e aplausos generalizados: “Agora vão ter de pagar, e o preço é que rezem por mim”.

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