Patriarca de Constantinopla ameaça visão de soberania russa de Putin

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16 Outubro 2018

Donald Trump parece estranhamente admirado com Vladimir Putin. As tentativas de Theresa May de confrontar o Kremlin depois do assassinato do ex-espião russo em Salisbury tiveram impacto limitado. Mas teria Putin finalmente encontrado um rival à altura em Bartolomeu I, o 270º arcebispo de Constantinopla, patriarca ecumênico e “primeiro entre iguais” da Igreja Ortodoxa Oriental?

A reportagem é de Simon Tisdall, publicada por The Guardian, 14-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Na luta de 2.000 anos entre Igreja e estado, Bartolomeu I obteve uma notável vitória na semana passada. Desafiando protestos do Kremlin e do clero russo, o arcebispo concedeu o desejo da Ucrânia de estabelecer uma Igreja independente que não responderá mais, como tem feito desde 1686, ao patriarcado de Moscou. A decisão foi tomada num sínodo no “quartel-general” ortodoxo em Istambul, antiga Constantinopla.

Isso não se tratou apenas de rivalidades eclesiásticas. Bartolomeu I enfrentou intensa pressão dos crentes ucranianos e de seus irmãos seculares para que concedesse a autocefalia (independência). Políticos de Kiev dizem que o patriarcado de Moscou é um veículo para promover a influência da Rússia, normalizando a anexação da Crimeia de 2014 e justificando o apoio de Putin aos separatistas no leste da Ucrânia.

“A decisão do patriarca ecumênico e do sínodo finalmente dissipou as ilusões imperiais e as fantasias chauvinistas de Moscou”, disse o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko. “É uma questão de independência, segurança nacional, soberania, uma questão de geopolítica”. Espera-se que ele use extensivamente essa mudança em sua campanha de reeleição no ano que vem.

O ato desafiador de Bartolomeu I é um duro golpe para Putin, que usou o domínio do patriarcado de Moscou - que supervisiona cerca da metade das 300 milhões de pessoas de comunhão ortodoxa - para reforçar a pretensão de seu regime de ser o herdeiro do império tsarista. Um porta-voz do Kremlin disse que Putin estava “extremamente preocupado” e advertiu que a Rússia “defenderia os interesses dos fiéis ortodoxos” na Ucrânia em caso de “ações ilegais”. Os analistas foram rápidos em apontar que o termo “defender” foi utilizado para justificar a invasão da Crimeia.

Embora a religião tenha sido amplamente desencorajada na era soviética, Putin promoveu o patriarcado de Moscou como centro dos cristãos ortodoxos e ao mesmo tempo, a manifestação religiosa do retorno da Rússia à soberania global. Essa ideia de um “mundo russo” com uma Igreja e cultura, endossada pelo patriarca Cirilo I, chefe da Igreja Ortodoxa Russa, está agora em perigo. Cirilo I ameaçou romper relações com Bartolomeu I se a separação fosse adiante. Esse é o equivalente aproximado, em termos anglicanos, de uma ruptura entre os arcebispados de York e Canterbury. Nos últimos meses, a Igreja da Rússia comparou o movimento da Ucrânia ao “Grande Cisma” de 1054, quando o cristianismo se dividiu entre Roma e Constantinopla. Ele disse que Bartolomeu I havia excedido seus poderes e que sua decisão poderia encorajar filiais ortodoxas de outros países a seguirem o mesmo exemplo.

O bispo Hilarion Alfeyev, do Santo Sínodo de Moscou, em entrevista à televisão estatal, disse: “Nós, a Igreja russa, não reconheceremos essa autocefalia, e não teremos outra escolha a não ser cortar os laços com Constantinopla. O patriarca de Constantinopla não terá mais o direito de ser denominado como é agora, ou seja, líder da população de 300 milhões de ortodoxos do planeta. Pelo menos metade da população não reconhecerá como tal”. O tempo dirá se Putin e seu clero cumprirão essa ameaça pública. Também resta saber se as igrejas ucranianas rivais se unirão agora que estão todas livres do controle de Moscou.

Hilarion alegou que o caso todo foi resultado de uma conspiração americana - uma interpretação que muitos na Rússia podem compartilhar. Nesse meio tempo, combates esporádicos entre os separatistas e as forças do governo continuam no leste da Ucrânia. Há relatos de confrontos letais em agosto. Desde 2014, mais de 10.300 pessoas morreram.

O potencial para mais violência é real. O acordo para o último cessar-fogo veio em dezembro passado, e foi repetidamente violado. Uma reunião em agosto entre Putin e a chanceler alemã Angela Merkel não resultou em progresso e, na semana passada, dias antes do Sínodo de Istambul, enormes explosões atingiram um depósito de munição ao leste de Kiev, forçando a evacuação de 12.000 pessoas.

Culpando sabotadores pelo incidente, o vice-primeiro-ministro da Ucrânia associou as explosões à ira da Rússia pelo cisma da Igreja. Graças a Deus, não houve vítimas - desta vez.

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