Sínodo. Grupos de Trabalho afirmam: Crise de abuso abala a Igreja 'em praticamente todos os sentidos'

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11 Outubro 2018

Dois dos quatro grupos de trabalho dos bispos anglófonos do Sínodo sobre jovens passaram um certo tempo refletindo sobre o impacto que os escândalos de abuso por parte do clero causam na credibilidade da Igreja global.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 09-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

No primeiro dos três relatórios esperados dos grupos de trabalho durante o Sínodo dos Bispos, que ocorre entre os dias 3 e 28 de outubro, um dos grupos anglófonos disse abertamente no documento que não se pode sair pela tangente em relação aos abuso do clero com algumas frases.

O relatório continuou, alegando alguns dos efeitos do abuso, como: "a confiança destruída, o trauma e o sofrimento das vítimas ao longo da vida; As falhas catastróficas no gerenciamento dos casos; E por fim, o silêncio e a negação".

O grupo acrescentou: "essas questões clamam abertamente pelo Sínodo".

"Se os próprios padres titubeiam no ministério entre os jovens, como poderá o nosso Sínodo transmitir a mensagem de que os jovens, a sua fé e o seu discernimento vocacional são importantes para nós?" perguntou o grupo liderado pelo cardeal indiano Oswald Gracias.

"Como um de nossos membros recordou: 'A confiança chega de a pé, mas sai a cavalo!'", ressaltou o grupo.

O relatório disse. "A confiança deve ser reconstruída, pessoa por pessoa".

Os 267 bispos e 72 auditores que participam do Sínodo dos Bispos se reuniram em 14 grupos de trabalho divididos por idioma para refletir sobre a primeira parte do documento de trabalho que segmenta o encontro em 3 partes, conhecido como Instrumentum Laboris.

O Vaticano divulgou os relatórios escritos pelo grupo no dia 9 de outubro e forneceu os nomes de seus líderes e secretários.

O secretário do grupo de Gracias é o arcebispo irlandês Eamon Martin. De acordo com uma lista dos membros dos grupos de trabalho obtida pelo NCR, entre os integrantes desse grupo estão o cardeal britânico Vincent Nichols, o arcebispo australiano Anthony Fisher e o bispo Frank Caggiano, de Bridgeport, Connecticut.

O segundo grupo inglês a abordar a crise dos abusos é liderado pelo cardeal Daniel DiNardo, de Galveston-Houston, o qual disse que o escândalo "abalou o trabalho da Igreja de praticamente todos os sentidos, precisamente porque comprometeu nossa credibilidade".

"Uma Igreja sem confiança de seus fiéis é simplesmente incapaz de alcançar os jovens de uma maneira efetiva", afirmou.

O secretário do grupo de DiNardo é o Bispo Auxiliar de Los Angeles, Robert Barron. Seus membros incluem o cardeal sul-africano Wilfrid Napier, o arcebispo maltês Charles Scicluna, o cardeal filipino Luis Antonio Tagle e o arcebispo de Los Angeles, Dom José Gómez.

O grupo liderado pelo cardeal de Chicago, Blase Cupich, propõe que o Sínodo dê uma mensagem aos jovens do mundo - "de caráter inspirador e missionário" - a ser inicialmente redigida por um grupo de dois membros do sínodo e também por dois jovens que atuem como auditores.

Esse grupo também pede ao Papa Francisco que considere escrever uma exortação apostólica "interativa" após o sínodo, com perguntas dirigidas aos jovens para facilitar o compartilhamento de ideias em pequenos grupos e uso de QR (códigos de resposta rápida, na sigla em inglês) que direcionem as pessoas para salas de bate-papo on-line e vídeos com mensagens do pontífice.

O secretário do grupo de Cupich é o Bispo Auxiliar australiano Mark Edwards. O grupo inclui ainda o arcebispo australiano Peter Comensoli e o arcebispo da Filadélfia Charles Chaput.

O grupo de Cupich também refletiu sobre diferentes formas de vida familiar, incluindo "grupos que não são ideais pela perspectiva cristã".

"A liderança na Igreja requer bispos e sacerdotes para proclamar a verdade do Evangelho negando que estas são famílias legítimas? Ou nossa liderança nos obriga a acompanhar os jovens na realidade em que se encontram?", perguntou o grupo.

"São João narra que Jesus aceitou uma mulher que foi flagrada em adultério e propôs uma alternativa a ela", acrescentou.

"É possível para nós aceitar, e até mesmo honrar a unidade familiar a qual uma pessoa jovem se encontra, e ao mesmo tempo compartilhar o ideal do Evangelho para ela?", perguntou o grupo.

O grupo de Gracias sugeriu que o documento final do sínodo inclua citações de apresentações feitas no encontro pelos auditores mais jovens, dizendo que as declarações "ajudariam a dar vida a qualquer documento final do sínodo".

Ainda segundo este mesmo grupo, a Igreja se comunica melhor com os jovens "evitando uma abordagem moralista ou polêmica - como se tivesse todas as respostas prontas".

O grupo de DiNardo observa que discutiu se a Igreja deve ouvir ou ensinar os jovens.

"Foi observado que muitos jovens de hoje anseiam pela clareza e confiança da doutrina da Igreja", disse o grupo.

"Outros insistiram que a ênfase da escuta e do relacionamento é indispensável na medida em que nenhuma doutrina, por mais bela e verdadeira, seja aceita - a menos que venha de uma fonte confiável", acrescentou.

Na coletiva de imprensa do Sínodo do dia 9 de outubro, a irmã francesa Nathalie Becquart disse ter ficado impressionada com a "humildade" do encontro.

"Esse é um lado muito humilde da Igreja, que reconhece sua fragilidade", disse Becquart, auditora do sínodo. "A realidade sendo vista do jeito que é", acrescentou.

Referindo-se que os membros da Igreja estão unidos pela mesma causa, ela disse: “O barco partiu e estamos tentando encontrar o caminho juntos. Há algo extremamente autêntico nisso, o que me dá uma grande esperança".

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