O pontificado de Francisco e o laicato na missão da Igreja hoje. Avanços e impasses da “parrésia eclesial”

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Por: Rafael Francisco Hiller | 09 Outubro 2018

Para pensarmos o tema do “laicato” na missão da igreja no que tange ao pontificado profético de Francisco e à sua missão relativa à “mudança de paradigma” e de “revolução cultural”, é necessário, antes de qualquer coisa, nos desfazermos dessa categoria. “A despedida da categoria “leigo” é o cumprimento do caminho iniciado no Concílio Vaticano II, e que há 50 anos se desenvolve, às vezes com velocidade, mais frequentemente com inércia e perigosa amnésia. Na verdade, a categoria “leigo” nasce de uma objetiva e perigosa “deriva clerical”: desenvolvido como um “nomen infamiae”, foi gerado, ou talvez gerou, a “societas” que, sendo “perfecta”, era inevitavelmente “inaequalis”. Leigo e laicato são termos “ingênuos” que perpetram na Igreja, também na Igreja conciliar e pós-conciliar, a longa e insidiosa sombra das “societas inaequalis”.

A diferença pela qual a igreja deve zelar não são as divergências entre leigos e clérigos, mas sim entre o homem e Deus, “esta ‘diferença reconciliada’ abre todos os homens e mulheres em Cristo à filiação divina e à fraternidade com o próximo”. Desta forma, podemos afirmar que Francisco possui o mérito de implementar um forte paradoxo: para criticar a categoria de “leigo” é necessário o reconhecimento de que o papa, apesar de ser um “clérigo” pela sua formação e cultura, se coloca diante do mundo como um “não clérigo”.

Segundo Andrea Grillo, na "Igreja somos todos fiéis, e, somente depois, há “ministros” de diferentes graus. Todos devem ser “leigos”, isto é, parte do povo. Se alguém quisesse estar “fora do povo”, cairia em uma forma não ministerial, mas “clerical” de identidade. Esta reformulação da “laicidade” identifica, com facilidade, um “bestiário clerical”, feito com os clássicos “colarinhos romanos”, mas também “jaquetas e gravatas”, e até mesmo de “ternos e saltos altos”.

A partir das definições acima a questão que surge é: “como buscar ‘critérios’ para identificar uma leitura desta ‘vocação comum’, de todos os batizados, que não seja capturada, imediatamente, pelo ‘esquema’, de origem medieval e de expansão moderna, de ‘clero/leigos’”? A resposta para tal questionamento parece estar em uma categoria basilar do pontificado de Francisco. Tal categoria é a de ‘parrésia’, ou seja, poderíamos afirmar que a missão da igreja desvela, na parrésia, uma comunhão de características radicais, uma igualdade genuína, que “só depois elabora as diferenças em razão e no âmbito dessa identidade de ‘iguais’”.

Segundo Grillo, "para repensarmos a raiz do “povo de Deus”, que é a Igreja, devemos renunciar ao termo “Leigo-laicato”. Leigo é uma terminologia burocrática eclesial, dependente de uma leitura sociológica inadequada, que projeta irreparavelmente uma perspectiva clerical sobre a Igreja. Eu não sou um “leigo”. Eu sou um homem, um cidadão e um cristão. Para fazer entrar esta terminologia básica na Igreja devemos relançar e revigorar aquela saudável inquietude, aquela sábia incompletude e aquela férvida imaginação com a qual sempre a história de homens e mulheres progrediu, quando souberam reconhecer que a graça de Deus quer sua liberdade e eles puderam ver claramente, em sua liberdade, o rosto de um Deus cheio de misericórdia. Na insistente proclamação de um tal Deus, Francisco, como cristão comum, realiza a superação do “laicato” e contribui ao reconhecimento do povo de Deus como societas aequalis”.

Andrea Grillo esteve presente no XVIII Simpósio Internacional IHU. A virada profética de Francisco. Possibilidades e limites para o futuro da Igreja no mundo contemporâneo, proferindo a conferência " O pontificado de Francisco e o laicato na missão da Igreja hoje. Avanços e impasses da “parrésia eclesial” .

A íntegra da conferência pode ser assistida neste link.

Na ocasião proferiu duas conferências. A primeira conferência é publicada por Cadernos Teologia Pública, número 138.

No artigo o teólogo italiano analisa o papel do “laicato” na missão da igreja descrevendo "critérios que identifiquem uma leitura da ‘vocação comum’, de todos os batizados, que não seja capturada, imediatamente, pelo ‘esquema’, de origem medieval e de expansão moderna, de ‘clero/leigos’”. 

 

O texto está organizado da seguinte forma:

1- Introdução

2- Mas a parrésia é uma categoria que precisa ser mais elaborada.

3- O retângulo de parrésia a partir de M. Foucault

4- O quadrilátero da tradução da tradição

5- O Povo de Deus e uma Igreja que redescobre “ter autoridade”

Andrea Grillo. Filósofo e teólogo italiano, leigo, especialista em liturgia e pastoral. Doutor em teologia pelo Instituto de Liturgia Pastoral, de Pádua, é professor do Pontifício Ateneu Santo Anselmo, de Roma, do Instituto Teológico Marchigiano, de Ancona, e do Instituto de Liturgia Pastoral da Abadia de Santa Giustina, de Pádua. Também é membro da Associação Teológica Italiana e da Associação dos Professores de Liturgia da Itália.

Para acessar o texto: Clique aqui

Para adquirir a versão impressa o pedido pode ser feito para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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