Caso McCarrick. Três perguntas sobre a promessa do Papa de um "estudo minucioso"

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08 Outubro 2018

Mais de um mês depois de uma acusação bombástica de um ex-embaixador papal nos EUA de que o Papa Francisco estava ciente das alegações de má conduta sexual contra o ex-cardeal Theodore McCarrick e falhou em agir, o Vaticano divulgou um comunicado dizendo que o Papa ordenou um “estudo minucioso” de todos os arquivos do Vaticano sobre o caso.

A reportagem é de John L. Allen Jr., jornalista, publicada por Crux, 07-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Esse é um passo que os sobreviventes de abuso, analistas de mídia e reformadores dentro da Igreja têm insistido para que o pontífice tomasse. Se supõe que apenas o acesso a esses registros possa responder às principais perguntas sobre o que o Vaticano sabia e quando sabia sobre McCarrick num esforço para chegar ao fundo de como ele conseguiu subir a hierarquia eclesiástica apesar dos persistentes rumores de que algo estava errado.

A declaração de sábado por parte Vaticano também contém outro palavreado que é quase o cerne da questão, mostrando que a Igreja realmente está aprendendo as lições da crise dos abusos.

“Tanto o abuso quanto o seu encobrimento não podem mais ser tolerados, e um tratamento diferente para os bispos que cometeram ou encobriram, na verdade, representa uma forma de clericalismo que não é mais aceitável.”

Finalmente, a declaração parecia preparar o terreno para revelações que poderiam ser perturbadoras.

“A Santa Sé está consciente de que, a partir do exame dos fatos e das circunstâncias, é possível descobrir que foram tomadas decisões que não seriam coerentes com uma abordagem contemporânea de tais questões”. Isso, traduzido em linhas claras, é como dizer ‘alguém do nosso lado pode ter cometido um erro’.

No geral, a afirmação é exatamente a resposta que muitos críticos têm clamado desde que as acusações do arcebispo italiano Carlo Maria Viganò contra Francisco surgiram no final de agosto.

Como a maioria das declarações do Vaticano, no entanto, a de sábado não responde a todas as perguntas que poderiam ser feitas, e que deverão ser respondidas nos próximos dias. Aqui estão três exemplos imediatos.

Primeiro, a declaração disse que os resultados da revisão dos registros do Vaticano serão apresentados “no devido tempo”. Isso, é claro, significa que realmente não sabemos quando sairão e eles não querem se comprometer com uma linha de tempo que talvez não seja cumprida.

Um "estudo minucioso" dos arquivos do Vaticano sobre McCarrick não deve demorar tanto, especialmente se for conduzido de forma coordenada. Existem relativamente poucos departamentos que teriam registros relevantes, começando com a Congregação para os Bispos.

Alguém poderia argumentar, por exemplo, que as respostas deveriam ser disponibilizadas aos bispos americanos antes de eles lançarem suas próprias investigações nas quatro dioceses onde McCarrick serviu, ou seja, Nova York, Metuchen, Newark e Washington.

Uma segunda pergunta, que acompanharia a primeira, é sobre como o Vaticano se relaciona com o pedido americano de apoio por uma investigação apoiada sobre o caso McCarrick nos EUA.

Talvez a divisão de trabalho que Francisco tem em mente é que os americanos possam investigar autonomamente. Podemos obter algumas respostas sobre isso no começo da próxima semana, já que os rumores são de que o cardeal Daniel DiNardo de Galveston-Houston e o arcebispo José Gomez de Los Angeles, presidente e vice-presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, podem se encontrar com Francisco na segunda-feira.

Em última análise, o objetivo é estabelecer toda a verdade em relação a quem sabia sobre McCarrick, quem facilitou sua ascensão ao poder, e quem o ajudou a continuar sendo um ator fundamental na Igreja. Fazer isso, sem dúvida, exigirá a cooperação das partes em ambos os lados do Atlântico, e será importante acompanhar como Roma e os bispos dos EUA coordenam seus esforços.

Terceiro, há a questão de como Francisco poderia cumprir em sua promessa de que uma atitude de “dois pesos, duas medidas” para com os bispos que abusam e/ou encobrem abusos.

Francisco já resolveu metade desse problema. Ele mostrou a McCarrick que mesmo um Príncipe da Igreja que é acusado de abusar de um menor estará sujeito à disciplina ao aceitar sua renúncia do Colégio Cardinalício, um passo extremamente raro.

Hoje, o problema está no encobrimento. Simplesmente não há nenhum procedimento para investigar tal acusação contra um bispo, e nenhuma clareza sobre quem seria responsável por responder a tal acusação nem que punição seria imposta caso ela fosse considerada válida.

Em um discurso sobre a crise dos abusos na Universidade Gregoriana de Roma na sexta-feira, marcando o lançamento de um novo programa de mestrado no Centro para a Proteção da Criança liderado pelo padre jesuíta Hans Zollner, o cardeal Reinhard Marx da Alemanha disse que daqui para a frente o direito canônico teria de ser "desenvolvido".

Presumivelmente, Marx, em parte, tinha em mente o desenvolvimento de um mecanismo legal confiável para investigar as acusações de um bispo que tenha cometido um erro em relação a alegações de abuso contra alguém sob sua autoridade.

A questão agora é: Francisco irá comissionar e depois implementar tal desenvolvimento?

A declaração de sábado certamente aumenta a esperança de que a resposta seja sim, o que poderia marcar o ponto de inflexão mais significativo nos esforços de recuperação da crise mais séria que atingiu o catolicismo desde a Reforma Protestante.

No entanto, os sobreviventes, sem dúvida, diriam que esperanças já foram levantadas antes, e que as expectativas não foram alcançadas. Também poderiam argumentar que, por mais bem-vinda que a declaração possa ser, eles estarão atentos para ver o que acontecerá a seguir.

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