Sínodo, com a linguagem dos nativos digitais

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06 Outubro 2018

E o Sínodo vai direto ao ponto. Nada de fofocas. Com um “olhar de amor”, que se faz escuta e, depois, diálogo, ele abordou nessa sexta-feira, 5 de outubro, na quarta Congregação Geral, questões candentes como a acolhida aos migrantes e aos chamados “jovens-ninguém”, por serem descartados.

A reportagem é de L’Osservatore Romano, 05-10-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os trabalhos começaram às 9h, na presença do papa, com a oração da Hora Média e a meditação do cardeal presidente de turno, Bo. Foram 20 as intervenções dos Padres sinodais, às quais se somaram as animadas contribuições do convidado especial Ir. Alois de Taizé, de três auditoras e de cinco auditores.

“Muitos hoje falam dos jovens, mas poucos falam aos jovens”: as palavras de Paulo VI foram um pouco o fio condutor dos trabalhos da manhã. Os jovens testemunharam as suas “experiências positivas de Igreja” e compartilharam os seus sonhos, mas também sugeriram propostas e novidades, dando voz aos seus pares por eles representados.

Eles também quiseram dar a sua opinião sobre a grave questão dos abusos, exigindo justiça. E invocaram um papel mais incisivo para as mulheres. Jovens homens e mulheres, em suma, querem se comprometer na linha de frente e em primeira pessoa na Igreja “por vocação”. E querem fazer isso agora.

Na sala, sucederam-se reflexões profundas e também provocatórias, recolhidas com abertura pelos Padres sinodais, que reconheceram às novas gerações, definidas como “líquidas”, enormes potencialidades para fazer o bem em todos os campos, precisamente pela sua natural abertura à mudança, à alegria, à esperança, com um apego generoso aos valores solidários.

E o conhecimento da doutrina social da Igreja poderia dar corpo à sua sede de justiça e de verdade, de paz e de solidariedade. Concretamente, falando justamente de justiça e de solidariedade, foi reproposta a questão dos jovens refugiados, que devem ser acolhidos, mas também ajudados nos seus países de origem.

No entanto, apontou-se, os jovens devem ser considerados como um verdadeiro “lugar teológico”, e não como uma simples “área pastoral”. Nessa perspectiva, acima de tudo, é necessária uma verdadeira escuta: uma afirmação que se tornou indispensável em todos os pronunciamentos na sala, a ponto de culminar na proposta de instituir um “ministério da escuta”, confiado também aos leigos.

Os jovens, afirmou-se, precisam de testemunhas credíveis de e gestos autênticos, mais do que de tantas palavras. Precisam caminhar juntos com as gerações dos adultos para viver realmente a Igreja como comunhão de amor. E devem se sentir não apenas acolhidos, mas também protagonistas.

Hoje, no entanto, destacou-se, faltam acompanhantes à altura, capazes também de respeitar o santuário da consciência de cada jovem. E também educadores e formadores devem se atualizar, no estilo e na linguagem da comunicação, fazendo as contas com a web: com os seus aspectos positivos, mas também com os riscos, incluindo o da “solidão em abundância”.

Há, portanto, a necessidade de uma corajosa conversão missionária também nas estruturas educacionais católicas. Esse compromisso formativo da Igreja hoje, além disso, é obstaculizado tanto pelo risco de uma secularização generalizada que enfraquece a sua identidade católica, quanto pela crise econômica que impede aos mais pobres o acesso aos estudos.

E o fato de os jovens serem os novos pobres já é um fato. Por isso, deve-se falar de uma “opção preferencial”. Uma visão cultural do diálogo com os jovens, portanto, é fundamental. Analisando bem os novos modelos ético-sociais, para depois recorrer a uma nova linguagem que possa realmente falar com os “nativos digitais” e os “info-obesos”, suspensos entre a “bulimia informática” e a “anorexia dos sonhos”.

Foi reafirmada ainda a centralidade da família – enfatizando-se, em particular, a necessidade da paternidade responsável – e também das paróquias, que não devem esperar que os jovens vão bater na porta da casa paroquial. E, assim que eles entram na paróquia, sugeriu-se, que as catequeses e as homilias não sejam chatas e que as liturgias também sejam celebradas sempre dignamente, com uma atenção à beleza da música.

Por fim, a partilha de experiências pastorais locais também levou ao conhecimento de graves episódios de discriminação entre jovens cristãos, além de episódios de intolerância religiosa violenta.

Concluídas as intervenções sobre a primeira parte do Instrumentum laboris, na tarde dessa sexta-feira, a partir das 16h30, ocorreu a primeira sessão dos círculos menores.

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