Silêncio sobre a crise de abuso no primeiro dia do Sínodo dos Bispos

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05 Outubro 2018

Dirigindo-se ao Sínodo dos Bispos, que acontece entre 3 e 28 de outubro, sobre os jovens, a fé e o discernimento vocacional, uma questão importante para os católicos na rua era se os cerca de 300 prelados reunidos em Roma reconheceriam o elefante na sala: escândalos de abuso sexual do clero e o que eles significam para a vida e integridade moral da Igreja.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 04-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

A julgar apenas pelo palavreado oficial entregue no dia da abertura, que pode ser uma medida prematura, a resposta parece ser que, se tal confirmação ocorrer, ela terá que vir do plenário e não dos anfitriões oficiais do evento.

Embora agora seja difícil saber exatamente quando foi o início dessa história, este verão apresentou:

Diante de tudo isso, os esforços para evitar o assunto neste mês podem parecer um exercício de futilidade para alguns.

No entanto, em quase 8.400 palavras proferidas em quatro discursos separados sobre o significado e propósito do sínodo, dois pelo Papa Francisco na quarta-feira, um pelo cardeal italiano Lorenzo Baldisseri, chefe do Sínodo dos Bispos, e outro pelo cardeal brasileiro Sérgio da Rocha, o “relator geral”, ou presidente deste sínodo, a frase “abuso sexual” nunca apareceu e não houve referências diretas a nenhum dos escândalos que fizeram do verão americano de 2018 um inverno de descontentamento para a Igreja.

Tomados em conjunto, o que os quatro discursos podem sugerir é uma estratégia da parte dos organizadores deste encontro para evitar transformá-lo num fórum para discutir a crise de abusos, preferindo aguardar fevereiro, quando Francisco convocou os chefes das conferências episcopais de todo o mundo a Roma para um encontro de três dias sobre proteção infantil.

Além disso, os temas formais desta cúpula são também convincentes e merecem o seu momento de holofote - a relação da Igreja com os jovens do século XXI, as dificuldades de passar a fé em um mundo cada vez mais secular e os desafios de fomentar vocações em culturas que parecem cada vez mais alérgicas à ideia de compromisso.

A dificuldade com essa abordagem, no entanto, é que sobreviventes de abusos em todo o mundo, juntamente com católicos de todos os tipos, preocupados com os escândalos que tomaram conta da Igreja neste verão, podem não pensar exatamente que adiar a conversa por quatro meses é o tipo de resposta rápida que a Igreja precisa no momento.

Esse parecia ser o teor de uma postagem de blog na quarta-feira do arcebispo Charles Chaput, da Filadélfia, por exemplo, sobre o que precisa ser discutido no sínodo, do qual ele participa.

"Um sínodo que lida com questões de sexualidade e jovens também deve lidar - de forma honesta e completa - com as raízes de um desastre de abuso sexual do clero envolvendo menores", escreveu Chaput.

Para ser justo, Sérgio da Rocha encorajou os bispos do sínodo a falarem abertamente sobre as realidades do momento.

"Eu pergunto a todos os padres sinodais, acima de tudo, nesta primeira semana em que estamos tentando "reconhecer" [o que está acontecendo], para nos ajudar a entender o que os jovens experimentam em seu território", disse ele. “Todo discurso que damos aos jovens deve sempre partir de um realismo contextual e não de teorias abstratas distantes das realidades cotidianas da vida.”

Ainda assim, entre os sobreviventes de abusos, que se reuniram na quarta-feira a poucos passos do saguão em frente ao Castel Sant'Angelo, no final da Via della Conciliazione, não parecia haver muita confiança de que as “realidades cotidianas” de suas vidas seriam ouvidas.

"Feche este sínodo inútil, ou mude as coisas de verdade", disse Alessandro Battaglia, jovem de 22 anos que alega ter sido abusado por um padre de Milão chamado Mauro Galli em 2011.

“Os bispos que encobrem o abuso, todos nós sabemos quem eles são, [eles devem] renunciar”, disse ele a Claire Giangravé, do Crux.

Com certeza, nos dias que estão por vir, os bispos, líderes religiosos e jovens reunidos para o Sínodo terão múltiplas oportunidades para colocar a questão dos abusos na agenda, e é bem improvável que o assunto não apareça de várias formas ao longo do evento.

Ainda assim, para os católicos de todo o mundo que querem acreditar que seus líderes compreendem a mágoa e o senso de urgência que está se infiltrando na Igreja, o dia de abertura do Sínodo dos Bispos pode não ter entregado a reafirmação que eles buscam.

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