“Os jovens estão indignados pelos escândalos sexuais e econômicos na Igreja”, afirma Francisco

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26 Setembro 2018

Alguns jovens “sentem a presença da Igreja como algo incômodo e até irritante. Ficam indignados com os escândalos econômicos e sexuais para os quais não veem uma firme condenação, por não saber interpretar adequadamente a vida e a sensibilidade dos jovens por falta de preparação, ou simplesmente pelo papel passivo que lhes designamos”. Francisco se reúne em Tallinn com os jovens cristãos das confissões evangélica, ortodoxa e católica na Kaarli Lutheran Church, que fica em uma colina. Falando com eles, menciona os escândalos que ferem a Igreja e distanciam as jovens gerações dela.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 25-09-2018. A tradução é do Cepat.

Três jovens descreveram suas vidas, enquanto o Papa escutava. Lisbel, luterana de 18 anos, narrou uma vida difícil, com um pai alcoólatra e violento, e a recente descoberta da fé, com a qual pôde “encontrar alegria”. Tauri, ortodoxo, explicou que os ateus tinham razão ao lhe dizer que havia sido construída uma ideia de Deus completamente própria, ao passo que agora conhece seu verdadeiro rosto graças à teologia. Para concluir, Mirko, católico, diretor artístico, perguntou ao Papa como manter a alma pura e tomar as decisões corretas.

Francisco convidou a se sentir “como peregrinos que percorrem juntos o caminho”, aprendendo “a confiar o coração ao companheiro de caminhada sem receios, sem desconfianças, olhando somente o que na realidade buscamos: a paz no rosto do único Deus. E como a paz é artesanal, confiar-se ao outro é também algo artesanal, e é fonte de felicidade”.

“Com vocês, jovens, acontece muitas vezes – disse Bergoglio – que os adultos que estão por perto não sabem o que querem ou esperam de vocês; ou, às vezes, quando veem vocês muito alegres, desconfiam; e se os veem angustiados, relativizam o que passa com vocês”. Francisco citou o iminente Sínodo dos jovens, que começará no dia 3 de outubro no Vaticano, referindo-se seriamente ao desejo que os jovens têm de ser acompanhados e escutados.

“Nossas igrejas cristãs – e me animo a dizer que todo o processo religioso estruturado institucionalmente – às vezes arrasta estilos onde nos foi mais fácil falar, aconselhar e propor a partir de nossa experiência, do que escutar, deixar-nos interpelar e iluminar a partir do que vocês vivem. Sabemos que vocês querem e “esperam ser acompanhados não por um juiz inflexível ou por um pai temeroso e superprotetor que cria dependência, mas por alguém que não tem medo de sua própria fraqueza e sabe fazer resplandecer o tesouro que, como recipiente de barro, protege dentro de si”.

Mas, recordou Francisco, “quando uma comunidade cristã é cristã de verdade não faz proselitismo. Somente escuta, recebe, acompanha e faz caminho, mas não impõe”.

“Hoje, aqui, desejo lhes dizer – acrescentou o Papa – que queremos chorar com vocês se estão chorando, acompanhar com nossas palmas e nosso sorriso suas alegrias, ajudá-los a viver o seguimento do Senhor”. Os adultos necessitam verdadeiramente se converter e descobrir que para estar ao lado de vocês “devemos reverter tantas situações que são, em definitivo, as que nos distanciam”.

“Sabemos (assim nos disseram) que muitos jovens não nos pedem nada porque não nos consideram interlocutores significativos para sua existência – reconheceu o Papa argentino. Alguns, inclusive, pedem que os deixemos em paz, sentem a presença da Igreja como algo incômodo e até irritante. Ficam indignados com os escândalos econômicos e sexuais para os quais não veem uma firme condenação, por não saber interpretar adequadamente a vida e a sensibilidade dos jovens por falta de preparação, ou simplesmente pelo papel passivo que lhes designamos”.

“Queremos responder” aos pedidos dos jovens, afirmou Francisco, “queremos, como vocês mesmos expressam, ser uma “comunidade transparente, acolhedora, honesta, atrativa, comunicativa, acessível, alegre e interativa”. Ou seja, uma comunidade sem medos, os medos nos fecham. Os medos nos levam a ser proselitistas; e a fraternidade é outra coisa, o coração aberto, o abraço fraterno”. O Papa recordou que “Jesus continua sendo a razão de ser para estar aqui”.

“Uma famosa cantora de vocês, há uns dez anos, dizia em uma de suas canções: “O amor morreu, o amor se foi, o amor já não vive aqui”. Não, por favor! Façamos que o amor esteja vivo, e todos nós devemos fazer isso!, insistiu Francisco, frente aos esforços dos jovens, que “veem que se acaba o amor de seus pais, dissolve-se o amor do casal recém-casados, experimentam o desamor quando para ninguém importa que tenham que emigrar para buscar trabalho ou são olhados de lado por ser estrangeiros. Parece que o amor morreu, mas nós sabemos que não, e temos uma palavra a dizer, algo a anunciar, com poucos discursos e muitos gestos. Porque vocês são a geração da imagem e da ação sobre a especulação, a teoria”.

Acolher “juntos essa novidade que Deus traz para a nossa vida” foi o convite final do Papa, “essa novidade que nos impele a partir, mais de uma vez, para ir até onde está a humanidade mais ferida. Lá onde os homens, para além da aparência de superficialidade e conformismo, continuam buscando uma resposta à pergunta pelo sentido de suas vidas. Contudo, nunca iremos sós: Deus vem conosco”. E, acrescentou antes de se despedir, é preciso estar abertos “às surpresas do Senhor; o Senhor nos surpreende porque a vida sempre nos surpreende. Sigamos adiante para ir ao encontro destas surpresas”.

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