''Pequim admitiu o âmbito religioso do papa na China'', afirma o sinólogo Francesco Sisci

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25 Setembro 2018

“A essência do acordo é uma questão de princípio sobre a qual Pequim abriu as portas. Pequim admitiu o âmbito religioso do papa na China. É uma concessão que os imperadores, nos tempos dos jesuítas, não haviam feito, por isso é muito importante.”

A reportagem é de M. Chiara Biagioni, publicada por Servizio Informazione Religiosa, 24-09-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Francesco Sisci, um dos maiores sinólogos, autores e especialistas em China, explica assim, nesta entrevista, o acordo provisório estipulado em Pequim sobre a nomeação dos bispos. E para aqueles que o criticam por entregar a Igreja ao poder político e por desconhecer o martírio de tantos católicos chineses fiéis a Roma, ele responde: “Não é verdade”.

Pequim abriu as portas”. O acordo firmado com a Santa Sé é uma “concessão que os imperadores, nos tempos dos jesuítas, não haviam feito”. Francesco Sisci é um dos maiores sinólogos, autores e especialistas em China. Atualmente, é professor da Universidade do Povo da China. Nestes dias, é difícil falar com ele, sobrecarregado com as notícias que chegam da China e com os pedidos de entrevistas e comentários.

Por outro lado, ele é um dos maiores especialistas em história das relações entre a Santa Sé e a China. Em 2016, o Papa Francisco lhe concedeu uma entrevista justamente sobre a China, que foi publicada no jornal online de Hong Kong Asia Times”.

“Para mim – disse o papa naquela ocasião – a China sempre foi um ponto de referência de grandeza. Um grande país. Mas, mais do que um país, uma grande cultura com uma sabedoria inesgotável. Quando criança, quando eu lia algo sobre a China, esse fato tinha a capacidade de me inspirar admiração. Sinto admiração pela China.”

O acordo “provisório” assinado em Pequim durante um encontro entre Dom Antoine Camilleri, subsecretário para as relações da Santa Sé com os Estados, e Wang Chao, vice-ministro das Relações Exteriores da República Popular da China, aponta diretamente para uma questão que, há muito tempo, estava no centro de fatigantes e sofridas negociações: a nomeação dos bispos, na difícil relação entre a Igreja “oficial” e a Igreja “clandestina”.

O objetivo da Santa Sé é claro: “Apoiar o anúncio do Evangelho na China”. Francisco decide readmitir à plena comunhão eclesial os bispos “oficiais” remanescentes, ordenados sem mandato pontifício. Na lista, está também um bispo que morreu em 4 de janeiro de 2017, que, antes de falecer, havia expressado o desejo de se reconciliar com a Sé Apostólica.

É um anúncio histórico. Um acordo que, até poucos anos atrás, parecia impossível, mas que hoje se tornou realidade graças – como afirma o boletim da Sala de Imprensa vaticana – a “uma gradual e recíproca aproximação” entre as duas partes.

É o fruto de uma longa história iniciada em 2007 por Bento XVI, que, preocupado com o destino dos católicos chineses, enviou-lhes uma carta, exortando a plena comunhão e a superação das divisões através do “perdão e reconciliação”.

Com a eleição do Papa Francisco, jesuíta como Matteo Ricci, e a mediação do cardeal Pietro Parolin, os contatos foram reativados de maneira viva e inesperada. A China se torna para Francisco uma prioridade do seu pontificado, impulsionado unicamente pelo seu amor pelos católicos chineses. É o próprio papa que explica a Francesco Sisci como entende o processo de diálogo com a China:

“O diálogo não significa que acabamos com um compromisso, metade do bolo para você e a outra metade para mim. Foi isso que aconteceu em Yalta e vimos os resultados. Não, o diálogo significa: veja, chegamos a este ponto, posso ou não posso concordar, mas caminhemos juntos; isso é o que significa construir. E o bolo fica inteiro, se caminharmos juntos.”

Eis a entrevista.

Professor Sisci, por que agora? O objetivo pastoral da Santa Sé é claro. Mas o que levou a China a um acordo com Roma?

Porque, também com o Papa Francisco, a China se deu conta de que a Santa Sé é a superpotência “suave” global. Então, se Pequim tem ambições no mundo, ela não pode ignorar Roma.

Como podemos responder às críticas daqueles que dizem que esse acordo entrega a Igreja ao poder político e desconhece o martírio de tantos católicos chineses fiéis a Roma?

Que isso não é verdade. A essência do acordo é uma questão de princípio sobre a qual Pequim abriu as portas. Pequim admitiu o âmbito religioso do papa na China. É uma concessão que os imperadores, nos tempos dos jesuítas, não haviam feito, por isso é muito importante.

A China é um país fortemente acusado pelas organizações internacionais pelas violações da liberdade religiosa. Quais perspectivas o acordo abre para a liberdade religiosa na China?

Ele abre a uma maior liberdade religiosa na China. Naturalmente, os desafios são muitos, as dificuldades também. Veremos.

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