Cardeal Tobin sobre a crise dos abusos: “Nem toda derrota é um desastre”

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23 Setembro 2018

Num momento em que a Igreja Católica dos Estados Unidos está enfrentando seu capítulo mais desafiador desde que a crise dos abusos sexuais explodiu pela primeira vez em 2002, o Cardeal Joseph Tobin da cidade de Newark disse que “nem toda derrota é um desastre.”

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 22-09-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

“Nossa falha pode ser simplesmente uma intenção do Espírito Santo, querendo nos ensinar que devemos ir em outra direção, querendo que a gente vá em outra direção,” disse Tobin, que foi o escolhido para dar o discurso principal no segundo dia do V Encuentro, o maior encontro de católicos hispânicos dos Estados Unidos.

O cardeal também disse que, algumas vezes, Deus quer que aqueles que o seguem “vão por uma porta diferente,” e que a necessidade de uma conversão pastoral às vezes impede os fiéis de irem por tal porta.

“Não importa o quão difícil as circunstâncias podem ser, a Igreja não pode desviar de sua missão, pois ela existe para espalhar o Evangelho para todas as pessoas e para trazer a luz de Cristo que brilha desde a Igreja para todos,” disse Tobin, mudando vez ou outra entre o inglês e o espanhol durante sua fala.

Tobin falou para cerca de 3 mil participantes no V Encuentro, que aconteceu do dia 20 até o dia 23 de setembro em Fort Worth, no Texas.

O cardeal também pediu para que a Igreja Americana repense e revise suas estruturas e estratégias, questionando se eles são o que a “missão” requer hoje em dia, mesmo que tenham sido efetivos no passado.

Parafraseando a Constituição Pastoral sobre a Igreja do Mundo Moderno do Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes, Tobin disse que a Igreja hoje está sendo convocada a “ler os sinais dos tempos”.

“As alegrias e as esperanças, as dores e as ansiedades dos homens dessa era, especialmente daqueles que são pobres ou que são, de alguma forma, atingidos, essas são as alegrias e as esperanças, as dores e as ansiedades dos seguidores de Cristo,” disse ele, citando parte do documento, acrescentando que o Espírito Santo está abrindo portas por meio do Concílio Vaticano II, mas também por meio da vontade do Papa Francisco de olhar para as periferias existenciais da sociedade e da Igreja.

“Podemos ter certeza disso: não acharemos o nosso ‘onde’ - o lugar de missão - nas paredes e nas estruturas de nossas paróquias, nos movimentos e na sociedade,” disse ele.

Tobin também falou sobre o papel que os leigos desempenham nessa conversão pastoral, e o fez usando um discurso de 2015 do Papa Francisco para a conferência de bispos italianos, no qual o pontífice disse “os leigos que têm uma formação cristã autêntica não deverão precisar de um bispo timoneiro, de um piloto monsenhor, ou da entrada do clero para tomar suas próprias responsabilidades em todos os níveis, do político ao social, do econômico ao legislativo.”

Os leigos e leigas, disse Tobin, não devem almejar a bênção do bispo para sua atividade apostólica, nem reclamar do fato da hierarquia não “tratar de certos assuntos polêmicos” semanalmente.

Durante a sessão de abertura de quinta-feira, o evento ocorreu tanto em inglês quanto em espanhol, com tradução para a língua de sinais.

Após a oração, conduzida pelo Bispo Michael Olson, anfitrião do evento por ser bispo de Fort Worth, e do discurso principal de Tobin, ocorreu um painel que incluiu Edith Ávila Olea, Carl Anderson e Hoffman Ospino.

Ospino, professor adjunto de teologia e ensino religioso e diretor dos programas de graduação da Hispanic Ministry da Faculdade de Boston, disse que ele fica “inquieto” toda vez que ouve dizer que os latinos estão “amadurecendo”.

“Francamente, estamos aqui há 500 anos,” disse ele.

No entanto, Ospino reconheceu que os Encuentros, dos quais o primeiro aconteceu no início dos anos 70, refletem a maturidade da Igreja Hispânica que “está aqui para ficar.”

“Acredito que as portas estiveram abertas por um momento, mas Igreja está fragmentada nacionalmente. Somos uma Igreja que luta para receber a comunidade latina,” disse ele.

Tendo participado de, virtualmente, todos os 14 Encuentros regionais, Ospino disse que os mais de 3000 participantes no V Encuentro representam apenas 1% dos católicos hispânicos nos Estados Unidos, e o objetivo passa a ser chegar até os outros 99%.

“Eu vi a liderança das mulheres” durante os Encuentros locais, disse ele. “São elas que estão guiando o nosso caminho, mas ainda falhamos em reconhecer e afirmar a liderança delas na Igreja.”

Anderson, Cavaleiro Supremo dos Cavaleiros de Colombo, disse que, como instituição, os Cavaleiros de Colombo querem ser líderes para abrir as portas das paróquias e das instituições católicas para que as comunidades hispânicas tomem propriedade.

(Os Cavaleiros de Colombo são patrocinadores oficiais do Crux.)

Anderson se tornou chefe dos Cavaleiros em 2000 e, um ano mais tarde, declarou a Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira do México, como a padroeira da instituição também.

“Quando Maria de Guadalupe apareceu, grande parte dos Estados Unidos pertencia à nova Espanha; o Texas, a Califórnia, faziam parte do México,” disse Anderson. “Ela não apareceu só no México, ela apareceu nos Estados Unidos. Acredito que o futuro dos EUA é um futuro de “Guadalupanos” e “Guadalupanas”, e acredito que algum dia os bispos dos Estados Unidos irão declarar Nossa Senhora de Guadalupe como padroeira do país, e, quanto mais cedo isso acontecer, melhor.”

Anderson também disse que concorda com Papa Francisco, o qual, durante sua viagem aos Estados Unidos em 2015, disse aos católicos hispânicos que eles tinham muitas dádivas para compartilhar com a nação e que eles não deviam ter medo de suas tradições.

Coautor de um livro sobre Nossa Senhora de Guadalupe, Anderson disse que a aparição dela não é simplesmente “um evento histórico com pouca relevância,” mas que existe um milagre de Guadalupe nos Estados Unidos hoje, e que é a presença de “milhões de Guadalupanos e Guadalupanas nesse país que moldam a imagem de nossa Igreja nos dias de hoje.”

Estava também nesse painel Ávila, nascida mexicana, jovem mulher que atuou como Divulgadora da Paróquia e Coordenadora de Jovens Profissionais para Caridades Católicas na Diocese de Joliet. Próximo do fim do painel, ela falou diretamente com o público, pedindo para aqueles com menos de 35 anos de idade que se levantassem, provando que, mesmo que eles não fossem maioria, estatisticamente eles o são em relação aos que ultrapassam essa idade.

“Somos a maioria nessa Igreja,” disse ela em seguida, interrompida por aplausos. “Temos que tomar a responsabilidade e a liderança de nossa Igreja. Espero que um dia nossos escritórios das dioceses reflitam isso, e gostaria muito de ver nossas jovens igrejas de comunidade latina representadas nesses lugares.”

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