China-Vaticano: ''Essa assinatura muda milênios de história.'' Mas há quem tema o cisma

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24 Setembro 2018

No cartão de visita, ele é gerente de uma empresa. “Aqui, eu não posso ser padre”, conta um religioso na China há muitos anos. “Sou um invisível.” Mas, aos domingos, ele celebra a missa na igreja de uma grande cidade do norte, a convite das autoridades locais. “A China é grande e complexa...” Ele se apressa em dizer que aqui existem duas Igrejas, a patriótica, controlada pelo Partido, e a clandestina: in loco, para pastores e fiéis, a realidade tem nuances infinitas.

A reportagem é de Filippo Santelli, publicada por La Repubblica, 23-09-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Clandestinos, tolerados ou autorizados, os cristãos são assim identificados mais ou menos dependendo de lugares e circunstâncias. Por isso, é tão difícil entender qual será o efeito do acordo entre o Vaticano e Pequim para 10 milhões de católicos.

Em outras palavras, a divisão na comunidade é profunda. O ex-arcebispo de Hong Kong, Joseph Zen, referência da Igreja não oficial, falou de “traição” e de “risco de cisma”. Enquanto os apoiadores de Francisco exultam com a reviravolta: “Com essa assinatura, mudam 5.000 anos de história da China – comentava-se nos círculos católicos em Pequim –, pela primeira vez o imperador reconhece uma autoridade estrangeira”.

No entanto, o padre “incógnito” vê isso positivamente: “Pode ajudar a costurar novamente a relação entre as duas partes da Igreja chinesa – diz ele –, até mesmo entre os ‘clandestinos’ a maioria é favorável”.

Porém, alguns compartilham a sensação de traição expressada por Zen. Com a garra autoritária de Xi Jinping, o imperativo de “chinesizar” as religiões assumiu um novo vigor. Em Xinjiang, extremo leste do império, está em curso uma campanha de reeducação forçada dos muçulmanos. E, das províncias, chegam notícias de violência também contra os cristãos, prisões arbitrárias dos padres não reconhecidos pelas autoridades, cruzes e Bíblias queimadas.

Com esse acordo, Pequim espera frear aqueles que alguns definem como “a efervescência do mundo religioso”, como os milhares de Igrejas “domésticas”, sótãos ou garagens onde, todos os domingos, se reúnem algumas dezenas de pessoas. Sem falar da possibilidade de isolar Taiwan, “a outra China” que o Vaticano é um dos poucos países a reconhecer ainda.

Se os bispos do regime, reabilitados pelo papa, expulsarem do altar aqueles que sempre foram fiéis a Roma, as comunidades “clandestinas” poderiam protestar. E o temor é de que a reação das autoridades, fortalecida pelo entendimento com o Vaticano, seja dura. “O acordo deve ser tomado com esperança, não com otimismo estúpido”, diz um religioso. “É o início de um trabalho imenso de construção das relações. É cedo para entender como isso vai evoluir. Mas as feridas do passado agora podem ser curadas.”

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