Cheias extremas aumentam na bacia do Rio Amazonas nos últimos 30 anos

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22 Setembro 2018

A frequência das cheias extremas na região da bacia hidrográfica do Rio Amazonas teve um aumento de cinco vezes nos últimos 30 anos, segundo estudo que analisou uma pesquisa temporal iniciada em setembro de 1902 com registros diários dos níveis de água no Rio Amazonas feitos no Porto de Manaus.

A reportagem é de Leandro Melito, publicada por Agência Brasil, 21-09-2018. 

Publicado nesta quarta-feira (19) na revista Science Advances, o estudo Intensificação Recente dos Extremos de Inundação da Amazônia Impulsionada pela Circulação Reforçada de Walker mostra que nos primeiros 70 anos da série, o intervalo entre as cheias extremas com níveis de água que ultrapassaram 29 metros – valor de referência para acionar o estado de emergência na cidade de Manaus – aconteciam aproximadamente a cada 20 anos. Nas últimas três décadas esse regime mudou e atualmente as cheias extremas acontecem em média a cada quatro anos.

Estudo pode ser utilizado para aperfeiçoar os modelos de previsão das cheias na Amazônia Central (Foto: Defesa Civil/AM)

Os pesquisadores apontam que o aumento do número de enchentes está relacionado à intensificação da circulação de Walker, um sistema de circulação de ar movido pelo oceano originado pelas diferenças de temperatura e pressão atmosférica sobre os oceanos tropicais Atlântico e Pacífico.

“Esse aquecimento do Atlântico e simultaneamente o esfriamento do Pacífico resultou no aumento das cheias na maior bacia hidrográfica do mundo”, explica o pesquisador Jochen Schöngart do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

O ano de 2017 – não incluído no estudo – registrou o nível de água acima dos 29 metros. Como é esperado que o Atlântico Tropical continue aquecendo mais rápido que o Pacífico Tropical nas próximas décadas, os cientistas esperam mais eventos com alto nível de água.

Schöngart explica que esse conhecimento pode ser utilizado para aperfeiçoar os modelos de previsão das cheias na Amazônia Central e servir de subsídio para políticas públicas voltadas para a região, com previsões mais precisas e feitas com maior antecedência.

“Isso permite que as políticas públicas podem preparar as populações nas áreas urbanas e nas regiões rurais para enfrentar as consequências dessas cheias severas que sempre impactam a qualidade de vida dessas populações. Eles perdem moradia, sofrem várias doenças, serviços básicos como água potável são bastante restritos e principalmente nas áreas alagáveis ao longo dos rios que vem da Cordilheira Andina, atividades econômicas como a pecuária e a agricultura ficam bastante restritas resultando em enormes prejuízos econômicos e sociais para essas pessoas”, diz.

O estudo é resultado de uma oficina internacional que Schöngart organizou com cientistas da Universidade de Leeds (Reino Unido), no Inpa, em janeiro de 2016, para fazer uma abordagem do conhecimento atual sobre as mudanças recentes do clima e da hidrologia na bacia amazônica e teve a participação de Jonathan Barichivich (Universidade Austral de Chile), Jhan Carlo Espinoza (Instituto Geofísico del Perú) e Manuel Gloor, Roel J. W. Brienen, Kanhu C. Pattnayak e Philippe Peylin, todos da Escola de Geografia da Universidade de Leed.

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