Cardeal Wuerl está certo em pressionar o Papa para que aceite sua renúncia

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15 Setembro 2018

"Wuerl, como muitos desses bispos, agiu por ignorância em acreditar que era seguro trazer de volta alguns padres abusivos ao Ministério. Eles pensaram que poderiam proteger as crianças, ao mesmo tempo em que reabilitariam os padres e protegiam a Igreja da má publicidade. Hoje os bispos estão mais cientes dessas condições", escreve Thomas Reese, jesuíta, ex-editor-chefe da revista America, em artigo publicado por Religion News Service, 14-09-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen

Eis o artigo.

O cardeal está sob forte pressão para renunciar desde que o relatório do grande júri da Pensilvânia foi divulgado em agosto. Nele, Wuerl foi criticado por lidar com padres abusivos enquanto era bispo de Pittsburgh, de 1988 a 2006. Ele é o primeiro cardeal dos EUA a renunciar à sua arquidiocese por conta da crise dos abusos desde que o cardeal Bernard Law o fez em 2002, por seu fracasso em lidar com padres abusivos em Boston.

A carreira episcopal de Wuerl começou com controvérsias e agora termina da mesma forma. Sua primeira nomeação episcopal foi em 1986 como bispo auxiliar em Seattle, onde o Vaticano queria que ele ficasse de olho no arcebispo liberal Raymond Hunthausen. Wuerl logo foi transferido para a diocese de Pittsburgh quando sua posição em Seattle se tornou insustentável.

Enquanto era bispo de Pittsburgh, Wuerl foi alvo de críticas ​​por sua manipulação de casos de abuso. Em 1988, ele foi um dos primeiros bispos a se reunir com tais sobreviventes, apesar das objeções dos advogados da diocese. Wuerl também se recusou a conceder o retorno do Rev. Anthony Cipolla ao Ministério em 1993, quando foi ordenado que assim fosse pelo Supremo Tribunal da Signatura Apostólica, a mais alta corte da Igreja, com sede em Roma. Poucos bispos teriam enfrentado os poderosos cardeais do tribunal.

Apesar de um bom histórico de ações sobre o abuso, o relatório do grande júri mostrou que Wuerl trouxe alguns padres de volta ao ministério depois destes passarem por psicólogos que atestavam que eles estavam mais seguros para ocupar o cargo. Quando ele notificou a polícia e outros bispos sobre o padre, nem sempre foi verdadeiro sobre as informações que tinha.

Em suma, embora melhor do que a maioria dos bispos da época, ele nem sempre seguiu as regras vigentes de hoje.

Ao pedir ao Papa que aceitasse sua renúncia, Wuerl fez o que muitos bispos deveriam ter feito décadas atrás.

Embora o National Catholic Reporter estivesse cobrindo o abuso sexual clerical desde 1985, a crise ganhou atenção nacional em 2002 com a exposição do The Boston Globe. Ficou evidente que muitos bispos não denunciaram crimes à polícia. Na verdade, eles mudaram os padres acusados de abusos de uma paróquia para outra paróquia.

Se esses bispos tivessem assumido a responsabilidade por suas ações e renunciassem ao cargo, a Igreja teria resistido mais facilmente à crise. O Vaticano, no entanto, resistiu caso os bispos renunciassem sob pressão externa. Isso dificultou muito para a Igreja seguir em frente. Apenas as demissões sinalizariam para as pessoas que a hierarquia conseguiu vencer.

Wuerl, como muitos desses bispos, agiu por ignorância em acreditar que era seguro trazer de volta alguns padres abusivos ao Ministério. Eles pensaram que poderiam proteger as crianças, ao mesmo tempo em que reabilitariam os padres e protegiam a Igreja da má publicidade. Hoje os bispos estão mais cientes dessas condições.

Wuerl certamente não é o pior bispo de sua geração ao lidar com o abuso. Na verdade, ele foi um dos melhores, mas ainda não é bom o suficiente. Hoje temos um padrão mais alto.

Os católicos norte-americanos esperam que seus líderes divulguem plenamente o que aconteceu, assumam a responsabilidade por suas ações e renunciem quando apropriado. Esperamos que os líderes da Igreja sejam mantidos em um padrão ainda mais elevado.

Wuerl disse que depois de sua renúncia, quer participar de um processo de cura para todos aqueles que sofreram abuso. Se ele apenas conhecer e ouvir sobreviventes de abuso, já será um Ministério útil.

Os cardeais vestem vermelho para simbolizar sua disposição de morrer pela Igreja. A renúncia não é um martírio, mas sinaliza a disposição de colocar a Igreja acima do bem estar pessoal.

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