Primaz anglicano defende impostos para os ricos: a esquerda recomeça a partir de Canterbury

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09 Setembro 2018

A esquerda tem um novo líder, com um plano para revitalizá-la e responder ao ataque do populismo. O líder é um ex-petroleiro que mora em um grande prédio perto do Tâmisa: sua profissão é arcebispo de Canterbury, ou seja, o chefe da Igreja Anglicana, o equivalente do papa católico desde os tempos do cisma de Henrique VIII. E seu plano é um documento do Institute for Public Policy Research (IPPR), um renomado think tank progressista de Londres, entre cujos membros há economistas, barões da indústria, sindicalistas e também, precisamente, o reverendo Justin Welby, primata da Igreja da Inglaterra, que deu um entusiasmado apoio à iniciativa.

A reportagem é de Enrico Franceschini, publicada em La Repubblica, 06-09-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O dossiê do IPPR contém 73 recomendações, entre elas um aumento dos impostos sobre a herança, sobre os dividendos e sobre as empresas, um incremento do salário mínimo, maiores investimentos públicos, o envolvimento dos trabalhadores nos conselhos administrativos e um maior impulso à devolução em favor das regiões.

Mas, acima de tudo, expressa um ato de acusação sem meios termos contra uma cultura do negócio dominada há décadas por lucros de curto prazo e baixos salários.

“O atual modelo de capitalismo não funciona, não tem dado respostas à crise financeira global de 2008 e é pelo menos parcialmente responsável pelo declínio do Reino Unido nas classificações internacionais de produtividade”, afirma o relatório.

Sem os investimentos necessários para enfrentar desdobramentos como a crescente automação do trabalho e a revolução digital, adverte o estudo, corre-se o risco de mais uma década de salários estagnados, dívida privada em ascensão e infraestruturas que se deterioram. Palavras que se referem a esse país, mas que poderiam ser aplicadas a muitas nações do continente e do Ocidente.

“Realizar prosperidade e justiça juntas”, adverte o arcebispo de Canterbury, “é um imperativo não só moral, mas também econômico.”

Não é de admirar que um líder religioso se ocupe de economia: antes de fazer os votos aos 35 anos, o reverendo Welby trabalhou como gerente na indústria do petróleo, razão pela qual ele entende dessas coisas. Além disso, o Papa Francisco também falou várias vezes sobre o tema da pobreza, criticando um capitalismo que privilegia poucos em detrimento de muitos.

O IPPR quis publicar o relatório às vésperas do aniversário do colapso do Lehman Brothers, o evento que abriu a grande crise global em 15 de setembro de 2008, na esperança de que ele sirva para virar a página como ainda não se fez.

O jornal Guardian compara a amplitude de suas receitas às grandes reformas trabalhistas do primeiro pós-guerra e à revolução thatcheriana, embora obviamente na direção oposta à da Dama de Ferro. Entre as propostas, figuram um imposto de 13 bilhões de libras anuais para as multinacionais, a criação de um Citizens Wealth Fund de 186 bilhões de libras e uma estratégia industrial para sustentar as exportações, apoiada por um novo banco que deveria arrecadar 15 bilhões de libras por ano.

“Há décadas, a economia britânica não está indo como deveria, com milhões de pessoas e muitas partes do país recebendo menos do que o necessário”, disse o arcebispo, apresentando o relatório nessa quarta-feira, 5. “A brecha entre ricos e pobres aumentou, os temores sobre o futuro, particularmente entre os jovens, prejudicaram o senso identitário de quem somos. Mas esse estudo demonstra que as coisas podem ser feitas de forma diferente. Colocando mais equidade no coração da economia, podemos melhorar a vida de todos.”

Em um artigo publicado no jornal Daily Mail, o reverendo Welby acrescenta: “Os 10% mais ricos da nação têm um patrimônio 900 vezes maior do que os 10% mais pobres. Os jovens são mais pobres do que seus pais, custando a encontrar trabalho e a comprar uma casa. A maioria dos pobres são famílias de trabalhadores. Não podemos continuar assim. Como cristão, parto do ensinamento de Jesus: as pessoas são todas iguais, e a justiça tem uma importância fundamental na sociedade. É um tema recorrente na Bíblia”.

A esquerda deveria recomeçar a partir daí?

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