Sobrevivente de abuso Marie Collins apoia Cardeal O’Malley à presidência da Pontifícia Comissão para Proteção de Menores

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25 Agosto 2018

Marie Collins, sobrevivente dos casos de abuso sexual na Irlanda, deu seu apoio para o Cardeal de Boston Sean O’Malley para a presidência da Pontifícia Comissão para Proteção de Menores.

A reportagem é de Sarah Mac Donalds, publicada por Catholic News Service, 24-08-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Numa coletiva de imprensa no Encontro Mundial de Famílias, no dia 24 de agosto, Collins, que já fez parte da comissão vaticana, disse que o cardeal trabalhou “intensamente” para tentar conquistar mudanças em relação à proteção de menores.

“O fato de que a Comissão não foi capaz de conquistar nada nos últimos quatro anos não tem a ver com o Cardeal O’Malley. Eu não acho que seja justo responsabilizá-lo; a culpa disso é da resistência dentro do Vaticano”.

Collins, 71, também disse que O’Malley ajudou a organizar as propostas do tribunal de prestação de contas para líderes de igreja, as quais foram aceitas pelo Papa Francisco mas acabaram sendo arquivadas por causa da resistência curial.

Em março de 2017, Collins se demitiu em protesto contra o impedimento de trabalho da comissão.

“Todas as outras recomendações vieram da comissão quando eu estava lá, e o Cardeal O’Malley deu total apoio e ajudou a levá-las adiante. Portanto, não há chance dele ter sido um impedimento. O impedimento veio de dentro da Cúria Vaticana”, disse ela.

Collins estava respondendo ao grupo de sobreviventes de abuso End Clergy Abuse, o qual pedia que O’Malley fosse demitido da comissão pontifícia por não ter conseguido mudanças mais abrangentes.

Gabriel Dy-Liacco, psicoterapeuta e atualmente membro da Comissão pontifícia, também apoiou a ideia de Collins: “O que nós fomos capazes de resolver se deve, em grande parte, ao Cardeal O’Malley”.

Ambos participaram do painel de proteção às crianças, no dia 24 de agosto. A sessão no Royal Dublin Society foi moderada pela Baronesa Sheila Hollins, psiquiatra e que também já fez parte do órgão de proteção à criança do Vaticano. Hollins substitui O’Malley, que renunciou, semana passada, em virtude de alegações de comportamento sexual impróprio no Seminário de St. John em sua arquidiocese.

A quarta participante foi Barbara Thorp, ex-chefe do Escritório de Apoio Pastoral e Proteção da Criança da Arquidiocese de Boston.

Collins sugeriu uma série de medidas que gostaria que a igreja implementasse para proteger as crianças.

Em seguida, ela disse aos repórteres que existe uma “recusa” na igreja em relação aos abusos clericais. “Não é imaginação, há pessoas que prefeririam acreditar que se trata de uma série de alegações falsas, as quais sabemos que não são”.

“Eles também acreditam no mito de que tudo seja culpa dos padres homossexuais e gostam de acreditar que se trata de uma campanha da mídia contra a Igreja. Acreditam também que sobreviventes como eu, que fizeram declarações, são apenas inimigos da igreja que querem destruí-la. É mais confortável pensar assim.”

Durante a coletiva de imprensa, Thorp pediu mais transparência às organizações eclesiásticas. Ela pediu a Francisco que instrua as dioceses e as congregações para adotarem uma política de revisão de seus arquivos e de tornar público as suas descobertas, com os nomes de todos os que forem identificados como abusadores de criança, juntamente de seus históricos de atribuições.

“Nós aplicamos esse processo na Arquidiocese de Boston e foi muito difícil, entretanto foi fundamental para sermos totalmente transparentes. Creio que isso seja algo que pode nos mover adiante”, disse ela.

Thorp também pediu que sejam tomadas medidas para acelerar os julgamentos canônicos relacionados aos abusos clericais, descrevendo o ritmo atual como “mais do que lento”.

“É extremamente frustrante que não haja transparência sobre as acusações. Temos o arcebispo de Guam, contra quem existem acusações muito sérias, mas nunca soubemos o que essas acusações são de fato, isso nunca foi tornado público”. Ela disse que anos passaram antes dele ter sido declarado culpado, embora o motivo nunca tenha sido divulgado.

Ela acrescentou que a indefinição dos casos tem causado sofrimento aos sobreviventes. “Eu recomendaria que o Santo Padre indicasse um promotor especial que assumisse os casos e os abordasse, assim teríamos muito mais transparência sobre o verdadeiro processo.”

Ela sugeriu que se as dioceses da Pensilvânia investigadas pelo procurador geral tivessem uma política de revisão de arquivos e publicassem suas descobertas, não se rendendo aos que perseguem as reivindicações, o sofrimento terrível que emergiu no relatório recente do grande júri teria sido resolvido mais cedo e pela Igreja.

Perguntada sobre o crescente coro de pessoas alegando que o motivo da crise dos abusos sejam os homens gays no sacerdócio, Collins rejeitou as alegações, chamando-as de “pista falsa”.

“Eu certamente discordo disso. Temos predadores heterossexuais e temos predadores homossexuais. Quando se trata de abuso de menores, não creio que a homossexualidade possa ser colocada como causa -- é confortável para algumas pessoas pensar isso e elas querem pensar isso, mas acredito que nenhum estudo mostrou que esse seja o caso.”

Dy-Liacco também rejeitou o vínculo. “Orientação sexual não é o problema aqui e não é a causa; muitos estudos científicos já comprovaram isso”.

Pai de cinco filhos, Dy-Liacco disse “se trata de um crime sexual que surge do uso descontrolado de força e afeição e é expressado dessa forma na sexualidade”. Disse também que estudiosos propuseram que uma parcela significativa de casos envolvendo efebofilia, ou seja, abuso sexual de adolescentes do sexo masculino, praticados por homens mais velhos sejam “crimes de oportunidade”.

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