'Perdi até fotos dos meus filhos', diz venezuelana que deixou família para trás em busca de sustento no Brasil

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24 Agosto 2018

Aos 29 anos, Analis Magallanes é mãe de três crianças – um menino de 12 anos e duas meninas, de 7 anos e 11 meses.

As lágrimas lhe vêm aos olhos sempre que fala em tê-los deixado para trás, morando com sua mãe na Venezuela. Sua esperança é que, de longe, consiga fazer o que é melhor para eles: ganhar algum dinheiro e enviar para casa para alimentá-los. “Queria tê-los aqui comigo, mas não pude. É isso que me dói”, diz, esperançosa de um dia poder trazê-los para o Brasil.

A reportagem é de Júlia Dias Carneiro, publicada por BBC Brasil, 24-08-2018.

No fim de semana, brasileiros da cidade fronteiriça de Pacaraima, entre Brasil e Venezuela, protestaram contra a presença de venezuelanos ali, incendiando acampamentos e queimando seus pertences.

Analis chegou a Pacaraima domingo, com duas malas carregando todos os pertences que conseguiu trazer, e cruzou a fronteira temerosa ao saber dos ataques do dia anterior.

Na cidade, um princípio de confusão levou a uma correria. Quando viu, uma de suas malas havia sumido. Lá estavam suas melhores roupas, telefone celular, dinheiro, itens de higiene, as fotos de seus filhos. Ela mostra a única foto que lhe restou na carteira, de uma das filhas, Anabela, e diz não ter dinheiro nem para comprar uma nova escova de dentes.

“Nunca pensamos que isso poderia acontecer. Que a Venezuela poderia ficar assim”, diz. “Não vejo perspectiva de mudanças tão cedo.”

No centro de triagem em Pacaraima, Analis esperava para embarcar para a capital do Estado, Boa Vista. Oscar Rojas, de 33 anos, aguardava o mesmo ônibus.

“Sinto-me triste demais”, diz ele. “Em meu país eu passava fome, mas estava em casa. Agora não tenho comida, trabalho nem possibilidades. Não queria sair da minha casa para passar pelo que estou passando agora.”

Oscar cruzou a fronteira para chegar a Pacaraima, em Roraima, há mais de um ano, e estava morando dentro de uma das bancas do mercado produtor da cidade, dormindo em uma cama de papelão com outros conterrâneos que improvisaram moradias no local.

No sábado, quando um protesto na cidade se transformou em ataques contra os imigrantes, todos os seus pertences e de seus vizinhos foram retirados do local, jogados na rua e queimados, ele conta.

Perdeu todo o pouco que havia conseguido adquirir no Brasil trabalhando em Pacaraima como empacotador e ajudante na construção civil – suas roupas, comida, seu telefone e, com ele, todos os seus contatos – de seus familiares e de um ex-patrão que vive em Brasília e era uma esperança para um futuro emprego.

Perdeu também o número da conta bancária da mãe, em que depositava dinheiro sempre que podia.

“Eram coisas materiais, mas coisas que eu tinha batalhado para conseguir”, contou.

Com medo de continuar em Pacaraima, Oscar foi pedir ajuda no centro de acolhimento e triagem montado pelo governo federal, ONGs e organizações internacionais para receber os imigrantes que chegam na fronteira, e estava prestes a embarcar em um ônibus para Boa Vista, onde conseguira vaga em um abrigo e esperava poder recomeçar – mais uma vez.

“Não creio que as coisas melhorem na Venezuela. A coisa está muito feia. Acho que só em muitos anos vai melhorar.”

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