Por que o dólar preocupa tanto? Uma sociologia do dinheiro. Entrevista com Ariel Wilkis e Mariana Luzzi

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16 Agosto 2018

Os pesquisadores do Consejo Nacional de Investigaciones y Tecnicas – Conicet (Argentina) analisam a história social e cultural da moeda do Norte. Papéis verdes que condensam sentidos políticos e econômicos e, na atualidade, funcionam como termômetro da dinâmica cotidiana do país.

A entrevista com Ariel Wilkis e Mariana Luzzi foi concedida a Pablo Esteban, publicada por Página/12, em 15-08-2018. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O dólar “vai às nuvens”, “se estaciona” e “se mantém estável”; “volta a subir” e “explode”. Nenhuma estratégia consegue segurá-lo, está “indomável”, “escorregadio”, “inconstante”. Essa bateria de adjetivos e verbos é empregada no discurso midiático toda vez que tentam descrever as características e as ações que definem o comportamento das cédulas verdes. O consenso legitima o valor e as representações sociais de uma moeda que – não conformado com medir os intercâmbios nos Estados Unidos – também funciona como referência da economia e da política em países semiperiféricos. Na Argentina, os bilhetes do Norte se constituíram em um autêntico termômetro social e permitem calcular a eficácia das decisões do governo da vez.

Os argentinos poupam, fazem suas contas e investem pensando no dólar. Porém, desde quando? Por que é tão popular? Só constitui um meio de intercâmbio, ou bem sua popularidade emerge graças à quantidade de significados e sentidos que condensa no marco da relação entre cidadãos e Estado? A esses interrogantes respondem Ariel Wilkis e Mariana Luzzi. Wilkis é decano do Instituto de Altos Estudios Sociales (Idaes), doutor em Sociologia e pesquisador do Conicet. É autor dos livros The Moral Power of Money (Stanford University Press) e El labirinto de las finanzas. Nuevos estúdios sociales de la economía (Editorial Biblos). Luzzi é doutora em Sociologia, pesquisadora do Conicet e professora na Universidad Nacional de General Sarmiento. Publicou – junto à Carla del CuetoTransformaciones em la estrutura social de la Argentina, 1983-2008.

Ambos são especialistas em sociologia do dinheiro e das finanças e, na atualidade, concentrar seus esforços na publicação de um livro que falará sobre a história cultural e social dos usos do dólar na Argentina. O material pretender lançar novas pistas para compreender como os retratos de Benjamin Franklin, Abraham Lincoln e George Washington (alguns dos rostos impressos nas notas de dólares) se tornaram tão famosos no país.

Eis a entrevista

Que abordagem propõe a sociologia do dinheiro?

Mariana Luzzi – Nas últimas décadas, a sociologia voltou a interessar-se em fenômenos e práticas econômicas que haviam pertencido aos interesses da disciplina no seu início. De fato, ainda que se trate de uma área a priori nova, ao final do século XIX já havia sido abordada pelos padres fundadores do campo. Uma das obras mais importantes de Georg Simmel foi a Filosofia do dinheiro, da mesma maneira que Max Weber se interessou pelas origens do capitalismo e Émile Durkheim pela divisão do trabalho. O objetivo, desde aqui, é se perguntar que é isso que chamamos dinheiro, como circula, quais são seus usos legítimos e ilegítimos e quais suas representações sociais.

Ariel Wilkis – Os problemas clássicos da sociologia – o poder, a hierarquia, o status – podem ser explorados a partir do dinheiro. Se a ciência econômica se define a partir de suas transparência e neutralidade, a ciência social produz um movimento investido, ao analisar como as práticas monetárias contribuem e produzem essas diferenças morais e hierárquicas. Isso é: pode funcionar como um ponto de entrada para compreender as dinâmicas sociais.

Nesse sentido, por que interessa tanto aos argentinos o que acontece com o dólar? Em toda América Latina acontece o mesmo?

Mariana Lazzi – Se bem a Argentina não constitui nenhuma exceção, é certo que nos preocupa muito o que passa com o dólar. No país, por exemplo, faz quarenta anos que o mercado imobiliário está dolarizado e isso não ocorre necessariamente em outras latitudes com histórias e trajetórias econômicas parecidas. Ademais, funciona como reserva de valor primordial e como medida de referência respeito às moedas nacionais. Penso que o dólar interessa tanto porque conjuga práticas econômicas, significados e relações políticas. Mais além do poder de compra real que cada cidadão tenha, também opera como um termômetro tanto do estado da economia assim como das políticas econômicas que implementam os governantes da vez. E tudo isso faz que sua cotização se comunique com a mesma assiduidade com que se transmitem os dados do tempo e o estado de trânsito.

Ariel Wilkis – O dólar é uma instituição política. Quando os cidadãos pensam sua relação com a moeda também reflete sobre o seu vínculo com o Estado. E concordo com Mariana, é um termômetro da vida social e política: não só porque os atores financeiros tem capacidade para pressionar aos governos por meio de mercados cambiários sem porque também os habitantes, em suas práticas cotidianas, leem o cenário de poder a partir do que acontece com o dólar.

Não obstante ainda que a febre do dólar parece explodir esse ano, a cidadania se preocupa pela saúde da moeda do Norte há bastante tempo.

Mariana Lazzi – Tal qual, o passado também formava das agendas midiáticas; o assunto é que não aparecia de maneira contínua. Entre o final de 1950 e início de 1960, ou bem, entre 1975 e 1980, constituíram dois períodos em que a temática teve uma cobertura considerável pela parte da imprensa. Sua emergência depende dos contextos e o presente (com corridas cambiárias, diminuição de reservas e desvalorizações constantes) é muito favorável para que nos preocupemos.

Ariel Wilkis – Com a popularização do dólar na Argentina, no início dos anos sessenta, não somente a imprensa, mas também a publicidade começa a se referir à moeda e instala sua presença nos meios de comunicação massivo. A partir daí, a temática interpela não somente aos homens de negócios, mas também a todos aqueles leitores que começam a observar como funciona o mercado e recebem um discurso pedagógico. Assim, os jornalistas especializados e os economistas explicam ao público em que consiste cada conceito.

De modo que o assunto do dólar já constitui um problema de 1960.

Ariel Wilkis – Sim, claro, naquela época os diferentes atores econômicos já haviam instalado a necessidade de cortes e o jogo da especulação vinculada à moeda estrangeira. O dólar constitui um problema crônico aos olhos de nosso país há mais de 50 anos. Ainda que se trata de um mercado pequeno – já que não possuem o volume suficiente como para despertar tanta importância – ninguém poderia negar que é muito relevante.

É possível deixar de pensar nos dólares? Como quebrar o consenso e a legitimidade desses papeis estrangeiros que valem e significam tanto?

Mariana Lazzi – A pergunta, talvez, não seja tanto se é possível nos desprender da moeda dos Estados Unidos, mas sim mais bem compreender como tornar em um objeto fundamental para pensar as práticas sociais, econômicas e políticas. Nossa investigação sobre o dólar na Argentina implica uma análise estendida, pois se bem sua presença não teve sempre a mesma magnitude, sua cronicidade é um elemento a destacar. Desse modo, se a temática do dólar não é nova, talvez, os problemas econômicos do nosso país não se vinculam de modo direto com os dólares, mas sim com uma redistribuição mais equitativa das entradas.

Ariel Wilkis – Se tende a pensar que quando os indivíduos consigam criar um instrumento financeiro que as brinde melhores rendimentos que a moeda dos Estados Unidos se conseguirá “desdolarizar” as mentes dos argentinos. Não obstante, desde minha perspectiva, essa hipótese é errônea na medida em que os sujeitos não são seres racionais nem maximizadores de ganhos senão que estabelecem uma relação política com o dólar. De fato, se os cidadãos não abandonam o dólar é porque os permitiu uma aprendizagem de autonomia e escape respeito às suas relações com o Estado. Por esse motivo, nosso país conforma uma cultura dolarizada.

Em definitivo, sua importância se radica não só no que se permite investir.

Mariana Lazzi – Com certeza, justamente essa é a nossa hipótese. Se só servisse a tais efeitos seria facilmente substituível pelo primeiro bônus que funcione e dê confiança ao povo. O assunto é que o dólar cumpre um monte de funções, mais além da tradicional e transparente de operar como meio de intercâmbio.

Ariel Wilkis – Nessa linha, a presença do dólar não pode ser – somente – lida a partir de variáveis macroeconômicas, mas sim que existe um processo específico de aprendizagens sedimentadas que, em definitivo, termina por explicar como uma moeda externa e um país se expande da maneira em que o faz.

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