'Novos ultramontanos': Por que alguns católicos temem mudanças?

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14 Agosto 2018

"Assim como a biografia de qualquer teólogo nos ajuda a entender quem ele é e por que pensa o que pensa, a proeminência dos novos católicos nos movimentos ultramontanos, tanto antes como agora, levanta a questão sobre o que em relação à Igreja Católica - ou sobre uma particular compreensão da Igreja Católica - os atraiu e está na base de sua visão de mundo", escreve Brian Flanagan, professor associado de teologia na Marymount University em Arlington, Virgínia, autor de Stumbling in Holiness: Sin and Sanctity in the Church (Tropeçando na Santidade: Pecado e Santidade na Igreja, em tradução livre), que será publicado em setembro pela Liturgical Press, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 13-08-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Eis o artigo.

"Quando o papa pensa, é Deus quem está pensando através dele."
Louis Veuillot

"Eu gostaria de uma nova Bula Papal todos os dias com meu Times no café da manhã."
William George Ward

Essas duas citações podem parecer chocantes hoje e foram, de fato, chocantes para muitos em seu próprio tempo; elas vêm de dois jornalistas do século 19, Louis Veuillot e William George Ward. Veuillot, Ward e outros estavam na vanguarda de um movimento teológico, cultural e político dentro da Igreja Católica Romana chamado "ultramontanismo" - "para-além-da-montanha".

O ultramontanismo olhava sobre os Alpes que separavam a Alemanha, a França, a Irlanda e a Inglaterra do papa em Roma, promovendo a ele e a uma teologia particular do papado como um baluarte contra o racionalismo iluminista e as forças de mudança no século XIX.

O movimento ultramontanista foi diversificado, descentralizado, juvenil - e bem-sucedido, incentivado pelo primeiro papa-celebridade, o papa Pio IX, e culminando nas definições de infalibilidade e primazia papal do Concílio Vaticano I.

É razoável afirmar que o movimento ultramontano tenha feito o papado moderno que conhecemos hoje.

A maioria dos católicos pode reconhecer o papa imediatamente; o papa nomeia bispos para todas as dioceses do mundo; as encíclicas papais e outros documentos são publicados com frequência e amplamente lidos; e sete dos dez papas desde Pio IX foram canonizados, beatificados ou postos no caminho da canonização - fazendo Pio X, João XXIII, João Paulo II e Paulo VI, os mais recentes santos desde que Pio V foi canonizado em 1712.

Ao ler recentemente Vaticano I: O Concílio e a Construção da Igreja Ultramontana, o mais novo livro do historiador jesuíta padre John O'Malley sobre o Vaticano I, incluindo sua pesquisa sobre o movimento ultramontanista na Europa do século XIX, os paralelos entre esses pensadores e autores ultramontanos e os que eu chamaria de "novos ultramontanos" de hoje foram impressionantes.

Quem são os novos ultramontanoss? Como no século XIX, o movimento é diverso, difícil de categorizar e suscetível a exagero ou estereótipo. Mas, na família de pensadores, dos intelectuais públicos católicos conservadores como Ross Douthat e Matthew Schmitz, até as tiradas mais bombásticas de "rad-trads" (tradicionalistas radicais) e outras em Twitters católicos, pode-se ver alguns paralelos fascinantes entre o século XIX e o nosso.

Primeiro, em ambos os períodos foram os jornalistas que promoveram essas visões com o máximo de energia e eficácia, mais do que teólogos acadêmicos ou mesmo, a princípio, a maioria dos padres ou bispos. Veuillot usou seu jornal L'Univers e William George Ward, o Dublin Review; Veuillot estava, no mínimo regularmente em conflito com o arcebispo de Paris. Junto com eles, a La Civiltà Cattolica, agora conhecido por seu centrismo, foi inicialmente estabelecido pelos jesuítas como um porta-voz ultramontano.

Os ultramontanos de hoje disseminam similarmente suas ideias não através do púlpito ou da academia, mas principalmente através do First Things, do The New York Times, da blogosfera católica e do Twitter. Eles têm um alcance muito mais amplo do que a maioria da teologia acadêmica jamais terá, e ainda assim muitos teólogos criticariam a falta de educação teológica que às vezes os leva a entendimentos simplistas, subdesenvolvidos ou simplesmente errados da eclesiologia ou da história da igreja.

Para muitas vozes no Twitter, sua experiência da Igreja Católica durante o longo pontificado de João Paulo II é como a Igreja sempre foi, e como a Igreja sempre será. E, como a polêmica de L'Univers e a encarnação anterior da La Civiltà Cattolica, críticas duras, e até mesmo violência, dirigida a instituições e indivíduos, revela uma profunda falta de caridade cristã "a serviço da verdade".

Igualmente semelhante é a proeminência dos convertidos ao catolicismo romano em ambos os tempos e lugares. Alguns convertidos, como Ward e Henry Manning (mais tarde cardeal Manning), vieram para a Igreja Católica Romana do Movimento de Oxford na Igreja da Inglaterra; outros, como Veuillot, poderiam ser descritos como convertidos de um batismo infantil puramente formal à vida ativa na Igreja Católica.

Da mesma forma, a proeminência de convertidos como Ross Douthat e o falecido padre Richard John Neuhaus entre os intelectuais conservadores católicos constitui um paralelo interessante. Deve-se ter cuidado onde se pisa por aqui - eu nunca presumiria julgar a sinceridade da crença de um colega católico. Especialmente através do ministério passado com o Rito de Iniciação Cristã para Adultos, sempre me alegrei com novos católicos, não apenas porque eles estão se tornando católicos, mas principalmente porque é quase sempre um momento abençoado de um crescimento mais profundo em seu relacionamento com Deus.

Mas assim como a biografia de qualquer teólogo nos ajuda a entender quem ele é e por que pensa o que pensa, a proeminência dos novos católicos nos movimentos ultramontanos, tanto antes como agora, levanta para mim a questão sobre o que em relação à Igreja Católica - ou sobre uma particular compreensão da Igreja Católica - os atraiu e está na base de sua visão de mundo.

Muitas vozes no Twitter, como a de Veuillot, são "convertidas" de um catolicismo nominal ou indiferente de sua juventude a um catolicismo sonoro e musculoso que, indo além do entusiasmo até ataques abusivos ou comandos para "se arrepender e se submeter ao papa", infelizmente espelha algumas das piores masculinidades tóxicas e falta de caridade de outras áreas da mídia social.

E isso me leva a um terceiro paralelo, onde parece que o rótulo "ultramontano" é incompatível. Aqueles a quem denominei "novos ultramontanos" não são particularmente fãs do papa Francisco.

Em obras intelectualmente sofisticadas, como editoriais no First Things ou no livro de Douthat To Change the Church: Pope Francis and the Future of Catholicism” (Mudar a Igreja: o papa Francisco e o Futuro do Catolicismo, em tradução livre), ou em diatribes muito menos informadas dirigidas a Francisco, cardeais ou bispos como aqueles propagados regularmente por sites como LifeSiteNews e Church Militant, as ações e o ensinamento de Francisco são recebidos com desconforto, discordância e, por vezes, dissidência ativa. O anúncio de 02 de agosto da modificação do Catecismo da Igreja Católica para declarar a pena de morte "inadmissível" aumentou ainda mais o ruído antifrancisco, especialmente entre os católicos norte-americanos, cujo apoio político à pena de morte parece cada vez mais contraditório para o ensinamento autoritário.

Então, como isso pode ser descrito como ultramontanismo? Ultramontanismo antipapa não é uma contradição de termos?

O elo perdido que conecta os dois movimentos não é apoio a um papado em particular, mas oposição à mudança. Lendo o livro de O'Malley e relendo algumas das fontes primárias, com uma mão, enquanto mantive o Twitter aberto no meu computador na outra, sublinhei mais claramente para mim que, tanto no século XIX como hoje, a possibilidade de mudança na Igreja é o monstro escondido debaixo da cama, ou do banco da Igreja, para muitos desses pensadores.

Que a Igreja mude - o "pequeno segredo sujo" como Garry Wills o nomeou nos anos 70 e como o padre jesuíta Mark Massa retomou em seu estudo do catolicismo nos anos 1960 - seria uma contradição de termos tanto para Veuillot quanto para seus equivalentes contemporâneos. Isso pode explicar alguns dos paralelos.

Qualquer teólogo ou historiador da Igreja sabe o quão frequente e radicalmente a Igreja mudou no passado, conhecimento sobre o qual algumas leituras adicionais em teologia poderiam trazer benefício ao rad-trad médio no Facebook.

A obra magistral de John Noonan A Church That Can and Cannot Change: The Development of Catholic Moral Teaching” (Uma Igreja que pode e não pode mudar: O Desenvolvimento do Ensino Moral Católico, em tradução livre) é o tratamento mais minucioso de como, em relação à escravidão, usura e casamento, o ensino sobre a moral mudou, às vezes radicalmente, no passado. E, para aqueles convertidos ao catolicismo a quem o conservadorismo e estabilidade da época de João Paulo II e Bento XVI foi o refúgio para o qual eles fugiram das revoltas e relativismo dos últimos quarenta anos, esta nova experiência de desenvolvimento, embora pequena ou gradual nos amplos horizontes da história da Igreja, será um teste profundo de fé.

Mas se estou certo e o verdadeiro coração do ultramontanismo, novo e velho, não é simplesmente o papado, mas como entender a realidade histórica da Igreja, então estamos em uma difícil jornada.

Aqueles de nós que podem ter pensado que a questão da natureza histórica da Igreja foi estabelecida no Concílio Vaticano II devem ser alertados por nossa complacência em falar e ensinar sobre o fenômeno da mudança eclesiástica. E devemos lembrar que foram Veuillot e Ward que saíram vitoriosos através do uso habilidoso da mídia, não o arcebispo de Paris ou as elites teológicas que discutiram com eles em revistas teológicas.

O populismo juvenil do ultramontanismo anterior nos adverte contra o fato de não dar atenção para movimentos semelhantes hoje, particularmente em relação ao mundo de agitação e incerteza que ameaça muitos jovens católicos educados, endividados e economicamente vulneráveis.

E, no entanto, como John Henry Newman celebremente escreveu: "Viver é mudar e ser perfeito é ter mudado com frequência". Continuar a compartilhar as boas novas da vida da Igreja, uma vida que envolve mudanças, é uma tarefa adicional para os teólogos e líderes neste momento de nossa história.

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