Os presentes do papa a Lula: polêmicas e (falsas) negações. Nada de novo na história do papado

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04 Agosto 2018

Com a mediação do prêmio Nobel da Paz de 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, e do dirigente social de Buenos Aires Juan Grabois, o Papa Francisco enviou em maio um presente ao presidente do Brasil “Lula” da Silva na prisão à espera de um discutido processo por suposta corrupção.

A nota é de Luis Badilla, publicada por Il Sismografo, 03-08-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O presente foi levado por Grabois e consistia em um terço, um pequeno santinho com um pensamento religioso e uma mensagem verbal, isto é, uma bênção do pontífice com um pedido de orações.

Logo estourou a polêmica e, sem fundamento, sem provas e sem sequer perguntar em Santa Marta, se chegou a divulgar de modo insistente inúmeras “desmentidas” e depois, ainda, novas desmentidas revistas e corrigidas, como fez o portal Vatican News, que se ocupou da questão por nada menos do que duas vezes em língua portuguesa, amplificando desmentidas falsas.

Agora sabemos que o presente era verdadeiro ou, melhor, muito verdadeiro. O Santo Padre lembrou isso nessa quinta-feira, 2, na audiência concedida a três políticos latino-americanos: Celso Amorim, que foi por oito anos ministro das Relações Exteriores do presidente Lula; Alberto Fernández, ex-ministro secretário do Conselho de Ministros da Argentina durante o governo de Néstor Kirchner e depois, por 18 meses, também do governo da viúva Cristina; e Carlos Ominami, ex-ministro da Economia e do Desenvolvimento do Chile, hoje senador.


Papa Francisco e o ex-ministro das Relações Exteriores do governo Lula, Celso Amorim

O papa, nessa quinta-feira, quis enviar novamente uma mensagem ao ex-governante e, na primeira página do livro sobre Lula recentemente traduzido para o italiano (La verità vincerà. Il popolo sa perché sono stato condannato [A verdade vencerá. O povo sabe por que fui condenado], Ed. Meltemi, 2018), escreveu: “A Luiz Inácio Lula Da Silva con mi bendición y pidiéndole que rece por mi. Francisco”.

De maio de 2018 a setembro de 1863

Durante a Guerra de Secessão ou Civil entre “nortistas” e “sulistas” nos Estados Unidos o Papa Pio IX escreveu uma carta aos bispos de Nova York e de Nova Orleans para pedir neutralidade e disponibilidade para ajudar todos, sem distinção.

O primeiro e único presidente dos “confederados” (sulistas), Jefferson Davis, em 19 de setembro de 1863, escreveu uma carta ao papa para lhe agradecer. Em 3 de dezembro de 1863, Pio IX respondeu à carta com este título: “Ao ilustre e honorável Jefferson Davis, presidente dos Estados Confederados da América”. Além disso, também enviou a Davis uma imagem sua com um versículo do Evangelho e uma coroa de espinhos em miniatura feita pelo próprio papa.

Logo estourou uma violenta polêmica para acusar o papa, apesar dos esclarecimentos do cardeal secretário de Estado, Giacomo Antonelli, de apoiar a causa “dos sulistas escravocratas e secessionistas”.

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