A onda pentecostal e o penhasco católico

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28 Julho 2018

Na edição de julho da revista geopolítica Limes, um artigo de Paolo Naso aborda a “estratégia do diálogo” inaugurado pelo Papa Francisco em relação ao mundo pentecostal.

A nota é da agência Notizie Evangeliche (NEV), 25-07-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Intitula-se “A onda pentecostal e o penhasco católico” o artigo do cientista político Paolo Naso publicado na edição de julho da revista de geopolítica Limes, dedicada ao tema “Francisco e o estado da Igreja”.

O artigo de Naso está inserido na segunda seção do volume, dedicada aos “desafiantes” da Igreja Católica. E, certamente, o movimento pentecostal pode muito bem ser considerado um concorrente aguerrido, em constante e consistente ascensão na África, mas especialmente na América Latina, o continente do papa que veio do “fim do mundo”.

Naso mostra como o “penhasco católico” tem se relacionado com a “onda pentecostal”: primeiro com uma aberta hostilidade (recíproca), que foi se mitigando no tempo do pontificado de Bento XVI “em homenagem à convergência comum em temas éticos: não ao aborto, à homossexualidade e às famílias gays”.

Bergoglio, por outro lado, introduziu “uma estratégia do diálogo” baseada nas relações de fraternidade. Segundo alguns, seria uma “teologia da amizade” que “gera consenso a um preço muito baixo”. Segundo outros, seria “a enésima rendição de um papa orientado demais ao ecumenismo”.

Naso tende para uma terceira análise que vê o diálogo empreendido pelo Papa Francisco como “o fruto de uma experiência e de um raciocínio sobre as perspectivas da cristandade que, projetando-se para o Sul global, acaba interceptando o pentecostalismo em toda a sua relevância quantitativa e qualitativa”.

O artigo recorda as frequentes visitas do então arcebispo de Buenos Aires com o mundo pentecostal argentino; o encontro na Itália, em Caserta, com o pastor Giovanni Traettino, da Igreja da Reconciliação; o pedido de perdão pelos católicos que, fortalecendo-se com a circular de Bufarrini Guidi de 1935 – aquela que definia o culto pentecostal como “nocivo à integridade física e psíquica da raça” –, perseguiram os pentecostais na Itália.

Em conclusão, segundo Naso, “a estratégia de Francisco não é incidental ou instrumentalmente dialógica. Provindo dos ‘confins do mundo’, onde o pentecostalismo cresce mais rapidamente, o papa argentino sabe muito bem que o seu crescimento também soa como crítica às formas tradicionais do catolicismo e como busca de uma espiritualidade para a qual as Igrejas estabelecidas não parecem saber responder”.

Em relação ao movimento pentecostal, é preciso assinalar que a última edição da International Review of Mission, a revista do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), é dedicada à “Teologia pentecostal da missão”, com artigos em inglês, em grande parte assinados por expoentes do mundo pentecostal internacional. Mais informações, aqui.

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