Nova tradução da Bíblia revisita a complexa simbologia do Apocalipse

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24 Julho 2018

Volume integra projeto de Frederico Lourenço de traduzir do grego a totalidade das Escrituras.

A reportagem é de Reinaldo José Lopes, publicada por Folha de S. Paulo, 22-07-2018.

Não foi por acaso que as trombetas celestiais e batalhas cósmicas do livro do Apocalipse inspiraram tantos visionários nos últimos 2.000 anos. A complexa simbologia do último texto da Bíblia tem um valor literário que pode ser apreciado até por quem não apresenta nenhum pendor religioso, diz o helenista português Frederico Lourenço, da Universidade de Coimbra.


Quadro 'The End of the World', de John Martin, 1851–1853Tela ‘O Fim do Mundo’ (1851-53), do pintor romântico inglês John Martin, mostra a destruição da Babilônia e do mundo por um desastre natural

"É um livro tão estranho quanto fascinante, que não atingiu facilmente o estatuto canônico [ou seja, como parte da Bíblia 'oficial'] que mais tarde lhe foi reconhecido", afirma. "Foi um texto que me deu especial gosto traduzir."

Apóstolos, Epístolas, Apocalipse - Novo Testamento, vol. 2
Vários autores.

Apres. e trad.: Frederico Lourenço. R$ 74,90 (616 págs.)

(Foto: Portal da Literatura)

O Apocalipse é um dos destaques do segundo volume de traduções bíblicas feitas por Lourenço, lançado no Brasil. O primeiro volume continha só os quatro Evangelhos, narrativas sobre a vida, morte e ressurreição de Jesus, enquanto a segunda parte traz ainda o livro dos Atos dos Apóstolos e as epístolas atribuídas a Paulo e a outros líderes da primeira geração cristã, encerrando o Novo Testamento. Os livros são parte do projeto de verter a totalidade das Escrituras do grego para o português.

No caso do Novo Testamento, trata-se da única opção possível, é claro, já que todos os autores cristãos escreviam em grego, língua franca da porção oriental do Império Romano na época. Mas o objetivo de Lourenço é, além disso, apresentar aos leitores uma tradução do Antigo Testamento judaico em língua helênica, a chamada Septuaginta.

Essa era a versão das Escrituras usada pelos milhões de judeus que viviam fora da Palestina na época de Cristo, e seu impacto cultural foi tremendo, facilitando tanto a interação do judaísmo com a filosofia grega quanto as atividades missionárias cristãs, que começaram basicamente como a iniciativa de uma seita judaica para trazer os "gentios" (pagãos ou não judeus) à fé em Jesus como Messias.

Traduzir as partes da Bíblia do grego ajuda a ressaltar essa encruzilhada cultural nas origens do cristianismo, destaca o especialista, além de revelar diferenças textuais e teológicas intrigantes entre o texto hebraico original e a versão grega. Ainda no caso do Apocalipse, leitores da época certamente enxergariam conexões entre visões místicas do livro e elementos literários similares do texto do profeta Ezequiel, da época do exílio judaico na Babilônia (séc. 6º a.C.).

Esse processo também fica claro nas epístolas que levam o nome de Paulo, considerado o pioneiro do esforço evangelizador cristão em vastas áreas Mediterrâneo afora. "O Paulo histórico me parece ter sido um judeu de língua grega com uma interiorização forte do Velho Testamento em grego", aponta Lourenço.

O impacto paulino foi tamanho que, segundo a maioria dos estudiosos, herdeiros teológicos não resistiram à tentação de escrever cartas e atribuí-las a Paulo. Das 13 epístolas que levam seu nome, sete seriam autênticas (inferência baseada em grandes diferenças de estilo e de pensamento).

"Também dentro de cada epístola se levantam dúvidas quanto à sua organicidade: mais do que uma carta, se não mesmo todas, resulta de cortes e de colagens feitos em época posterior", explica o tradutor português.

Um processo parecido parece ter marcado a composição do livro dos Atos dos Apóstolos, que começa no momento em que se descreve a ascensão do Jesus ressuscitado aos céus (um "gancho" do Evangelho de Lucas, escrito pelo mesmo autor) e narra os esforços missionários dos seguidores de Cristo, em especial os do onipresente Paulo. "Trata-se de um texto que recorre a outros textos. Isso se vê no nível dos discursos, que não têm homogeneidade estilística nem teológica, inclusive os atribuídos ao mesmo personagem, como Paulo."

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