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20 Julho 2018

"Encerrada sobre si mesma, isolada, a situação da Venezuela continua a engendrar uma série de dúvidas, de incertas e de interrogações", escreve Alfredo J. Gonçalves, padre carlista, assessor das Pastorais Sociais.

Eis o artigo. 

Como é vista a Venezuela aos olhos do mundo e, de forma particular, aos olhos da Europa? O que vem acontecendo com o governo do presidente Nicolás Maduro, com as forças de oposição e com o funcionamento do sistema de três poderes? Qual o futuro do processo democrático no país? Este, de resto, segue sendo uma verdadeira democracia? Do ponto de vista econômico, como vão as exportações de sua maior riqueza natural, o petróleo, e, ao mesmo tempo, o abastecimento regular da população em relação aos bens basicamente necessários? Quantos são os emigrados venezuelanos que vivem atualmente nos Estados Unidos, no Panamá, na Colômbia, no Brasil, na Argentina e no Chile – para limitar-nos a alguns países?

Perguntas cujas respostas pouco mais podem oferecer do que hipóteses. Difícil obter dados confiáveis, em parte devido à situação da imprensa e em parte devido à propaganda oficial. Encerrada sobre si mesma, isolada, a situação da Venezuela continua a engendrar uma série de dúvidas, de incertas e de interrogações. Claro, quando os opositores, de um lado, e os meios de comunicação, de outro, são impedidos de exercer seu papel, a transparência real e lúcida torna-se comprometida. E sem transparência, predominam os fantasmas. De qualquer forma, vale a pena citar a opinião de um analista político italiano.

“Nos últimos meses, olhando para a América Latina, a atenção dos analistas e dos mass media concentrou-se sobre a crise política e sobre a catástrofe econômica da Venezuela, e com razão. Eis um país onde o governo, que no passado venceu democraticamente as eleições, não hesitou em tirar do parlamento qualquer poder em reação à vitória das oposições, encheu a magistratura de políticos aliados ao regime e fez silenciar quase todos os meios de comunicação independentes. Os grupos de oposição podem exercer pressão sobre o governo somente saindo às ruas. A violência política fez centenas de vítimas. Uma economia fortemente dependente das exportações de petróleo, hoje cada vez mais incertas, marcada por expedientes e aventuras improvisados no curso de muitos anos, causou penúria dos bens de primeira necessidade, entre os quais alimento e água. Milhares de refugiados escaparam para os países limítrofes. Vozes de um golpe de Estado falido, em maio, que teria envolvido oficiais provenientes dos quatro ramos das forças armadas venezuelanas, não suscitaram qualquer surpresa” (Ian Arthur Bremmer, Site do Correiere della sera, 19/07/2018 – tradução minha).

Uma coisa, porém, não pode ser ocultada. Levando em conta o que dizem os agentes, funcionários e voluntários que, nos países vizinhos, trabalham no campo da mobilidade humana, é voz corrente que o número de venezuelanos acolhidos e assistidos tem subido progressivamente. Algumas Casas ou Centros de Orientação para migrantes atestam sua chegada crescente. Provas disso são, por exemplo, a cidade de Boa Vista, capital do estado de Roraima, Brasil, e a cidade de Cúcuta, Colômbia – ambas vizinhas aos confins do território venezuelano. Também é certo que esses venezuelanos que cruzam a fronteira – migrantes, refugiados ou prófugos? – não deixam de alertar para as condições de seu país. E os testemunhos falam da escassez de numerosos produtos, narram histórias interrompidas ou simplesmente ceifadas, apresentam sinais visíveis de carência prolongada e de longas caminhadas – efeitos de causas que podem ser difíceis de identificar com precisão a partir de fora, mas nem por isso inteiramente desconhecidas.

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