Pesquisadores encontram ligação entre tweets de Trump e pico de ódio anti-muçulmano

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20 Julho 2018

Pode ser uma lei da natureza: o presidente Trump publica no Twitter algo sobre o Islã; um crime anti-muçulmano acontece em seguida, de acordo com um artigo dos pesquisadores Karsten Müller e Carlo Schwarz da Universidade de Warwick.

A reportagem é de Emily McFarlan Miller, publicada por Religion News Service, 18-07-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Suas conclusões correspondem com relatos coletados por grupos de direitos civis muçulmanos.

"Seja num tuíte ou numa política que (Trump) introduz, ou se é uma política que alguém em sua administração está introduzindo, acho que tudo vem ao mesmo para criar este tipo de ambiente onde o foco negativo sobre os muçulmanos é aceitável ou se tornou aceitável", disse Madihha Ahussain, conselheira especial sobre fanatismo anti-muçulmano da Muslim Advocates.

Müller e Schwarz examinaram dados publicamente acessíveis, tais como o número semanal de crimes de ódio anti-muçulmano registrados pelo FBI para elaborarem o artigo "Making America Hate Again? Twitter and Hate Crime Under Trump" (Fazendo a América Odiar Novamente? Twitter e Crimes de Ódio Sob o Governo Trump, em português).

Os dados mostraram aumento de crimes de ódio contra muçulmanos desde o início da campanha presidencial de Trump concentrados em lugares com alto uso do Twitter. Eles também mostraram uma correlação entre o número de tuítes de Trump numa determinada semana, usando palavras-chave relacionadas ao Islã, e o número de crimes de ódio contra muçulmanos que seguiram.

Os pesquisadores estavam interessados sobre se o que acontece on-line motiva ação off-line. As pessoas parecem concordar com o perigo da retórica de ódio em mídias sociais, disse Schwarz, por isso "estamos surpresos que ninguém jamais pesquisou sobre isso.”

Mas Trump não deve levar toda a culpa, acrescentou Schwarz.

"Para nós, não são somente os tuítes de Donald Trump que estão causando esse efeito todo", disse ele. "Seus tuítes são amplamente compartilhados, os noticiários o repercutem e um monte de pessoas está exposto a este tipo de retórica. Isto circula através de mídias sociais e, sobretudo, no Twitter."

A capacidade das mídias sociais para inundar os usuários em sentimentos negativos pode empurrar as pessoas "que já estavam no limite" a cometerem crimes de ódio, de acordo com o pesquisador.

E isso também está acontecendo fora dos Estados Unidos.

Müller e Schwarz, que são alemães, anteriormente escreveram um estudo observando postagens no Facebook do partido político de direita Alternative for Germany (AfD) e como eles podem estar associados com crimes contra refugiados na Alemanha.

O “efeito de mídia social" é o mesmo, disse Schwarz. "Isso mostra que o mecanismo que estamos pensando, o efeito que observamos, não se dá especificamente sobre um determinado país, tampouco sobre um determinado indivíduo em particular", disse ele.

"Até agora parece que esse efeito polarizador das mídias sociais pode acontecer independente do país ou de grupos minoritários."

O BuzzFeed News também analisou recentemente a maneira que muitos "relatórios sensacionalistas, enganosos ou completamente falsos sobre as comunidades muçulmanas" circulam on-line entre a Europa e América do Norte.

Apesar de suas pesquisas, Schwarz disse que ele e seu colega estão boquiabertos com as possibilidades de solução. Deixar a determinação do que é aceitável para empresas privadas como o Facebook é preocupante. Também são preocupantes as leis como na Alemanha, que cobram as redes em até US $ 60 milhões para cada postagem considerada discurso de ódio que se recusarem a remover.

Desativar a Internet pode ajudar, brincou ele, mas não é realista.

A Muslim Advocates publicou um relatório em 2014 intitulado “Click Here to End Hate” (Clique aqui para Acabar com o Ódio, em português), que procurava maneiras de combater a intolerância anti-muçulmana on-line. Enquanto os autores escreviam o relatório, disse Ahussain, a organização sabia que ele rapidamente se tornaria desatualizado pela evolução da utilização das plataformas de mídia social.

Mas, disse ela, esperavam também incentivar pessoas a denunciarem conteúdos que considerassem violação dos termos de serviço das plataformas, e, ao exigir maior responsabilidade, demonstrar por que isso é relevante.

"Não é apenas sobre o presidente", disse Ahussain. "Não sabemos se o presidente será suspenso de qualquer uma destas plataformas, mas a conversa deve ser sobre como monitorar e responsabilizar as pessoas que estão compartilhando este tipo de ódio e fanatismo, e que incentivam a violência na plataforma."

Depois de comunicar a empresa Twitter sobre o uso da plataforma por parte do grupo de extrema-direita da Grâ BretanhaBritain First’, disse ela, a Muslim Advocates foi notificada que a mídia social havia suspendido as contas dos líderes Paul Golding e Jayda Fransen. Trump vergonhosamente tinha retuitado vídeos anti-muçulmanos postados por Fransen.

Em maio, o Facebook também concordou em participar de uma auditoria de direitos civis que a Muslim Advocates requereu, disse Ahussain.

"Eles estão sob muita pressão neste momento, e parece que quando aumenta a pressão, ficam mais propensos a tentar inventar estratégias que serão sensíveis a essas preocupações", disse ela, "mas acho que temos um longo caminho a percorrer".

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