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05 Julho 2018

 

Ele fez o anúncio antes das eleições de 1º de julho. E o ratificou já como virtual presidente. Andrés Manuel López Obrador confia no poder moral do Papa. Por isso, quer contar com ele, juntamente com outros líderes religiosos e sociais, em um plano que trará para o México a paz que tanto deseja. Após reunir-se com o presidente, Enrique Peña Nieto, em fim de mandato, o novo presidente assegurou que a convocação vai acontecer e incluirá líderes civis e expoentes das Nações Unidas. Ainda não se sabe como e em quê.

A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez, publicada por Vatican Insider, 04-07-2018. A tradução é de André Langer.

“Hoje vamos falar sobre a convocação de líderes religiosos do mundo e do México, de dirigentes de organizações sociais e defensores dos direitos humanos, além do convite da ONU. Vamos convidar o Papa Francisco”, assegurou o líder do Movimento de Regeneração Nacional (Morena) na terça-feira, 3 de julho, após seu primeiro encontro com Peña Nieto, no Palácio Nacional da Cidade do México.

A Santa Sé, no entanto, ainda não se manifestou sobre a iniciativa. Mas alguns gestos das últimas horas pairam no ar. “López Obrador é um bom candidato”, comentou informalmente o Papa a uma pessoa da sua mais alta confiança, poucas horas antes da eleição. Portanto, não há preconceito contra a pessoa do novo presidente, embora nenhum relacionamento próximo tenha sido forjado no passado recente.

Nesse sentido, há apenas um precedente: um encontro pessoal entre “el Peje” e Jorge Mario Bergoglio. Aconteceu no dia 14 de outubro de 2015. Naquele dia, o líder do Morena participou da audiência pública semanal de Francisco na Praça São Pedro, no Vaticano. No final, ambos trocaram saudações. López Obrador estava entre os fiéis que se encontram na primeira fila, na área conhecida como “corralito”. Ele deu de presente uma medalha de Frei Bartolomé de las Casas e uma carta em que transmitiu seu “mais sincero reconhecimento, não apenas como representante da Igreja católica, mas como Papa missionário, um verdadeiro cristão”.

 

(Encontro de AMLO e Papa Francisco, em 2015. Foto: Reprodução Facebook)

 

Trata-se de um texto singular, porque manifesta os pensamentos concretos do novo presidente sobre o Bispo de Roma. E isso continua válido. Nele, o autor expressa sua “profunda admiração” à pessoa e à liderança do Papa. Assegura que sua mensagem espiritual pode ajudar a “não perder a fé na justiça” e a manter a “chama da esperança” acesa no México.

“Da nossa parte, dissemos a ele que continuamos trabalhando para alcançar uma transformação que nos permita eliminar a corrupção política, que tem sido a principal causa da desigualdade, da pobreza e da violência que sofremos no México. Estamos impulsionando esta mudança de regime pela via pacífica e eleitoral, convencendo inclusive os poderosos a não virar as costas para o sofrimento, confiados na premissa de que somente sendo bons podemos ser felizes, e que pelo bem de todos, primeiro os pobres”, acrescenta.

Sendo assim, a relação entre o Papa e López Obrador permanece, por enquanto, como um quebra-cabeça a ser montado. Neste contexto, é sugestivo que o jornal do Vaticano, L'Osservatore Romano, tenha reservado à notícia da eleição do novo presidente mexicano um espaço nobre em sua edição vespertina em italiano da segunda-feira, 2 de julho. Na capa, ao lado da nota principal, o diretor Gian Maria Vian decidiu colocar uma foto icônica do presidente eleito comemorando a vitória debaixo de uma chuva de papéis. E depois, no texto, falou de “clara afirmação do candidato de esquerda”, que “era o grande favorito”. Destacou, além disso, que “os outros candidatos aceitaram a derrota”.

Sinais sugestivos, levando em conta que durante a campanha eleitoral chegaram a circular vídeos em que se afirmava que o Papa respondia com mensagens hostis a López Obrador. Na realidade, tratava-se de clipes editados e retirados do contexto, uma vez que Francisco nunca se referiu a nenhum candidato ou plataforma política. A este, se seguiram outros episódios duvidosos, como o aparecimento de propaganda atribuída ao Morena na qual se afirma que a Igreja católica “faz parte da máfia do poder” e é acusada de manipular pelo “fanatismo”. Uma mensagem impressa ao lado da imagem da Virgem de Guadalupe riscada. Panfleto denunciado como falso e parte de uma “campanha suja”.

Se o tom da relação entre o novo governo e a Santa Sé passará em grande parte pelo vínculo que se possa construir entre o pontífice e o presidente eleito, que tomará posse no dia 1º de dezembro, outro importante termômetro será a relação institucional com a Conferência do Episcopado Mexicano.

Poucas horas depois do dia das eleições, seu presidente e cardeal de Guadalajara, José Francisco Robles Ortega, assinou uma nota em que proporcionou algumas chaves de leitura. Entre outras coisas, constatou que o dia foi, em geral, “ordeiro e sereno”. Além disso, enalteceu o “esforço democrático” que mostra “a dignidade e a liberdade de cada ser humano, chamado a participar da vida social”.

“Nosso reconhecimento às autoridades eleitorais, bem como a todos os cidadãos em geral. Governo e sociedade, trabalhando juntos, podem fazer grandes coisas. Saudamos e parabenizamos, com respeito e proximidade, o senhor Andrés Manuel López Obrador, que foi declarado vencedor pelos resultados preliminares do Instituto Nacional Eleitoral. Todos nós somos chamados a colaborar de forma positiva com as nossas autoridades eleitas”, indicou o comunicado.

E acrescentou: “Só poderemos criar melhores condições de desenvolvimento para todos, se nos envolvermos em primeira pessoa na melhoria de nossos municípios, entidades federativas e toda a República Mexicana. Nenhum governante por si só tem todas as ideias e todas as soluções. É responsabilidade nossa continuar participando de maneira cívica, sempre com respeito aos direitos humanos e ao verdadeiro bem comum”.

Também alertou que a educação e a luta contra a pobreza, a verdade e a liberdade, o respeito às diferenças e a busca de consensos são os caminhos para superar a desigualdade, o egoísmo e os abusos. Ao mesmo tempo, condenou os atos de violência provocados em algumas localidades do país, especialmente aqueles que atentaram contra a vida humana.

Convocou todos os crentes a se unirem em oração para agradecer e consolidar este momento cívico-político; e aos católicos, em especial, exortou a redobrarem seu compromisso para que o testemunho de sua dedicação e generosidade iluminem a vida social com o Evangelho da vida, da paz e da solidariedade.

“Continuaremos a implorar a proteção materna de Santa Maria de Guadalupe, que nos incita a construir um México reconciliado, justo e fraterno, capaz de reivindicar a dignidade dos mais pobres e excluídos, a vida dos não-nascidos, o bem de nossas famílias e a autêntica liberdade religiosa. A Virgem de Tepeyac é a Padroeira da nossa liberdade e lugar de acolhida para todos. Por sua intercessão a ajuda do céu nunca faltará”, concluiu.

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