Com novas nomeações, Francisco redesenha o poder Vaticano

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28 Junho 2018

O Papa Francisco nomeou Nunzio Galantino, secretário da Conferência Episcopal Italiana (CEI), como presidente da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA), no lugar do demissionário Domenico Calcagno, que deixa o cargo por motivos de idade.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada em La Repubblica, 27-06-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Uma escolha esperada, também depois das declarações do papa à Reuters há poucos dias, mediante as quais dissera que estava preocupado particularmente com o trabalho do dicastério que gerencia todos os imóveis vaticanos, no centro de importantes escândalos nos últimos anos: “Um problema que me preocupa muito – disse o papa – é que não há clareza nos imóveis. Existem tantos imóveis recebidos por doação ou aquisição. É preciso avançar com clareza. Isso depende da APSA”.

A nomeação de Galantino, nesse sentido, marca a vontade de Francisco de colocar um homem de sua confiança em um papel delicado da Cúria Romana. Até poucos anos atrás, como prelado, líder da pequena diocese de Cassano all’Jonio, o papa confia nele, sabe que pode ter mais liberdade na relação com ele do que com outros.

E, além disso, está ciente de que Galantino, mesmo não sendo especialista em finanças, tem o estômago para resistir aos ataques internos, às resistências à mudança ainda presentes na Cúria e para agir em seu nome para uma limpeza que ainda hoje precisa ser concluída.

Ao mesmo tempo, a nomeação marca o fim temporário do projeto liderado pelo cardeal australiano George Pell, chefe da Secretaria para a Economia e hoje na Austrália para se defender das acusações de ter acobertado no passado alguns casos de abusos sexuais de menores, de supervisionar toda a seção econômica da Santa Sé.

Entre a APSA e a Secretaria para a Economia, haviam ocorrido rixas importantes nos últimos meses, com demissões repentinas e afastamentos nada benévolos.

A APSA, em particular, havia apoiado a Secretaria de Estado vaticana e, assim, tivera a força de se opor ao impulso de Pell. A nomeação de Galantino, de fato, diz que Francisco, por enquanto, avaliou que a APSA deve ser administrada de maneira diferente, com um de seus homens de confiança que a governe a partir de dentro.

Galantino, até a nomeação do cardeal Gualtiero Bassetti para a presidência da CEI ocorrida há um ano, era o rosto de Bergoglio entre os bispos italianos. Sua política encontrara não poucas resistências na ala mais conservadora do episcopado. O cardeal Angelo Bagnasco, ex-presidente dos bispos, deixou-o agir sem se opor.

A chegada de Bassetti, de um lado, acalmou as críticas internas e, de outro, tornou Galantino menos central. Daí a ideia de levá-lo para outro lugar, em um papel de peso, de todos os modos, como é a presidência da APSA.

Bassetti, nessa terça-feira, 26, no entanto, elogiou o trabalho da Galantino entre os bispos: “O caminho compartilhado – disse – me fez tocar com a mão a inteligência e o zelo com que ele levou em frente iniciativas e atividades, gastando-se de modo convicto, em particular, para focar alguns critérios essenciais de rigor na concessão de contribuições com fundos provenientes do 8 por mil” [parte do imposto de renda italiano destinado às instituições religiosas].

Outras nomeações de peso são esperadas para as próximas horas. Em breve, deverá ser nomeado o novo substituto para o lugar de Angelo Becciu, promovido para liderar as Causas dos Santos. Fala-se de um nome estrangeiro, mas tudo ainda é possível.

Depois, faltam o prefeito do dicastério da Comunicação (o Pe. Dario Edoardo Viganò foi forçado a renunciar depois do caso da publicação parcial da carta do Papa Emérito Joseph Ratzinger) e também o próprio chefe da Secretaria para a Economia, dada a ausência de Pell.

Também é possível uma substituição no IOR, o banco vaticano que, em todos os casos, conseguiu, nos últimos anos, alinhar-se com as regras internacionais.

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