Trump separa famílias de brasileiros que há anos estão nos EUA

Revista ihu on-line

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Hans Jonas. 40 anos de O princípio responsabilidade

Edição: 540

Leia mais

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Hans Jonas. 40 anos de O princípio responsabilidade

Edição: 540

Leia mais

Mais Lidos

  • “O que acumulamos e desperdiçamos é o pão dos pobres”, afirma o papa Francisco em carta à FAO

    LER MAIS
  • Metade dos brasileiros vive com R$ 413 mensais

    LER MAIS
  • O Sínodo nos ajuda a entender que a solução não está no Direito Canônico, mas na profecia

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

25 Junho 2018

Casados há 22 anos, Marcelo e Meire se viram pela última vez em 21 de outubro e não têm ideia de quando voltarão a se encontrar. Presa pela imigração americana, ela foi deportada 40 dias mais tarde e não pode retornar aos EUA de maneira legal. Sem documentos, ele não tem como sair, a menos que seja para sempre. As filhas do casal também foram separadas. A mais velha ficou com o pai, enquanto a mais nova se juntou à mãe em Minas Gerais.

A reportagem é de Cláudia Trevisan, publicada por O Estado de S. Paulo, 24-0-2018.

O aumento da deportação de pessoas sem antecedentes criminais durante o governo Donald Trump levou à multiplicação de casos como o de Marcelo e Meire, em que famílias estabelecidas nos EUA há anos são estilhaçadas da noite para o dia. Os dois viviam em Framingham, Massachusetts, desde o início dos anos 2000. Ele está há 18 anos na cidade que reúne uma das maiores comunidades de brasileiros nos EUA. Ela chegou depois, com a filha mais velha do casal, que hoje tem 21 anos. A mais nova, de 11, nasceu em Framingham e é cidadã americana.

Meire chorou durante quase toda a entrevista concedida por telefone de Conselheiro Lafaiete, onde vive com dois irmãos e trabalha na loja de autopeças de um deles. “No ano passado, meu advogado me chamou e disse ‘esse presidente que entrou vai mandar todo mundo embora’”, lembrou.

A brasileira entrou duas vezes nos EUA de maneira ilegal: a primeira, em 2003, pelo México. A segunda, em 2011, pelas Bahamas, de barco. Nas duas, foi pega pela imigração e solta sob o compromisso de comparecer à audiência do processo de deportação.

Meire ignorou a primeira intimação por orientação do advogado na época. Foi condenada à revelia. Quando retornou aos EUA, um novo advogado sugeriu que ela procurasse as autoridades de imigração. De 2011 a 2017, ela se apresentava todos os anos e tinha sua permanência estendida. Isso mudou no dia 21 de outubro, quando ela foi direto para uma prisão em Boston. “O advogado disse que não podia fazer mais nada”, disse.

Marcelo já passou 18 de seus 41 anos de vida nos EUA e nunca voltou ao Brasil. “Finquei raízes aqui e é aqui que eu quero ficar.” À distância, o casal discute se Meire deveria se arriscar e entrar mais uma vez no país de maneira clandestina. “Eu tenho vontade de voltar, mas também tenho medo. Se for pega, eu não ficarei presa só por 40 dias”, afirmou ela. Segundo Marcelo, muitos brasileiros com família que foram deportados acabaram voltando pela fronteira com o México.

Após deportar um número recorde de pessoas, muitas com família, o ex-presidente Barack Obama mudou de política nos últimos anos de seu governo e ordenou que os agentes dessem prioridade a imigrantes com antecedentes criminais. Mas Trump determinou que todos os que estão no país de maneira irregular devem ser alvo das autoridades.

O Projeto de Defesa do Imigrante estima que 16 milhões de pessoas vivem nos EUA em famílias de status migratório “misto”, com pelo menos um membro não cidadão. Segundo a entidade, os que estão nessa situação vivem o constante temor de serem separados de pais, de filhos ou de irmãos por causa da política de Trump.

Marcelo e Meire estavam nos EUA de maneira irregular, mas têm uma filha que é cidadã. A mais velha é beneficiária do Daca, o programa de Obama que suspendeu a deportação de jovens levados ao país quando criança.

No segundo ano de enfermagem, ela é uma das razões de Marcelo ficar nos EUA. Se Meire não conseguir voltar, ele disse que não terá outra saída a não ser retornar. “Quando terminar de pagar a universidade da minha filha, volto. Não vou destruir meu casamento de 22 anos.”

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Trump separa famílias de brasileiros que há anos estão nos EUA - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV