Chile. “Em vez de pedir tanto perdão, precisamos mudar”. Entrevista com Felipe Berríos, jesuíta

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25 Junho 2018

“Eu acompanhei a visita de Scicluna pela mídia e, sinceramente, acho que foi muito empática, assim como um justo reconhecimento da luta travada pelos leigos de Osorno”, diz o padre jesuíta Felipe Berríos.

A entrevista é de Sergio Rodríguez, publicada por La Tercera, 22-06-2018. A tradução é de André Langer.

Do acampamento La Chimba, em Antofagasta, o presbítero acompanha a evolução da crise da Igreja católica no Chile, as denúncias de abusos recolhidas e investigadas pela promotoria e o clima de apreensão sobre o que vem na sequência. Inclusive incerteza.

“A verdadeira crise, penso, reside em tudo o que aconteceu antes, nas décadas de 1970, 1980, 1990, e que esteve escondido, coisas terríveis que ninguém sabia. O que acontece agora pode assustar muitos padres, mas é a saída da crise, ou pelo menos espera-se que seja, porque é um caminho que espero que seja de limpeza para a verdade”, afirma.

Eis a entrevista.

A atitude de alguns bispos provocou críticas...

Penso que a crise é de todos, de muitos estamentos. Na verdade, é a crise do clericalismo, de nós, padres, de nos acreditar mais perto de Deus do que os demais só por ter um pescoço romano, de acreditar que podemos ditar regras morais e dizer aos outros como devem viver. Quanto aos bispos, penso que a renúncia de todos não ajudou, porque é como Fuenteovejuna: todos é ninguém. Ninguém assume responsabilidades particulares e o Papa teve que investigar o que aconteceu com os seus enviados.

Você está satisfeito com as medidas tomadas por Francisco?

Eu acho que o Papa está atacando em duas frentes, não apenas na Igreja chilena, mas também na cúria vaticana. O que está acontecendo no Chile é um exemplo para algo maior, e ele precisa ser sábio para seguir em frente. O Papa está contornando obstáculos, evitando cercas para fazer mudanças, para chegar ao fundo das coisas. Não acredito que possa fazer tudo o que queira fazer, nem lá (no Vaticano), nem aqui (no Chile). Ele precisa aceitar algumas coisas e engolir outras. Eu tenho fé no que está fazendo.

Você já falou com os bispos e de como eles assumiram as decisões do Papa Francisco?

Não, nada. Se há algum mal-estar ou outra coisa da parte deles, asseguro-lhe que serei o último a saber. Não tenho quase nenhuma comunicação com a Conferência Episcopal.

Houve alguns sinais de mudanças, como a nova chanceler da Arquidiocese de Santiago...

Se pensamos em uma verdadeira renovação, os leigos devem assumir um papel preponderante e assumir a Igreja. Nós, os padres, deveríamos ser o caminho natural para chegar ao Evangelho, e acontece que nos transformamos no principal obstáculo. Como disse o Papa, temos que retornar à Igreja que deu terras para a reforma agrária, a dos Direitos Humanos, a do Padre Hurtado, de Santa Teresa, das comunidades de base. E não nos enganarmos com algumas mudanças.

Quais, por exemplo?

Barros. O que teria acontecido se ele continuasse no bispado militar e os leigos de Osorno não tivessem se levantado? O que está acontecendo – as mudanças, as investigações, a verdade sobre muitas coisas que aconteceram ao longo de muitos anos – veio de fora, graças à pressão de leigos, da imprensa, de vítimas e denunciantes. Não é algo que veio da própria Igreja.

Todos os sacerdotes precisam aceitar a sua responsabilidade. Não sejamos hipócritas: em vez de pedir tanto perdão, precisamos mudar. Nós, padres, temos que mudar. Não podemos continuar alimentando essa coisa de que somos especiais. Pelos resultados, está claro que não. Dali vieram os abusos, de consciência, de poder e sexuais.

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