Em apoio aos bispos norte-americanos, Papa Francisco considera “imoral” a política de separação familiar

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21 Junho 2018

O Papa Francisco apoiou os bispos norte-americanos em suas críticas à política do presidente Donald Trump de separar as crianças migrantes de seus pais na fronteira mexicana.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 20-06-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Falando à agência de notícias Reuters sobre a política do governo Trump, o pontífice apenas exaltou: "Eu estou do lado da conferência dos bispos".

"Não é fácil, mas o populismo não é a solução", disse o Papa.

Centenas de denominações religiosas e grupos nos Estados Unidos criticaram a política do governo Trump, que está direcionando a polícia da fronteira a separar as crianças migrantes de seus pais. Após elas cruzam para os Estados Unidos, colocam os menores em centros de detenção.

O presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, Daniel DiNardo, disse em um comunicado no dia 13 de junho que, embora o país tenha o direito de proteger suas fronteiras, "separar os bebês de suas mães não é a resposta, além de ser imoral".

Francisco também falou na entrevista à respeito da chegada de migrantes na Itália, onde um novo governo populista se recusou a permitir o acesso aos portos de navios que resgatassem migrantes deixados no Mediterrâneo.

Um navio foi forçado a passar vários dias no mar até chegar à Espanha, onde desembarcaram mais de 600 migrantes.

"Eu acredito que você não pode rejeitar as pessoas que chegam", disse o Papa. "Você tem que recebê-los, ajudá-los e acompanhá-los. Depois ver onde colocá-los”.

"Alguns governos estão trabalhando nisso. As pessoas precisam se estabelecer da melhor maneira possível, e criar psicose não é a cura", ressaltou. "O populismo não resolve as coisas. O que resolve as coisas é aceitação, estudo e prudência."

Entre outras questões abordadas pelo Papa na entrevista, havia críticas de dentro da Igreja. O papa disse estar ciente de uma carta, escrita em 2016 por quatro cardeais, questionando sua compreensão dos ensinamentos da vida familiar na Igreja.

O cardeal norte-americano, Raymond Burke, foi um dos signatários da chamada 'carta dubia'. Francisco disse que a publicação da carta era "uma maneira de fazer as coisas que não são eclesiais, mas todos nós cometemos erros".

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