Vaticano nega ter protegido fundador de movimento peruano acusado de abuso sexual

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05 Junho 2018

Autoridades do Vaticano negaram ter protegido o fundador do Sodalitium Christianae Vitae, um movimento religioso com sede no Peru. Ele é acusado de abuso sexual, físico e psicológico de menores e jovens adultos que faziam parte do grupo.

A reportagem é de Barbara J. Fraser, publicada por Catholic News Service, 04-06-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Em um comunicado de 25 de maio divulgado pela Conferência Episcopal do Peru numa coletiva de imprensa do dia 1º de junho, a Congregação para os Institutos da Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica do Vaticano declarou que estava respondendo a acusações de estar “protegendo e escondendo" Luis Fernando Figari em Roma.

Enquanto isso, o Arcebispo de Guayaquil, no Equador, anunciou que estava aguardando uma decisão final da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano sobre o caso de um padre acusado de abusar física e sexualmente de adolescentes quando era membro do Sodalitium na cidade.

O comunicado da Congregação para os Institutos da Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica respondeu a críticas a diretrizes emitidas pelo Sodalitium há mais de um ano sobre o caso de Figari, que fundou o movimento em 1971.

Em janeiro de 2017, a congregação informou o superior geral do Sodalitium, Alessandro Morôni, que uma investigação iniciada em 2015 havia descoberto que Figari tinha sido autoritário e cometido "atos contra o sexto mandamento", como pelo menos um caso de abuso sexual envolvendo um menor.

Naquela época, a congregação disse que Figari não deveria ser expulso do movimento, mas que seria ordenado a não retornar ao Peru, exceto sob circunstâncias graves e com autorização por escrito do superior geral. Além disso, não poderia morar em nenhuma residência de Sodalitium nem ter contato com membros do movimento, exceto por uma pessoa que seria uma ligação entre ele e os outros, e não poderia fazer declarações públicas ou participar de manifestações.

Figari, que mora em Roma, recorreu da decisão. Seu pedido inicial foi rejeitado em 31 de janeiro. O segundo recurso ainda aguarda decisão.

No comunicado de 25 de maio, a congregação disse que as medidas foram tomadas para oferecer reparação pelo "dano causado por (Figari) e o consequente escândalo" e para "restabelecer a justiça às vítimas", "impedindo-o de fazer mal" a outras pessoas.

No Peru, disse o comunicado, Figari tem "muito apoio" e "maior possibilidade de prejudicar as pessoas”, “destruir provas contra ele, evitando que se identifique a verdade dos acontecimentos, ou obstruir a justiça”.

Oscar Osterling, um dos cinco ex-membros do Sodalitium que apresentou queixa legal sobre os abusos no Peru, considerou o comunicado "superficial" e disse que continuava concentrando-se em Figari, desconsiderando os três outros líderes do movimento também acusados de abuso. Outro líder acusado faleceu.

A promotoria de justiça peruana recomendou a prisão preventiva de antigos líderes do movimento, o que ainda aguarda o pronunciamento do juiz.

Enquanto isso, no país vizinho Equador, a arquidiocese de Guayaquil aguarda a decisão da Congregação da Doutrina da Fé da remoção do padre Luis Fernando Intriago, atualmente suspenso do sacerdócio.

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