O diálogo a portas fechadas entre o papa e os bispos italianos: ''Os gays que querem se tornar padres devem dar garantia de castidade''

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28 Maio 2018

Francisco havia falado de “discernimento” ao qual os educadores dos seminaristas devem recorrer, com a capacidade de olhar longe, quando os seminaristas tiverem se tornado padres. Preocupação justa: se, no período formativo, a prática homossexual fosse considerada habitual, tais sujeitos deveriam ser freados, porque seriam sexualmente ativos também como padres. Um problema não circunscrito ao momento formativo, mas aberto ao depois, com uma clarividência educativa: os futuros padres serão confiáveis do ponto de vista da gestão da sexualidade? O comportamento será confiável se a sua formação sexual for confiável e séria.

A reportagem é de Carlo Di Cicco, publicada em Tiscali, 27-05-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Quando se diz malícia, uma palavra que quase rima com astúcia, a referência é principalmente à esfera sexual, na qual, na realidade, existe uma grande confusão, onde resistem tabus e distorções duras de morrer no âmbito educativo e também nas instituições eclesiásticas.

De fato, para evitar a possível crítica sobre o comportamento sexual incorreto entre os heterossexuais, sobre os quais se pensa que tudo é lícito, desvia-se a atenção para os homossexuais, uma realidade humana vivida na sociedade sempre como um território misterioso, receptáculo de todos os vícios.

Enquanto para os heterossexuais, distingue-se e se aceita tranquilamente entre “tendência”, orientação e “prática” sexual, ao se falar de homossexuais confunde-se com muita superficialidade tendência e prática homossexual. Depois, quando é um papa quem faz a distinção, torna-se cômodo repetir lugares-comuns, criando confusão entre orientação e prática homossexual.

Sobre os homossexuais, descarrega-se, de algum modo, a dificuldade geral de falar de sexualidade livres de tabus, mas também de licenciosidades em uma matéria pessoal que se gostaria de administrar na penumbra reservada.

“Quem sou eu para julgar?”

Talvez na tentativa de redimensionar as aberturas do Papa Francisco ao reconhecer a igual dignidade das pessoas homossexuais, cada oportunidade parece ser boa para solicitar alguma revisão do papa após seu famoso slogan: “Quem sou eu para julgar?”, que tinha posto em crise uma tradicional prática discriminatória das pessoas homossexuais.

A recente assembleia dos bispos italianos, onde um dos temas abordados foi a crise das vocações, também trouxe à tona o tema da sexualidade na formação dos padres. No diálogo a portas fechadas entre o papa e os bispos, também foi abordada a questão da formação dos seminaristas, futuros padres, começando pela sua admissão no seminário.

E Francisco havia reiterado a doutrina atual, convidando à prudência ao se admitir no seminário jovens ou pessoas homossexuais, não tanto por serem homossexuais, mas avaliando seu comportamento sexual prático.

Francisco havia falado de “discernimento” ao qual os educadores dos seminaristas devem recorrer, com a capacidade de olhar longe, quando os seminaristas tiverem se tornado padres. Preocupação justa: se, no período formativo, a prática homossexual fosse considerada habitual, tais sujeitos deveriam ser freados, porque seriam sexualmente ativos também como padres. Um problema não circunscrito ao momento formativo, mas aberto ao depois, com uma clarividência educativa: os futuros padres serão confiáveis do ponto de vista da gestão da sexualidade? O comportamento será confiável se a sua formação sexual for confiável e séria.

Água suja dentro dos seminários

Ao presidente da Conferência Episcopal Italiana, Gualtiero Bassetti, só restava confirmar a indicação do papa, afirmando perante os jornalistas: “O papa tem razão: nos seminários, há água suja que deve ser removida. A fragilidade humana existe para todos”. E, portanto, não só para aqueles que não se tornarão padres.

A gestão da própria sexualidade continuará sendo um compromisso também na vida adulta. Se é verdade que, no passado, tinha-se um crivo mais severo em relação aos homossexuais, na realidade o controle em relação à sexualidade como tal era muito rígido em relação a toda a matéria sexual.

Mandavam-se para casa também aqueles jovens heterossexuais candidatos ao sacerdócio que não tivessem sido capazes de resistir à tentação de pecar sexualmente. De fato, o voto de castidade que os sacerdotes fazem é uma escolha que vem no fim de um percurso formativo em que se experimenta longamente a capacidade do candidato de saber controlar os impulsos sexuais.

Se regularmente é preciso confessar pecados de natureza sexual, isso significa que não se é capaz de poder ser padre, a quem, na Igreja latina, exige-se o voto de castidade. O voto de castidade proíbe o casamento, mas também a prática de qualquer tipo de sexualidade, como por exemplo a masturbação. Se um jovem constata que se masturba regular e frequentemente, é convidado a abandonar o seminário.

Forçados à castidade

A Igreja Católica sempre previu tal medida desde que a obrigação do celibato para os padres passou a valer. Mas se sabe que o voto de castidade não é fácil de ser respeitado pelos homossexuais, mas também igualmente por aquele notável número de eclesiásticos que, principalmente de modo clandestino, vivem amores por uma mulher com todas as consequências de serem amantes.

Talvez os fiéis descubram isso, mas, como a relação é consensual e se cuidam dos eventuais filhos, somos levados a fechar os olhos, embora, quase sempre, a infidelidade ao voto de castidade seja vista como uma falta do padre. Em matéria sexual, a instituição eclesiástica é muito rigorosa, e a carreira de padres infiéis ao celibato não tem viabilidade.

Práticas sexuais despropositadas

O que Francisco disse de novo ou de surpreendente sobre aquela abertura que parecia ter para com os homossexuais? Nada. Nem mesmo uma palavra em relação às pessoas homossexuais como tais. Poder-se-ia dizer que o seu discurso foi sobre o plano de educação sexual dos jovens seminaristas em geral. E, no âmbito educacional, a educação da sexualidade é vista como particularmente importante para o sucesso da vida adulta e, portanto, precisa de um discernimento oportuno.

São as tendências desproporcionais em relação às práticas sexuais, e não a orientação sexual, que são um problema. Então, se pede o máximo cuidado ao se admitir os jovens, pois essas tendências exageradas na busca do prazer, quando estão “profundamente enraizadas”, realizam-se na prática do sexo e, portanto, também de “atos homossexuais”.

O fácil recurso ao sexo pode comprometer seriamente a vida do seminário, assim como a do próprio jovem e de seu futuro sacerdócio eventual. Quando não se é capaz de um autocontrole sexual, pode-se facilmente criar condições de escândalo.

A questão da infidelidade

Não que um padre acostumado com relações sexuais com mulheres dê mais garantias do que um gay que pratica a sexualidade. Ambos são responsáveis pela infidelidade ao voto. Mas a preocupação de Francisco expressa apenas o desejo de que a formação seja feita seriamente, porque as normas já existem.

O lembrete do papa aos bispos italianos deve ser remetido, por exemplo, à Ratio Fundamentalis publicado em dezembro de 2016 pela Congregação para o Clero: um documento volumoso, intitulado “O dom da vocação presbiteral”, com a qual o dicastério atualizou normas, usos e costumes para acesso ao seminário, fornecendo sugestões práticas também sobre saúde, alimentação, atividade física e repouso. E, naturalmente, educação sexual.

“É impossível admiti-los”

No que diz respeito às pessoas com tendências homossexuais que se aproximam dos seminários ou que descobrem tal situação durante a formação, em coerência com o próprio magistério – afirma um parágrafo do documento –, a Igreja, embora respeitando profundamente as pessoas em questão, não pode admitir ao seminário e às ordens sagradas aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente arraigadas ou defendem a chamada cultura gay.

O texto fala por si só: os gays como tais não são excluídos, mas apenas aqueles que praticam a sexualidade de maneira desordenada e inapropriada, ou seja, que são incapazes de viver em continência.

Atos e tendências homossexuais

A Ratio de 2016, de fato, também reitera aquilo que foi estabelecido pela Instrução anterior e a distinção entre “atos homossexuais” e “tendências homossexuais”: sobre os primeiros, a Igreja reafirmava a definição de “pecados graves”, “intrinsecamente imorais e contrários à lei natural”; enquanto pedia para aqueles que manifestam tendências, definidas como “objetivamente desordenadas”, uma acolhida caracterizada por “respeito e delicadeza”, evitando “qualquer marca de discriminação injusta”.

“Se um candidato pratica a homossexualidade ou apresenta tendências homossexuais profundamente arraigadas, o seu diretor espiritual assim como o seu confessor têm o dever de dissuadi-lo, em consciência, de prosseguir rumo à ordenação.”

A responsabilidade continua sendo pessoal

“Continua se entendendo que o próprio candidato é o primeiro responsável pela própria formação”, afirma o texto vaticano. Seria, portanto, “gravemente desonesto que um candidato ocultasse a própria homossexualidade para ter acesso, apesar de tudo, à ordenação. Uma atitude tão inautêntica não corresponde ao espírito de verdade, de lealdade e de disponibilidade que deve caracterizar a personalidade daquele que considera ser chamado a servir a Cristo”.

Não se deve esquecer, finalmente, outro risco indicado pelo Papa Francisco no já citado discurso à Congregação para o Clero, isto é, que muitas vezes “há jovens que são psiquicamente doentes e buscam estruturas fortes que os defendam”. Mas isso não vale apenas para as pessoas homossexuais.

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