O aniversário da Reforma trouxe novos laços entre as Igrejas

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11 Maio 2018

Na conclusão do Sínodo da Igreja Evangélica Luterana na Itália (Celi), dirigimos algumas perguntas ao pastor Heiner Bludau, que foi reeleito decano.

A reportagem é de Alberto Corsani, publicada por Riforma, 09-05-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

O tema do Sínodo era “Quo vadis, Celi”: em que a Igreja Luterana, assim como outras Igrejas protestantes na Itália, está mais rica neste 2018, após as celebrações do ano passado?

É verdade, o 500º aniversário da Reforma nos enriqueceu de muitos modos: acima de tudo, foram estabelecidos novos contatos e laços, porque chegaram muitos pedidos para realizar conferências ou palestras sobre Lutero ou a Reforma, e, a partir dos encontros, também se desenvolveram relações permanentes. Esses encontros também afiaram o nosso perfil como Igreja Luterana. Na Alemanha, nunca fui tão consciente de ser luterano, como, ao contrário, posso verificar aqui na Itália. Mas isso certamente não significa construir a própria identidade contra as outras Igrejas. Ao contrário, celebramos a Reforma junto com as outras Igrejas protestantes e, nessa colaboração, chegamos a um nível novo, superior: isso também nos enriqueceu muito. E, sem dúvida, os congressos junto com a Igreja Católica Romana e os outros encontros de nível ecumênico foram muito importantes.

Os problemas econômicos condicionam a atividade das Igrejas e, às vezes, as obrigam a reduzir suas atividades: quais são os “pontos fortes” do testemunho e do serviço de vocês, e quais são as renúncias necessárias?

Para mim, os pontos fortes são dois: em primeiro lugar, tentamos encontrar modos para realizar a mensagem do Evangelho nas nossas comunidades, na cotidianidade dos nossos membros. Não é simples. A vida “secular” não convida a fazer isso. Devemos recomeçar sempre de novo, porque o Evangelho é um dom e uma tarefa. Mas, depois, isso não diz respeito apenas aos membros da Igreja. O anúncio do Evangelho diz respeito a todos, somos convidados a testemunhar o Evangelho ao mundo, e a diaconia faz parte dessa tarefa. Aqui também devemos sempre encontrar os modos adequados, e isso também tem a ver com as finanças. Decidimos transferir a gestão da nossa escola Santa Maria La Bruna para uma associação profissional que já administra outras escolas em Nápoles e arredores. Foi uma decisão difícil e dolorosa, porque se trata de um projeto que já existe desde os anos 1950. Mas a relação entre as nossas despesas e a nossa missão não foi mais convincente. Queremos usar o dinheiro para outros projetos. E entendemos que, se começarmos bons projetos, como aqueles relacionados com os “dublinati” [refugiados presos em um determinado país por terem sido identificados nele], também podemos receber dinheiro de outras Igrejas e instituições. A captação de recursos foi um tema importante durante este Sínodo.

Durante o Sínodo, foi evocado o clima de crescente secularização, como por exemplo na Escandinávia: que palavras os protestantes devem buscar hoje para contar a sua fé aos nossos contemporâneos?

É uma boa pergunta à qual eu gostaria de dar uma resposta clara. Não é fácil encontrar essas palavras. Eu acho que as Igrejas juntas devem dar um testemunho comum: devemos encerrar a luta entre as Igrejas e, em vez disso, testemunhar o Evangelho juntos. As diferenças entre nós não devem ser escondidas. Para alguns, talvez a Igreja Católica seja a Igreja mais próxima, para outros, os valdenses são a escolha certa, e alguns talvez encontrem o seu lar entre nós. Uma característica dos luteranos na Itália é que também há alemães: não falamos apenas italiano, mas também alemão, mas isso não precisa ser um obstáculo. Queremos estar abertos para todos e, se suecos ou finlandeses chegarem, também falaremos inglês. Meu sonho consiste em não ter, acima de tudo, uma identidade alemã ou italiana ou de qualquer outra nacionalidade, mas ter uma identidade cristã. Mas sei também que a própria identidade nacional e cultural para muitos é muito importante. Por isso, é preciso encontrar uma linha média entre identidade nacional e identidade cristã.

No Sínodo de vocês, muita atenção foi reservada para as liturgias e para a música nos vários momentos do dia. Há uma motivação profunda para isso?

Não estamos 100% ligados a uma liturgia particular, embora admita que nos orientarmos para as liturgias tradicionais é algo importante para nós. A oração do meio-dia deste ano, um breve momento de silêncio com um canto e uma oração do Hinário, começava e terminava com um gongo, que normalmente é ouvido com mais frequência na meditação budista. Mas, para mim, olhar para o acender de uma vela e ouvir esse gongo ajuda a fazer uma pequena pausa e lembrar que não somos nós os senhores da nossa Igreja, mas que há outro Senhor.

Em particular, as orações no início do dia e à noite foram muito bonitas. Convidamos os nossos hóspedes a realizar essas orações conosco: todas foram não apenas muito profundas e espiritualmente ricas, mas também fizeram parte do diálogo, em certo sentido.

Os hóspedes da Alemanha encontraram maneiras de se comunicar em italiano, seja com a ajuda dos italianos da nossa Igreja, seja usando o nosso Hinário bilíngue, que contém cartões para as Laudes e as Vésperas. Para mim, foi uma experiência muito criativa. Mas os valdenses também têm cultos e orações durante os Sínodos. E nós não estamos tão longe uns dos outros.

Na próxima quinta-feira, em Turim, batistas, valdenses, adventistas e nós, luteranos, celebramos um culto por ocasião da Ascensão, e, para mim, é sempre uma alegria preparar um culto juntos. O mais importante é que as próprias tradições não se tornem mais importantes do que a orientação para a tarefa de louvar o Senhor juntos, escutando a sua Palavra.

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