Comunhão para o cônjuge protestante: Cardeal critica a resposta do Papa aos bispos alemães

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08 Maio 2018

Arcebispo de Utrecht, cardeal Willem Eijk, julga ‘incompreensível’ a resposta do Papa.

Um cardeal holandês descreveu como “completamente incompreensível” a tentativa do Papa Francisco de ajudar a resolver uma disputa entre bispos alemães sobre o recebimento da comunhão por protestantes casado com católicos.

A reportagem é publicada por The Tablet, 07-05-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Em fevereiro, três quartos da Conferência Episcopal Alemã votaram a favor do texto pastoral “To Walk with Christ, In the Footsteps of Unity: Mixed Marriages and Common Participation in the Eucharist” (Para caminhar com Cristo, nos Passos da Unidade: Casamentos Mistos e Participação Comum na Eucaristia, em tradução livre), que daria maior acesso à comunhão para protestantes casados com católicos. Mas sete bispos, incluindo cardeal Rainer Maria Woelki, questionaram se o texto está em conformidade com a lei canônica, e pediu para que a Congregação Para a Doutrina Da Fé intervenha.

Como resultado uma delegação de bispos alemães, incluindo o cardeal Reinhard Marx, presidente da Conferência dos Bispos, e o cardeal Woelki, se reuniu no dia 03 de maio com o prefeito da Congregação Para a Doutrina da Fé, arcebispo Luis Ladaria e o cardeal Kurt Koch, presidente Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Funcionários de ambos os lados também estavam presentes na reunião.

Uma declaração do Vaticano emitida na sequência da cúpula disse que o Papa "aprecia o compromisso ecumênico" dos bispos, mas quer que eles superem desacordos internos e cheguem a uma decisão que seja a "mais unânime possível".

Em texto publicado por National Catholic Register, o cardeal Willem Jacobus Eijk, arcebispo de Utrecht, foi altamente crítico em relação ao pedido. "A doutrina e a prática da Igreja em relação à administração do Sacramento da Eucaristia aos protestantes é perfeitamente clara", disse o cardeal Eijk.

O código de direito canônico, salientou ele, diz: "Se existir perigo de morte ou, a juízo do Bispo diocesano ou da Conferência episcopal, urgir outra necessidade grave, os ministros católicos administram licitamente os mesmos sacramentos também aos outros cristãos que não estão em plena comunhão com a Igreja católica, que não possam recorrer a um ministro da sua comunidade e o peçam espontaneamente, contanto que manifestem a fé católica acerca dos mesmos sacramentos e estejam devidamente dispostos"  (844 § 4)

Isto aplica-se, portanto, apenas a emergências, disse o cardeal Eijk. especialmente quando há um risco de morte. Ele apontou que a intercomunhão é, "em princípio, apenas possível com os cristãos ortodoxos, porque as Igrejas orientais, embora não estejam em plena comunhão com a Igreja Católica, têm sacramentos verdadeiros e, acima de tudo, em virtude de sua sucessão apostólica, um sacerdócio válido e uma Eucaristia válida ".

No entanto, os protestantes não compartilham a fé no sacerdócio ou na Eucaristia, disse o cardeal. A maioria dos protestantes alemães são luteranos, apontou, e "os luteranos acreditam em consubstanciação, o que implica a convicção de que, além do corpo ou sangue de Cristo, pão e vinho também estão presentes quando alguém os recebe. Se alguém recebe o pão e o vinho sem acreditar nisso, o corpo e o sangue de Cristo não estão realmente presentes. Fora do momento de recebê-los, resta apenas o pão e o vinho. O corpo e o sangue de Cristo não estão presentes.”

A doutrina Católica da transubstanciação implica a fé de que o que é recebido sob as figuras do pão e do vinho, mesmo se administrado a alguém que não acredita em transubstanciação, e até mesmo fora do momento da administração, permanece o corpo ou Sangue de Cristo e não são mais as substâncias do pão e do vinho ", explicou o cardeal Eijk.

O cardeal também disse que devido a estas diferenças essenciais, a comunhão não deve ser administrada a um protestante, mesmo se casado com um católico, porque o protestante não vive em plena comunhão com a Igreja Católica e, portanto, não compartilha explicitamente a fé em sua Eucaristia.

As diferenças entre a fé na consubstanciação e a fé na transubstanciação são tão grandes, continuou o cardeal, que a Igreja deve realmente exigir que alguém que deseja receber comunhão (exceto em caso de perigo de morte) entre em plena comunhão com a Igreja Católica explicitamente e formalmente. Desta forma confirma explicitamente a aceitação da fé da Igreja Católica, incluindo a Eucaristia.

Agora, aponta o cardeal Eijk, o Papa Francisco informou a delegação Episcopal Alemã de que deve discutir novamente o projeto de propostas de um documento pastoral sobre, entre outras coisas, administrar a comunhão, e tentar encontrar a unanimidade. "unanimidade sobre o quê?", perguntou ele. "supondo que todos os membros da Conferência Episcopal Alemã, depois de ter discutido as propostas novamente, por unanimidade decidam que a comunhão pode ser administrada aos protestantes casados com um católico, isso vai, - embora sendo contrário ao que o código de direito canônico e o Catecismo da Igreja Católica dizem a este respeito -, se tornar a nova prática da Igreja Católica na Alemanha?

A prática da Igreja Católica, baseada na sua fé, concluiu, não muda estatisticamente quando a maioria de uma Conferência Episcopal vota a favor dela, mesmo se for por unanimidade.

O Papa Francisco, disse ele, deveria ter simplesmente informado a delegação alemã sobre o que o Código de direito canônico e o Catecismo da Igreja Católica claramente estipulam.

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