Um "manual" em capítulos para explicar o diálogo China-Vaticano

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • "Nunca, nunca encobrir a realidade. Dizer sempre: 'É assim'”. Papa Francisco recebe a redação da revista jesuíta Aggiornamenti Sociali

    LER MAIS
  • O aumento da pobreza na América Latina submergente

    LER MAIS
  • Um estranho casamento: neoliberalismo e nacionalismo de direita

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

03 Maio 2018

O diálogo com o governo chinês não é promovido pela Santa Sé com a pretensão de resolver em um instante todos os problemas com "um toque de varinha mágica." A Santa Sé com a China segue o caminho sugerido por "uma abordagem pastoral, que visa lançar uma forma de cooperação que pode ser benéfica para todos", para "tentar resolver, de forma construtiva e não conflitual" alguns problemas que pesam sobre vida da Igreja local, "a partir da delicada e importante questão da nomeação dos bispos." Isso está explicado em um breve, mas eloquente texto que apareceu na última quarta-feira no Vatican News, o portal das comunicações do Vaticano.

A reportagem é de Gianni Valente, publicada por Vatican Insider, 02-05-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Trata-se - assim é anunciado pelo site do Vaticano - do primeiro de uma série de artigos de aprofundamento dedicados ao diálogo entre a China e a Santa Sé. Através desse instrumento, poderão ser expostos de uma forma argumentada os critérios que orientam as relações da Santa Sé com a República Popular da China. Também poderão ser fornecidos dados e considerações para preparar o terreno para futuros e eventuais desenvolvimentos do diálogo China-Vaticano, através de uma informação qualificada e não manipulada em torno do discutido e complexo dossiê das relações entre a Igreja Católica e os aparatos políticos da China popular.

A primeira contribuição, publicado com a assinatura de Sergio Centofanti e do jesuíta Bernd Hagenkord, reconhece os "sinais" que indicam que está se chegando a "um momento importante" na situação China-Vaticano, mesmo reiterando - como já havia feito no último 29 de março o diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Greg Burke - que "não parece iminente um acordo entre a China e a Santa Sé".

Desde as primeiras linhas, o artigo publicado no Vaticano News indica a entrevista concedida em 3 de fevereiro ao Vatican Insider pelo cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado, para reiterar que desde os anos 1980, na época dos primeiros contatos com a liderança comunista chinesa , "a Santa Sé sempre manteve uma abordagem pastoral, tentando superar as contraposições e tornando-se disponível para um diálogo respeitoso e construtivo com as autoridades civis."

Ainda citando Parolin, também é lembrada a Carta do Papa Bento XVI aos católicos chineses de 2007, verdadeiro mapa que mostra as escolhas do Vaticano também em termos das relações com o governo chinês, e na qual era declarado que: "A solução para os problemas existentes não pode ser perseguido através de um permanente conflito com as legítimas autoridades civis".

Na parte central, a primeira contribuição de aprofundamento da "questão chinesa" que apareceu no Vatican News começou a oferecer informações e propostas de reflexão para uma contextualização histórica da condição vivida pela comunidade católica chinesa nas últimas décadas, e o estado atual das relações sino-vaticanas. É lembrado que após o estabelecimento na China do novo regime político comunista "havia começado uma fase histórica particularmente contrastada e fonte de grande sofrimento para muitos pastores e fiéis". Mas também se reconhece que, desde os anos 1980, a situação dos católicos chineses registrou uma mudança inegável.

O texto que apareceu no portal da Santa Sé reconhece que "a ideologia ainda existe, e, ultimamente, há sinais de algum endurecimento, especialmente nos aparatos encarregados da segurança e da regulação da vida social e cultural", talvez devido à "necessidade de colocar um pouco de ordem” em um crescimento econômico impetuoso que “levou a alguma confusão, com fenômenos de desvinculação social entre os trabalhadores, altos índices de corrupção nas classes mais privilegiadas e enfraquecimento dos valores tradicionais, especialmente entre as gerações mais jovens."

O artigo afirma que "a rigidez ideológica não pode ser uma resposta adequada a mudanças tão profundas que afetam também a esfera religiosa da vida." Ao mesmo tempo, reitera que ainda hoje a Santa Sé "está disponível em um clima de diálogo respeitoso, para oferecer a contribuição que lhe compete na promoção do bem da Igreja e da sociedade". Deve ser lembrado que os fiéis católicos de todo o mundo não podem deixar de se sentir envolvidos nos assuntos dos irmãos chineses. E todos são convidados a olhar também para os contatos entre a Santa Sé e o Governo de Pequim, à luz da vocação missionária para a qual também são chamados os batizados chineses, visto que "a mensagem de Jesus não pode ficar alheia ao horizonte espiritual de um país tão grande."

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Um "manual" em capítulos para explicar o diálogo China-Vaticano - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV