“Não sei se a cabeça de Barros conseguiria pacificar a Igreja chilena”. Entrevista com Hans Zollner

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03 Maio 2018

Hans Zollner é o presidente do Centro para a Proteção de Menores (CPM), organismo criado pela Pontifícia Universidade Gregoriana para promover a prevenção dos abusos sexuais de crianças e adolescentes. Seu trabalho de formação e assessoramento aos episcopados e congregações religiosas fez com que este jesuíta alemão conhecesse a Igreja chilena, abalada pela recente carta do Papa, na qual reconhece ter se equivocado na avaliação do caso do bispo Juan Barros.

A entrevista é de Darío Menor, publicada por Vida Nueva, 30-04-2018. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Como você explica o fato de que o Papa passou de apoiador do Barros a ordenar, logo depois, uma investigação e escrever agora uma carta em que reconhece ter se equivocado?

Porque levou a sério o esclarecimento do que aconteceu. É por isso que ele encarregou Charles Scicluna e o padre Jordi Bertomeu para conversarem com as vítimas. Depois, encontrou-se com eles e leu seu relatório, levando muito a sério as suas revelações. Francisco admite que cometeu graves erros e pede perdão por eles. Ele diz, além disso, que não foi adequadamente informado.

No Chile, a carta é interpretada como uma saída iminente do bispo Barros. É isso que vai acontecer?

A carta reconhece que as vítimas são verdadeiras vítimas; e que tudo o que aconteceu com elas está comprovado. Pode-se pensar que haverá consequências, mas o Papa faz bem em não tentar bater na mesa, como seria a renúncia, a transferência ou a aposentadoria de Barros. Ele quer ver toda a situação. Parece-me uma maneira de encarar o problema muito mais ponderada, séria, equilibrada e eficaz. Posso entender que há pessoas que querem a cabeça de Barros, mas me pergunto se um ato dessa gravidade seria capaz de pacificar uma Igreja que não está em paz. Como as vítimas escreveram em seu comunicado e como enfatiza o Papa, é preciso ir ao fundo dessa questão. A saída de Barros agora seria uma tentativa de consertar um sintoma, mas não de ir à causa do problema.

As vítimas estavam protestando há algum tempo. Por que o Papa não agiu dessa maneira antes?

O Papa tinha uma certa ideia de como era a Igreja no Chile e conhecia as pessoas dali. Ele se fia em pessoas de sua confiança. Nesse caso, disse que recebeu informações incorretas ou superficiais. Era difícil interpretar sua reação do final de janeiro, quando ele anunciou o envio de Scicluna, mas aprecio este gesto de pedir perdão pessoalmente, por erros que ele disse que cometeu. Ele é muito honesto. Não vejo muitas pessoas capazes de fazer isso e, menos ainda, em uma posição como a dele. Ele tinha sua opinião, mas mudou de ideia. Não me lembro de uma expressão tão pessoal, clara e humilde ao admitir um erro e pedir perdão. Não me lembro de ninguém que tenha feito isso em seu próprio nome. Bento XVI e João Paulo II pediram perdão em nome da Igreja, mas não fizeram uma declaração como a de Francisco.

O Papa fala em sua carta de medidas a curto, médio e longo prazo para enfrentar os abusos. O que deve ser feito?

No imediato, esclarecer e encarar a realidade de frente. Será muito difícil, como todo exame de consciência sério. É necessário descobrir o que foi ocultado e encarar de frente as dificuldades. Conheço vários bispos chilenos e eles estão muito comprometidos com a prevenção. No médio prazo, estará o trabalho para implementar as diretrizes da Conferência Episcopal. Elas são muito boas, estão entre as melhores da América. Mas tê-las não significa necessariamente ter encontrado a forma de como aplicá-las. Devemos tentar promover um trabalho de prevenção em todas as instituições da Igreja: escolas, universidades, orfanatos...

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