Uma nova fase estadunidense para Francisco. Artigo de Massimo Faggioli

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27 Abril 2018

As visões contrastantes sobre Francisco nos Estados Unidos refletem a profunda e histórica polarização dentro da própria Igreja Católica estadunidense. Foi preciso um papa da América Latina para expor a profundidade dessa fissura no catolicismo norte-americano.

A opinião é do historiador italiano Massimo Faggioli, professor de teologia e estudos religiosos da Villanova University, nos Estados Unidos. O artigo foi publicado por Religion News Service, 25-04-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Massimo Faggioli estará na Unisinos Porto Alegre nos dias 23 e 24 de maio participando do XVIII Simpósio Internacional IHU. A virada profética de Francisco. Possibilidades e limites para o futuro da Igreja no mundo contemporâneo. Na ocasião ministrará as conferências O Papa Francisco na história papal do século passado e a periodização do seu pontificadoA universalidade e o (não)lugar político da Igreja no mundo de hoje

Eis o texto.

Para o Papa Francisco, o primeiro papa das Américas, a Igreja Católica nos Estados Unidos continua sendo uma parte particularmente desafiadora de seu rebanho. O catolicismo estadunidense, em particular, ressalta a polarização da Igreja entre aqueles que abraçam Francisco e a minoria expressiva e muitas vezes influente que o vê como uma ameaça à fé.

Depois de cinco anos desde que Francisco se tornou papa e de quase três desde que ele fez sua primeira visita aos Estados Unidos, sua relação com os católicos estadunidenses está entrando em uma nova fase, na qual se endureceu a divisão que separa os católicos de ambos os lados das guerras culturais.

Esse endurecimento surge quando o pontificado de Francisco não pode mais ser considerado como um papado transitório e provisório. Agora, ele já é bispo de Roma há mais tempo do que São João XXIII como papa. E as mudanças de longo alcance que Francisco fez em tão pouco tempo nos lembram as mudanças guiadas pelo papa que convocou de Vaticano II.

As reformas institucionais estão bem encaminhadas. Em um recente congresso na Villanova University sobre o papado de Francisco, o cardeal Óscar Maradiaga, membro do Conselho dos Cardeais consultores de Francisco, confirmou que um esboço de uma nova constituição apostólica sobre a reforma da Cúria Romana está prestes a circular entre especialistas. Mas ficou claro que o pontificado de Francisco não pode ser medido em termos de reforma das estruturas eclesiásticas.

No presente, o que pode ser mais significativo para os católicos estadunidenses são os novos canais através dos quais a mensagem de Francisco é disseminada nos Estados Unidos, lar de alguns dos críticos mais influentes de Francisco (esses críticos ficaram particularmente perturbados com a postura assumida por Francisco na exortação apostólica Amoris laetitia, de 2016, na qual o papa, nas palavras do Pe. James Martin, pediu que a Igreja “se encontre com as pessoas onde elas estão”).

Muitos desses novos canais passam por faculdades, universidades e seminários católicos – e editoras católicos. Em 2017, por exemplo, ocorreu o seminário do Boston College sobre a Amoris laetitia, que abriu caminho para outros seminários com teólogos e bispos, e forneceu um guia teológico para o documento mais discutido de Francisco nos Estados Unidos.

Em outubro próximo, ocorrerá um congresso internacional sobre a teologia de Francisco no Sacred Heart Seminary and School of Theology, nos arredores de Milwaukee. Logo depois, a Liturgical Press publicará em inglês The Mind of Pope Francis [A mente do Papa Francisco], uma biografia intelectual de autoria do filósofo italiano Massimo Borghesi, que argumenta que Francisco é um clérigo de excepcional profundidade intelectual.

Recentemente, um congresso internacional realizado na Villanova University (de 12 a 15 de abril), intitulado “Francisco, uma voz que clama no mundo: misericórdia, justiça, amor e cuidado com a terra”, forneceu outro veículo para a difusão da mensagem de Francisco.

No congresso da Villanova, clérigos e acadêmicos proeminentes – católicos e não católicos – se uniram à discussão sobre Francisco. Entre os palestrantes, estavam dois cardeais, Joseph Tobin e Maradiaga; pessoas que aconselharam Francisco, incluindo o Pe. Antonio Spadaro, a socióloga Margaret Archer e o economista Jeffrey Sachs; e acadêmicos que mergulharam na teologia de Francisco, incluindo o Pe. John O’Malley, o Pe. Agbonkhianmeghe Orobator, a professora de direito da Villanova Michele Pistone e eu.

O arcebispo Christophe Pierre, núncio apostólico nos Estados Unidos, embora não fosse um dos oradores, ocupou um lugar na primeira fila do encontro.

Muitos dos participantes do congresso veem o ano de 2018 como um período em que os estadunidenses podem chegar a um entendimento mais profundo sobre Francisco. O início do sexto ano de seu pontificado coincidiu com a publicação, no mês passado, da exortação papal sobre a santidade, Gaudete et exsultate. Também coincidiu com uma crise provocada pela sua gestão da crise dos abusos sexuais na Igreja do Chile. No início de abril, Francisco pediu perdão pelos erros que ele cometeu ao responder à situação – um passo sem precedentes para um papa.

Sessões e artigos entregues no congresso da Villanova abrangeram um amplo espectro de questões relacionadas ao seu pontificado, e muitos se concentraram na sua relação com a teologia e a história do Vaticano II, e o apelo do papa à ação social em todo o mundo. Os participantes reconheceram que, embora sejam necessárias reformas concretas na Igreja, muitos teólogos e muitos fiéis veem esse pontificado como um momento para a reforma da Igreja que não pode ser definida em termos de mudança burocrática, mas sim de mudanças teológicas e espirituais.

Os Estados Unidos apresentam desafios e oportunidades particulares para qualquer papa. Isso é particularmente verdade para Francisco, cuja preocupação com os pobres, os marginalizados e o ambiente está na vanguarda de sua mensagem. O tamanho e a diversidade da Igreja Católica estadunidense, seu alcance em todo o mundo, a influência de seus teólogos e estudiosos – e o poderoso papel que a nação desempenha na política mundial – fazem do país um ramo único e crucial da Igreja global.

Embora os católicos estadunidenses tenham abraçado mais fortemente a mensagem de Francisco ultimamente, seus críticos católicos também aumentaram sua resistência ao seu pontificado. Essa oposição – cujo centro geopolítico e cultural se encontra nos Estados Unidos – é notável tanto pela gravidade sem precedentes de sua crítica, quanto pelo alto nível eclesiástico daqueles que a promovem. Esses críticos não apareceram no congresso da Villanova – ou não foram expressivos, se o fizeram –, mas sua influência na Igreja foi sentida durante seus seminários e sessões.

As visões contrastantes sobre Francisco nos Estados Unidos refletem a profunda e histórica polarização dentro da própria Igreja Católica estadunidense. Foi preciso um papa da América Latina para expor a profundidade dessa fissura no catolicismo norte-americano.

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