O grito dos bispos mexicanos a Trump: não aos muros de violência!

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11 Abril 2018

“Em cada migrante ferido em sua dignidade e em seus direitos, Jesus Cristo é novamente crucificado!” É uma declaração histórica feita pelos bispos da fronteira norte do México e pelo Conselho da Presidência da Conferência Episcopal do México. Um documento sem precedentes que, pela primeira vez na história da Igreja no país, é dirigido a “todos os habitantes do território nacional e além de nossas fronteiras”, a “todos os crentes e não-crentes em Jesus Cristo no México e nos Estados Unidos”, ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente do México, Enrique Peña Nieto. A declaração foi escrita “por ocasião do envio de tropas da Guarda Nacional norte-americana para a fronteira que delimita nossos territórios”.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 08-04-2018. A tradução é de André Langer.

“A Igreja Católica, na fidelidade à fé em Jesus Cristo – escrevem os bispos –, não pode ignorar o sofrimento de nossos irmãos migrantes que buscam melhores condições de vida ao cruzar a fronteira para trabalhar e contribuir para o bem comum não apenas de suas famílias, mas do país irmão que os recebe”. Os bispos mexicanos sabem que os fluxos migratórios exigem “uma nova regulamentação por parte das duas nações. Da mesma forma, não nos é estranho que uma dimensão constitutiva de uma sociedade próspera e pacífica é a verdadeira validade do Estado de Direito. No entanto, nem todas as normas, nem as decisões políticas ou militares, pelo simples fato de ser promulgada ou definida, são em si justas e conformes aos direitos humanos”.

“Se houve uma lição histórica que todos nós, como sociedade, aprendemos depois dos conflitos mundiais experimentados durante o século XX – diz a declaração – é que o legal precisa ser legítimo; a dignidade inalienável da pessoa humana é a verdadeira fonte do direito; a dor dos mais vulneráveis deve ser entendida como a norma suprema e critério fundamental para o desenvolvimento dos povos e a construção de um futuro com paz”.

Por isso, os bispos mexicanos desejam repetir “o que dissemos há um ano: ‘o grito dos migrantes é o nosso grito’. Sua dor é a nossa dor! Em cada migrante que é lesado em sua dignidade e em seus direitos, Jesus Cristo é novamente crucificado!”

A declaração afirma que “os governos mexicanos do passado e do presente têm uma séria responsabilidade por não terem criado oportunidades suficientes de desenvolvimento para o nosso povo pobre e marginalizado”. A incipiente democracia mexicana tem “um enorme desafio no futuro próximo: escolher [as eleições presidenciais serão no dia 01 de julho próximo] aqueles que devem realizar de maneira honesta, sem corrupção e impunidade, uma mudança histórica que ajude o povo do México a ser o protagonista de seu desenvolvimento, com paz, justiça e respeito irrestrito pelos direitos humanos”.

No entanto, continuam os bispos, “as carências dos mexicanos não podem ser uma justificativa para promover o antagonismo entre os povos que são chamados a serem amigos e irmãos. Não é conforme à dignidade humana e às melhores razões e argumentos concebidos por homens como Abraham Lincoln ou Bartolomé de las Casas, erguer barreiras que nos dividem ou implementar ações que nos violentem. Os migrantes não são criminosos, mas seres humanos vulneráveis, que têm autêntico direito ao desenvolvimento pessoal e comunitário”.

De acordo com os bispos, “há futuro somente na promoção e na defesa de igual dignidade e igual liberdade entre os seres humanos. A fronteira entre o México e os Estados Unidos ‘não é uma zona de guerra’, como disseram recentemente nossos irmãos bispos dos Estados Unidos. Pelo contrário, essa área é chamada a ser um exemplo de conexão e corresponsabilidade”. A única possibilidade para o futuro – diz a declaração do episcopado mexicano – é a construção de “pontes de confiança e desenvolvimento compartilhado”, e não “muros de indignidade e de violência”. “Além disso – recordam os bispos –, o Papa Francisco, sem equívocos, disse a todos nós: ‘uma pessoa que só pensa em fazer muros, onde quer que esteja, ao invés de construir pontes, não é cristã. Isso não está no Evangelho’”.

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