Comentários de cardeal contra transgêneros revelam uma necessidade de escuta pastoral

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06 Abril 2018

O principal prelado da Inglaterra voltou a opinar sobre a identidade de gênero, revelando, ao mesmo tempo, suas inclinações pastorais e sua oposição à plena igualdade transgênero.

O comentário é de Robert Shine, publicado por New Ways Ministry, 05-04-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O cardeal Vincent Nichols, de Westminster, Londres, fez seus comentários em uma entrevista à revista The Tablet, que relatou:

“[Nichols] disse que áreas da vida que anteriormente tinham ‘pressuposições de estabilidade’ estão agora menos firmes, criando um contexto em que ‘tudo pode ser decidido ao acaso’, e um ‘exemplo muito forte disso é a maneira pela qual estamos abordando as questões de identidade de gênero’.”

“Falando em uma entrevista exclusiva com a The Tablet, o cardeal disse que tem havido uma mudança óbvia no entendimento da sociedade sobre o ‘desdobramento do gênero’ na vida de uma pessoa em termos ‘daquilo que os homens podem fazer, daquilo que as mulheres podem fazer’. Ele acrescentou: ‘Para mim, isso não é um problema’, mas, advertiu, ‘é a relação entre gênero e sexo biológico, essa é a questão mais difícil. Embora, claramente, algumas pessoas sofram seriamente em torno desses dilemas, eu acho que nós temos que ser capazes de responder a essa séria disforia, sem mudar as pressuposições fundamentais que nos dão estabilidade’.”

Nichols alegou que ser homem ou mulher ainda é um dado para a maioria das pessoas e falou de um modo um pouco aprovador sobre uma declaração antitransgênera de um grupo conservador de padres britânicos. Ele também reconheceu que a Conferência dos Bispos da Inglaterra e do País de Gales está atualmente refletindo sobre a questão da identidade de gênero.

O cardeal já havia feito comentários relativos à identidade de gênero em um discurso em fevereiro para educadores das escolas católicas. Na época, não ficou claro se ele estava criticando diretamente a igualdade transgênera ou simplesmente usando entendimentos mais fluidos de gênero como um exemplo para uma questão mais amplo sobre a afirmação de realidades objetivas em um tempo de relativismo.

Em geral, o histórico de Nichols sobre as questões LGBT é amplamente positivo. Seu conselheiro sobre as questões LGBTQI, Mons. Keith Barltrop, disse uma vez que as pessoas trangêneras que decidem fazer a transição após um período de discernimento deveriam ser “totalmente apoiadas” pela Igreja.

No início deste ano, ele retomou os laços com a organização católica LGBT Quest. Em 2017, ele disse que “se alegrava” com o fato de que a sociedade se tornou mais receptiva a lésbicas e gays, mesmo dizendo que a Igreja institucional permaneceria “obstinada” em seu ensino sobre o matrimônio.

Em 2015, após sua participação no Sínodo sobre a família, Nichols pediu desculpas às pessoas LGBT e suas famílias, porque tais questões “não receberam a atenção que eu esperava, mas eu entendo por quê [dado o número de questões que foram levantadas]”.

Naquele ano, ele também presidiu uma missa para o grupo “LGBT Catholics Westminster”, uma campanha pastoral que Nichols inaugurou. Ele endossou as uniões civis para casais do mesmo sexo ainda em 2011.

Lidos no contexto desse histórico, seus comentários mais recentes à The Tablet continuam com sua abordagem pastoralmente orientada às pessoas LGBT. Sua compaixão para com uma comunidade marginalizada é clara.

Mas, ao mesmo tempo, Nichols está revelando uma falta de conhecimento sobre a identidade de gênero e as experiências de pessoas transgêneras. Para as pessoas trans, afirmar a própria identidade de gênero não é algo que possa ser “decidido ao acaso” e livremente escolhido. De fato, afirmar a própria identidade de gênero é uma das “pressuposições fundamentais que nos dão estabilidade”. Não estar aberto e não ser autêntico é o que desestabiliza.

O cardeal Nichols pode agir a partir de suas inclinações pastorais e usar recursos como a Quest e a LGBT Catholics Westminster para participar de sessões de escuta com pessoas transgêneras e seus familiares. Então, ao invés de falar de conceitos abstratos, ele pode falar moldado pelas alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias das pessoas trans, como um bom bispo deve fazer.

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