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02 Abril 2018

“Não creio, como considerou o tenaz e inteligente Vladimir Safatle, que estejamos – por enquanto – num caminho que leva à Guerra Civil. O mais apropriado seria dizer que a quebra do pacto hegemônico que levou Temer ao poder, ainda tem, no seu centro, a mídia oligopólica, que tem feito e refeito a pauta política da nação. Seria dizer que os grupos de elite da plutocracia estatal, as frações de partidos e lideranças empresariais – daqui e de fora – ainda estão unidas em torno das “reformas”, da pilhagem do pré-sal e da liquidação das funções públicas do Estado, orientadas por uma pauta, que é “global”, no duplo sentido. Dizer, ainda mais: que neste momento – dada a escassa reação popular contra o Governo ilegítimo – são poucas as possibilidades de reagir contra um novo “golpe” paraguaio, cuja resistência, daí sim, lamentavelmente poderia nos levar a uma guerra civil”, escreve Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do SulPT, em artigo publicado por Sul21, 01-04-2018.

Segundo ele, “os dominadores de plantão não precisam de uma Guerra Civil, para continuar com a liquidação do Brasil como nação, e nós – suponho – não queremos uma Guerra Civil, que hoje só apressaria a chacina e a liquidação do país, que já foi um exemplo democrático no mundo, que se dissolveu também pelos nosso próprios erros”.

“Lembremo-nos – conclui Tarso Genro - que Levi foi nosso ministro e Padilha foi da elite política de Governo do nosso campo? Ou já esquecemos?”

Eis o artigo.

A prisão dos três amigos do Presidente Temer, o atentado à bala contra a caravana do ex-Presidente Lula, a ausência de uma resposta esclarecedora sobre quem assassinou Marielle, a mão do candidato Bolsonaro simulando uma pistola apontada para a cabeça de um boneco representando Lula, são fatos muito graves. Os quinze minutos do Jornal Nacional inviabilizando a “reeleição” de Temer (que já era inviável) e dizendo a ele que “podemos tirá-lo quando quisermos”, bem como humor do Ministro Gilmar Mendes -que não vai muito bem- somam-se aos fatos anteriores, para mostrar que a rede golpista, que criou condições para derrubada da Presidenta Dilma, ao mesmo tempo que está num dilema sobre o sentido que quer dar a sua estratégia de poder, estuda uma nova estratégia, que ainda não está definida.

Não creio, como considerou o tenaz e inteligente Vladimir Safatle, que estejamos – por enquanto – num caminho que leva à Guerra Civil. O mais apropriado seria dizer que a quebra do pacto hegemônico que levou Temer ao poder, ainda tem, no seu centro, a mídia oligopólica, que tem feito e refeito a pauta política da nação. Seria dizer que os grupos de elite da plutocracia estatal, as frações de partidos e lideranças empresariais – daqui e de fora – ainda estão unidas em torno das “reformas”, da pilhagem do pré-sal e da liquidação das funções públicas do Estado, orientadas por uma pauta, que é “global”, no duplo sentido. Dizer, ainda mais: que neste momento – dada a escassa reação popular contra o Governo ilegítimo – são poucas as possibilidades de reagir contra um novo “golpe” paraguaio, cuja resistência, daí sim, lamentavelmente poderia nos levar a uma guerra civil.

Faço estes comentários a propósito da seguinte constatação, que julgo ser relevante e que, se errada, põe por terra todo o sentido político da minha avaliação sobre a conjuntura: os fortes movimentos de solidariedade ao Presidente Lula não se repetiriam, como “solidariedade”, obviamente, ao Presidente Temer, se a rede do golpismo, que lá o colocou, intentasse uma nova substituição – através da maioria luminar do Congresso – que poderia repetir caninamente os mesmos argumentos que brandiram contra a permanência de Dilma, sem receber a resposta de movimentações cívico-políticas opositoras, para defender a Constituição e a Democracia. A Constituição e a Democracia no Brasil já estão sob ataque da “exceção” e do autoritarismo, com resistências apenas pontuais, até o momento, dado que ela – a exceção -se realiza praticamente pelas reformas e pelo congelamento orçamentário.

A figura de Temer e do seu consórcio político são estranhos a ambas – Constituição e Democracia – e a Guerra Civil no seu sentido clássico é luta de armas, com um mínimo de paridade, para que os campos em confronto disputem o poder de Estado e o domínio sobre o território. Ou, ainda, estejam num embate em que algum destes campos esteja fixado em destruir o Estado vigente para, em seu lugar, colocar outro. Não podemos confundir a possibilidade de chacina política ou física, contra uma parte da população – que pode ocorrer sem Guerra Civil – quando ela está desarmada, com o estatuto da Guerra Civil, em cujo desfecho está o objetivo de dominar território, estado e riquezas nacionais, para colocá-los, ou sob conservação ou sob uma nova tutela reformadora.

Esta diferenciação é extremamente importante para o redesenho da luta política no país, porque as batalhas democráticas que travaremos serão de longo curso. Nelas, o consórcio liberal-rentista terá a capacidade de alternar personagens e estratégias, pois tem base parlamentar corrupta cativa, tem o controle da informação pelo oligopólio da mídia, tem quadros políticos nos vários partidos – alguns deles estavam no nosso meio – e tem o apoio das forças das oligarquias financeiras internacionais. Para estas, o Brasil deve ser um exemplo de “disciplina fiscal” e “honrar a sua dívida pública”, de forma que isso reflita em todos os modelos de desenvolvimento da América Latina.

Os dominadores de plantão não precisam de uma Guerra Civil, para continuar com a liquidação do Brasil como nação, e nós – suponho – não queremos uma Guerra Civil, que hoje só apressaria a chacina e a liquidação do país, que já foi um exemplo democrático no mundo, que se dissolveu também pelos nosso próprios erros. Lembremo-nos que Levi foi nosso ministro e Padilha foi da elite política de Governo do nosso campo? Ou já esquecemos?

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