Cardeal chileno culpa entrevistas de Barros pela cobertura ruim da visita do Papa ao Chile

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11 Março 2018

Um cardeal chileno membro do Conselho Consultivo do Papa Francisco enviou uma carta aos presidentes das diversas conferências dos bispos latino-americanos para contestar as notícias que consideravam a visita do Papa ao Chile em janeiro um fracasso.

O cardeal Francisco Errázuriz Ossa, arcebispo aposentado da capital chilena de Santiago, culpou, em parte, as ações do bispo Juan Barros Madrid, acusado de encobrir casos de abuso sexual cometidos por um colega de sacerdócio nos anos 80 e 90, pela cobertura pobre da imprensa da visita.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 09-03-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Em cinco páginas em que reconta a viagem de Francisco, de 15 a 18 de janeiro, obtida pela NCR, Errázuriz disse que Barros disponibilizou-se para dar entrevistas com jornalistas após celebrar missas junto com Francisco e outros bispos chilenos. O bispo polêmico, disse Errázuriz, "não percebeu a magnitude do problema".

"Ele não evitou dar entrevistas em grupo", disse. "Ele deu a impressão de considerá-las boas oportunidades para expressar sua visão das coisas e de se defender das acusações."

"Isso... criou um foco paralelo indesejável à visita do Santo Padre, que desviou a atenção", afirmou Errázuriz na carta, datada de 22 de fevereiro.

Barros, que foi bispo da diocese militar do Chile até Francisco transferi-lo para Osorno, uma pequena cidade do sudeste, em 2015, foi acusado de proteger o Pe. Fernando Karadima, que foi condenado pelo Vaticano a uma vida de oração e penitência em 2011.

Apesar de seu envolvimento no crime não ter sido comprovado no julgamento canônico de Fernando Karadima, vítimas dizem que o bispo destruiu correspondência incriminatória do padre. Pelo menos três vítimas alegam que Barros foi inclusive testemunha de alguns casos de abuso sexual.

Francisco foi criticado por defender Barros durante a visita ao Chile. Ele chamou as acusações contra o bispo de "calúnia" e reiterou a afirmação durante a conferência de imprensa em seu voo para casa.

Depois de regressar a Roma, no entanto, o Papa enviou um dos especialistas mais respeitados da Igreja em relação a abuso sexual do clero, o arcebispo maltês Charles Scicluna, para investigar as acusações contra Barros. Scicluna esteve no Chile durante a última semana de fevereiro para se reunir com algumas vítimas e ouvir seus depoimentos.

Errázuriz, um dos dois únicos latino-americanos escolhidos por Francisco para fazer parte do Conselho dos Cardeais, com nove membros, também disse em sua carta que a visita de Francisco "demonstrou fraqueza" da Conferência Episcopal chilena.

O cardeal, que liderou a Arquidiocese de Santiago de 1998 a 2010, disse que a conferência não se certificou de que os bispos que acompanhariam o Papa em sua visita tivessem um porta-voz qualificado para lidar com os questionamentos da imprensa.

"Estávamos acompanhados de um jornalista jovem e competente, mas sem a experiência e a autoridade na carreira necessárias para dialogar com jornalistas e agências de notícias", disse.

Referindo-se ao falecido ex-diretor da assessoria de imprensa do Vaticano, acrescentou: "Precisávamos de um [Joaquim] Navarro Valls, capaz de conter os jornalistas com educação, dizendo-lhes que o Bispo de Osorno não daria mais entrevistas, porque o foco da visita do Supremo Pontífice era sua pessoa, seus gestos e suas mensagens, e não episódios paralelos".

Errázuriz começou sua carta aos presidentes das Conferências Episcopais Latino-americanas dizendo que estava "perplexo e ferido" de ser questionado sobre a viagem de Francisco ao Chile por alguns sacerdotes e ser informado de que "diversos meios de comunicação publicaram em seus países que a visita foi um fracasso".

Ele disse que o Papa foi recebido pelos chilenos "com grande entusiasmo e admiração", apesar de "uma nuvem [que] fazia sombra sobre a visita". Errázuriz também disse que enviou um relatório da visita para o vice-presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, o leigo uruguaio Guzmán Carriquiry.

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