Bispos diluem os ensinamentos cristãos, adverte cardeal Sarah

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06 Março 2018

O Cardeal Sarah diz que líderes católicos têm abandonado os ensinamentos de Jesus numa nova “trahison des clercs”.

A reportagem é de Tom Heneghan, publicada por The Tablet, 01-03-2018. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O Cardeal Robert Sarah, principal autoridade litúrgica do Vaticano, acusou alguns prelados católicos de países ricos de tentarem diluir a moralidade cristã modificando os ensinamentos sobre o aborto, a eutanásia e “outras situações familiares problemáticas”.

O prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos disse que tais líderes estão abandonando os ensinamentos de Jesus numa nova “trahison des clercs”, uma traição dos padrões por parte dos que deveriam ser os seus guardiões.

Sarah, que se reuniu no Vaticano com o Papa Francisco na manhã do dia 01-03-2018, falou sobre a traição dos ensinamentos de Jesus numa apresentação de seu livro “God or Nothing” [Deus ou nada] em Bruxelas no começo do mês. Não tendo muita repercussão na imprensa à época, o seu discurso foi mais tarde postado em formato de vídeo no sítio eletrônico da paróquia que o recebeu, a Notre Dame de Stockel.

Após condenar o que chamou de “a crise de Deus” nas sociedades ocidentais, Sarah disse: “A Igreja está numa situação surpreendente. Alguns prelados do alto escalão, especialmente os dos países ricos, estão trabalhando para modificar a moralidade cristã relativa ao respeito absoluto pela vida desde a sua concepção até a morte natural, dos divorciados e aos que voltaram a se casar no civil, e outras situações familiares problemáticas”.

“Estes guardiões da fé, no entanto, não deveriam perder de vista o fato de que o problema fundamental posto pela fragmentação dos propósitos do matrimônio é um problema de moralidade natural”.

O cardeal, que discursou na igreja matriz da citada paróquia depois da missa celebrada pelo cardeal-arcebispo de Bruxelas Jozef De Kesel, referia-se aqui à aceitação geral do aborto e da eutanásia na Bélgica. Sua crítica, porém, pareceu se aplicar a figuras da Igreja nos países desenvolvidos em geral.

“Essa grande deriva começou quando alguns prelados ou intelectuais católicos passaram a escrever ou dizer ‘luz verde para o aborto’ e ‘luz verde para a eutanásia’”, disse. “Eles agora contribuem para a destruição das instituições naturais do matrimônio e da família. Agora é a família humana inteira que se encontra fraturada por esta nova ‘trahison des clercs’”.

O cardeal conservador gerou polêmica tempos atrás quando disse que os padres deveriam rezar as missas de costas para a congregação, ad orientem, e ao insistir que o Vaticano deve rever as traduções litúrgicas, declaração que o Papa Francisco publicamente o corrigiu.

Numa nota introdutória a um livro italiano publicado mês passado, o cardeal pediu que os católicos voltem a receber a hóstia na língua enquanto se ajoelham, dizendo que isso está “mais adequado” ao sacramento.

O cardeal proferiu duras palavras para a Europa e os EUA em seu discurso, dizendo que estes haviam criado um caos no Oriente Médio e na África, ao tentarem “instalar a democracia, a paz e a liberdade em todo o lugar à força”.

Os ocidentais haviam “desistido de Deus em favor dos bens” e estavam impondo o aborto e a teoria de gênero aos países pobres como uma condição para ajudá-los em programas de cooperação.

“Mais da metade dos países africanos criaram ministérios de gênero para captar ajuda dos países do ocidente”, disse.

Em entrevista à agência noticiosa Cathobel, da Igreja belga, Sarah disse que a Igreja Católica na Europa “quer se adaptar ao seu entorno, à cultura moderna”.

Declarou: “A fé entrou em colapso não somente entre o Povo de Deus, mas inclusive entre os líderes eclesiásticos. Podemos às vezes até nos perguntar se ainda temos fé”.

Segundo disse, o dicastério liderado por ele está “tentando promover a beleza da liturgia”.

“O Concílio [Vaticano II] provocou uma visão diferente do lugar da Igreja na relação com o mundo, mas eu acho que se tivéssemos respeitado os textos, não teríamos o que vemos hoje”, disse. “Algumas coisas foram bem implementadas, mas nós implementamos o Concílio como queríamos que fosse, sem qualquer regra”.

Em entrevista à revista católica flamenga Tertio, falou: “Sob o pretexto de facilitar o acesso a Deus, alguns quiseram imediatamente tornar tudo na liturgia inteligível, racional, horizontal e humano. Assim, alguns padres falam sem parar, atrevendo-se a acrescentar abusivamente improvisações próprias aos textos sagrados. Fazendo isso, corremos o risco de reduzir o Mistério Sagrado a sentimentos bons”.

Pároco na igreja onde o Cardeal Sarah palestrou, o Pe. Philippe Mawet criticou o livro do prelado “God or Nothing” em entrevista antes da cerimônia.

“Sei que é o título de um de seus livros. Em nome de minha fé e de minha fidelidade ao Evangelho, eu não posso, de forma alguma, apoiar uma tal afirmação”, contou ao jornal La Libre Belgique. “Provavelmente deve ser uma frase de efeito, mas é o contrário do Evangelho. Este jeito de apresentar a fé cristã dificilmente parecerá respeitoso – na verdade, é totalmente uma falta de respeito – a todos os irmãos e irmãs que compõem a humanidade e que não compartilham da nossa crença”.

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