Reflexões sobre Francisco e a desconstrução do 'Papado Imperial'

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01 Março 2018

Às vezes surgem ideias totalmente formadas, que brotam como Athena da cabeça de Zeus, mas outras vezes vêm devagar, exigindo que vários pedaços da figura estejam no lugar certo para tomar forma.

Venho trabalhando em uma das ideias mais vagarosas recentemente, ou seja, ao nos aproximarmos do quinto aniversário da eleição de Francisco ao papado, torna-se cada vez mais claro que um aspecto central de seu legado pode ser uma desconstrução do forte "papado imperial" que muitos observadores acreditam que tenha tomado forma no último século ou algo assim.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 28-02-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Algumas escolhas que contribuíram para o desenvolvimento parecem ter sido bastante conscientes e cuidadosamente planejadas; outras apenas moveram Francisco de acordo com as circunstâncias, mas em ambos os casos o resultado é o mesmo.
Várias partes da imagem ajudaram a dar destaque a essa ideia.

Em primeiro lugar, recentemente fiz uma participação na TV com um amigo de longa data, Frank Rocca, do Wall Street Journal, que argumentou que Francisco colocou em segundo plano ou pelo menos enfraqueceu a centralidade tradicional de vários departamentos do Vaticano, como a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) e a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.

Durante os papados de São João Paulo II e do Papa Emérito Bento XVI, particularmente, a CDF era um instrumento-chave da autoridade papal, observando a fidelidade doutrinal de teólogos e várias entidades católicas. Hoje, ainda que a CDF teoricamente continue tendo essa função de cão de guarda, a forma como é realizada é muito menos intrusiva e evidente.

Além disso, Francisco também reduziu a importância da CDF simplesmente nem sempre aceitando suas sugestões em assuntos doutrinais de grande relevância, e, por vezes, preferindo consultar seus próprios teólogos e especialistas.

Rocca disse em alto e bom som durante nossa discussão na TV que talvez um efeito disso tudo fosse o enfraquecimento do Vaticano, dificultando para Francisco "reverter" o legado mesmo que o próximo conclave escolhesse um papa fortemente determinado a isso.

Em outra frente, no programa de rádio “Crux of the Matter” desta semana, no canal católico, que vai ao ar na Sirius XM 129, às 13h (ET) de segunda-feira, eu e minhas colegas Inés San Martín e Claire Giangravé apresentamos um dos quadros de “Potpourri do Vaticano”, discutindo as grandes notícias do Vaticano da semana.

Uma das principais era a situação da Diocese de Ahiara, na Nigéria, onde Francisco, no verão passado, basicamente ameaçou colocar a ira de Deus sobre os padres que não se submetessem a um novo bispo, nomeado por Bento XVI, que nunca conseguiu colocar os pés na diocese devido à oposição relacionada às suas origens culturais e linguísticas.

No entanto, no dia 19 de fevereiro, Francisco aceitou a demissão desse mesmo prelado, o bispo Peter Ebere Okpaleke, apesar de anteriormente ter declarado que aceitar seu bispado era essencial - em junho de 2017, drasticamente acusando os que se opunham ao bispo de querer “destruir a Igreja e estar cometendo pecado mortal".

Para pelo menos alguns observadores, a reviravolta era um sinal de que os sacerdotes achavam que era um blefe de Francisco e abria um precedente de que a recusa consistente de mandatos papais podem gerar o resultado desejado.

Tanto San Martín como Giangravé estavam muito à frente de mim ao ligar os pontos dessa história e os acontecimentos relatados nas negociações em andamento entre o Vaticano e a China, pelas quais dizem que Francisco está preparado para entregar um papel-chave na seleção de bispos católicos ao governo chinês.

O que ambas as notícias têm em comum é que levantam a questão: Em última análise, quem tem o poder de escolher os bispos? É o Papa, um governo nacional, uma multidão barulhenta de manifestantes que se recusa a ir embora, ou quem, exatamente?
Em ambos os casos, Francisco parece ter aceitado abdicar de parte da autonomia em seleções episcopais que o Vaticano tanto se esforçou para conseguir ao longo do último século, em busca de um bem maior - paz na diocese da Nigéria e laços mais próximos com um quinto da humanidade e uma superpotência mundial na China.

Indo um pouco além com essa ideia, também refleti sobre a decisão que Francisco tomou em setembro de transferir o controle de muitos assuntos de tradução litúrgica de Roma, e especificamente da congregação do Vaticano sobre a liturgia, para as conferências episcopais locais no mundo todo. Aí, também, uma fatia da autoridade que o Vaticano havia acumulado, neste caso em grande parte nos papados de João Paulo e Bento XVI, foi transferida para outra pessoa.

Claro, alguns críticos do papado de Francisco podem considerá-lo um grande distribuidor de poder que em outros lugares seria difícil de aceitar, dada sua leitura de que ele é na verdade bastante autoritário na prática - "O Papa ditador", nas palavras de tratamento recente e altamente crítico.

No entanto, há uma diferença entre enfraquecer o Vaticano, ou o papado, enquanto instituições, e a maneira como um determinado papa exerce a autoridade que ainda possui - e mesmo na versão mais descentralizada do catolicismo que se possa imaginar a autoridade será sempre considerável. Talvez Francisco seja teimoso às vezes, pode se envolver pessoalmente nas operações dos departamentos do Vaticano a um grau incomum, mas nada disso significa que ele vai deixar para trás um papado institucionalmente mais poderoso do que quando chegou.

Em teoria, também, um futuro papa poderia reverter todas essas escolhas - recobrando o controle sobre os textos litúrgicos, desfazendo o acordo com a China, colocando um bispo de sua escolha em Ahiara, reforçando novamente o papel dos gabinetes tradicionalmente fortes do Vaticano.

A história, no entanto, ensina que uma vez que se abdique do poder, pode ser difícil recuperá-lo.

Poderíamos continuar citando exemplos, como a criação do Conselho "C9" de cardeais consultores para garantir que os líderes das igrejas locais tenham pelo menos tanta influência na política do Vaticano como as autoridades romanas e a forma como expandiu o papel do Sínodo dos Bispos. Também há exceções à regra, como a constante acumulação de poder da Secretaria de Estado durante o papado de Francisco.

No entanto, nenhuma dessas considerações modifica drasticamente o panorama.

Ao escrevermos sobre o legado deste Papa, assim como o "Papa dos pobres" e o "Papa do povo", também precisamos dar espaço para "Francisco, o Desconstruidor".

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