Chile. Caso Karadima-Barros: uma história de 35 anos, sem solução definitiva e completa, envolvendo quatro cardeais

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24 Fevereiro 2018

Continuam os encontros e as audiências do Pe. Jordí Bertomeu (enviado da Santa Sé ao Chile) para adquirir novas e mais informações sobre o caso “Karadima-Barros”, no qual o bispo de Osorno é acusado de ter acobertado no passado os abusos sexuais do sacerdote Fernando Karadima (já processado e condenado definitivamente).

A reportagem é de Luis Badilla e Francesco Gagliano, publicada no sítio Il Sismografo, 23-02-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nessa quinta-feira, 22, em Santiago do Chile, quem recolheu novos testemunhos não foi o enviado do papa, Dom Scicluna (convalescente após a intervenção de urgência a que teve que se submeter para remover a vesícula), mas seu substituto, Pe. Jordí Bertomeu, que se encontrou com inúmeras pessoas, incluindo o bispo emérito de Ancud, Dom José Luis Ysern; o sacerdote Eugenio de la Fuente, membro no passado da Pia União de Karadima, da qual saiu antes de ser dissolvida em 2012; o missionário chileno-alemão Pe. Peter Kleigel e o leigo Isaac Givovich; este último, no entanto, não foi ouvido sobre o caso “Karadima-Barros”, mas entregou uma documentação sobre outro caso de abusos, que envolve os Irmãos Maristas.

Obviamente, o Pe. Bertomeu, nesses dias, recebeu muitas outras pessoas, mas a imprensa local, como concordado anteriormente, relata apenas aquelas que aceitaram que se fale publicamente sobre elas. Muitos testemunhos e “comparecencias” permaneceram confidenciais.

A impressão, visto de fora, é que, nessa quinta-feira, o Pe. Bertomeu centrou suas conversas sobre a figura do Pe. Fernando Karadima e sobre a obscura gestão da associação sacerdotal na origem dessa horrenda história de abusos sexuais, abuso de poder, violações das regras do ministério sacerdotal e outros assuntos problemáticos.

Parece que Karadima, nos anos em que foi reitor da Pia União Sacerdotal do Sagrado Coração, com sede na paróquia de El Bosque, desnaturou completamente a vocação com que nascera esta que era uma fraternidade sacerdotal motivada fortemente para trabalhar na descoberta de vocações religiosas.

A Pia União do Sagrado Coração de Jesus foi fundada em 1928. Fernando Karadima entrou nela em 1952. Sua chegada, em 18 de agosto, ocorreu um mês após a morte do jesuíta Santo Alberto Hurtado. Karadima logo se declarou discípulo desse importante religioso e santo chileno, e mostrou querer recolher sua herança espiritual.

O que se seguiu, ao contrário, ao longo de muitos anos, foi uma completa alteração do pensamento de Santo Hurtado, a tal ponto que, em fevereiro de 2011, sua família fez uma declaração pública para pôr fim a essa odiosa manipulação midiática a que Karadima e sua comitiva submeteram a imagem do santo.

Fernando Salvador Miguel Karadima Fariña nasceu em 6 de agosto de 1930 e, portanto, tem quase 88 anos hoje. Após a condenação dos tribunais chilenos e dos tribunais vaticanos, ele vive na prática escondido em uma casa para religiosos e não pode exercer publicamente seu ministério. As denúncias contra Karadima, as conhecidas e que desencadearam o escândalo ainda em curso, são de 2004, mas, na realidade, as primeiras remontam a 1983 – nada menos do que 35 anos atrás – e foram apresentadas ao então arcebispo de Santiago, o cardeal Juan Francisco Fresno, falecido em 2004.

O denunciante, vítima de abusos cometidos por Karadima, era Francisco Javier Gómez Barroilhet, conhecido publicitário de Santiago. O que foi relatado por Gómez Barroilhet nunca teve qualquer sequência. A estratégia do ocultamento dos maus feitos de Karadima começou há mais de três décadas e viu “passar” pela sua turbulenta e atormentada dinâmica quatro cardeais, arcebispos da capital chilena: Juan Francisco Fresno Larraín (1983-1989); Carlos Oviedo Cavada (1990-1998); Francisco Javier Errázuriz Ossa (1998-2010); Ricardo Ezzati Andrello (2010 – atualmente sob regime de prorrogação).

Todos esses purpurados, em diversos momentos, encontraram sobre suas escrivaninhas a “questão Karadima”, estreitamente ligada à questão “Pia União”, na prática, dois poderes relevantes contra os quais não era fácil agir, até porque, de uma forma ou de outra , Fernando Karadima obteve uma notável influência sobre esses cardeais e sobre os núncios apostólicos que se sucederam pelo menos desde 1970: Sótero Sanz de Villalba (1970-1977), Angelo Sodano (1977-1988), Giulio Einaudi (1988-1992), Piero Biaggio (1992-1999), Luigi Ventura (1999-2001), Aldo Cavalli (2001-2007), Giuseppe Pinto (2007-2011) e Ivo Scapolo (2011 – atualmente no cargo).

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