Ex-assessora papal diz que Francisco precisa dar prioridade a casos de pedofilia

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23 Fevereiro 2018

Ex-participante da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores acusou o Papa Francisco de não estar dando prioridade à luta contra o abuso sexual, e expressou frustração com os procedimentos e as limitações do grupo, que, segundo disse, a levaram a abandoná-lo no ano passado.

A reportagem é de Claire Giangravè, publicada por Crux, 22-02-2018. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A citada Pontifícia Comissão é um órgão consultivo do papa voltada à salvaguarda de menores e adultos vulneráveis a abuso sexual. O mandato de três anos do grupo encerrou-se em dezembro de 2017, e as nomeações dos novos membros, junto da confirmação de alguns componentes anteriores, vieram no começo deste mês.

A psiquiatra infantil francesa Catherine Bonnet disse que apresentou sua carta de renúncia em junho ao arcebispo-cardeal de Boston Sean O’Malley, membro do Conselho dos Cardeais que assessora o papa e presidente da Comissão, depois que não conseguiu convencer a maioria de seus membros a agir contra aquilo que percebia como necessário.

“Pessoalmente defendi que os bispos e superiores das ordens religiosas fossem obrigados a informar às autoridades civis casos de abuso sexual de menores, o que já se faz nos Estados Unidos, para todos os membros do clero”, disse Bonnet em entrevista à revista francesa L’Express.

“Eu tive apoio, mas quando vi em junho que eu não conseguiria convencer dois terços dos participantes do grupo, segundo as regras, escrevi minha carta de renúncia”.

Francisco não teria aceitado a sua renúncia, mas quando o mandato da Comissão acabou e outro se iniciou em fevereiro, Bonnet não mais constou na lista de membros. A nova composição foi anunciada em 17 de fevereiro, e inclui 9 novos participantes, alguns dos quais são também vítimas de abuso.

A relação com as vítimas de abuso tem sido uma questão recorrente da comissão, com dos sobreviventes de abuso sexual clerical, Peter Saunders, da Inglaterra, e Marie Collins, da Irlanda, renunciando aos cargos ocupados no grupo e criticando publicamente os métodos e a abordagem do Vaticano.

“Quando [as vítimas de abuso] enviam cartas, nós não as respondemos! Marrie Collins considerou isso particularmente insuportável”, falou Bonnet, acrescentando que, em seus 35 anos de experiência de trabalho neste campo, os testemunhos dos sobreviventes são essenciais.

A psiquiatra enfatizou a importância de se colaborar com outras organizações e instituições ativas no assunto, como a Ending Clerical Abuse.

“Quisemos trabalhar com a Congregação para a Doutrina da Fé, que está oficialmente encarregada de lidar com os problemas da pedofilia. Mas não é fácil”, disse ela.

Embora elogie certas decisões do papa, como a nomeação de O’Malley para presidir a Comissão e a substituição do cardeal alemão Gerhard Ludwig Müller como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Bonnet também critica outros aspectos.

“O problema é que o papa não vinha às nossas reuniões plenárias”, segundo ela, ecoando uma questão que já tinha sido destacada por outros participantes da Pontifícia Comissão e afirmando ser importante que o papa revise os temas abordados pelo grupo e participe dos diálogos.

“Sem mencionar que só nos reunimos uma semana, duas vezes ao ano! É muito pouco”, declarou Bonnet. “O papa deve tornar prioritária a proteção das crianças”.

Quanto à responsabilização dos bispos que acobertam casos de abuso, Bonnet salientou a necessidade de um tribunal ad hoc encarregado de tratar especificamente deles. Em seu motu proprio de 2015, “Como uma mãe amorosa”, Francisco abriu a possibilidade de uma comissão disciplinar que julgaria o clero acusado de negligência em casos de abuso sexual.

O projeto foi abandonado em 2016, oficialmente à luz de uma série de questões levantadas à época, com o papa pedindo às autoridades que usassem os sistemas já existentes de responsabilização.

“Não fomos informados dos motivos por trás da mudança”, disse Bonnet. “O mais importante era que algo fosse feito. Mas o motu próprio deveria vigorar a partir de setembro de 2016. Até agora, nenhum caso foi ouvido”.

A especialista em psicologia infantil apontou que entre os novos membros da Pontifícia Comissão existem vários da área do direito, incluindo um professor africano, um juiz australiano e um especialista polonês em direito constitucional e canônico.

“Uma comissão como esta deve fazer recomendações, mas não só. Se queremos prender os criminosos, então é preciso haver uma mudança na legislação, pois isso é a única coisa que os põe medo”, disse.

Bonnet também pediu que casos de abuso sexual clerical sejam dispensados dos dispositivos presentes no Direito Canônico relacionados ao sigilo pontifício, argumentando ser importante injetar transparência ao processo.

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