Jovens estadunidenses e Igreja Católica: por que abandonam? Artigo de Marcello Neri

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16 Fevereiro 2018

“No abandono da Igreja por parte dos jovens estão claramente em jogo as formas de introdução à fé em nível familiar e comunitário que pedem para ser seriamente repensadas e modeladas como um lento percurso de apropriação existencial – capaz de abrigar dúvidas, afastamentos, reaproximações hesitantes e assim por diante.”

A opinião é do teólogo e padre italiano Marcello Neri, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, em artigo publicado por Settimana News, 04-02-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

No dia 16 de janeiro, foram apresentados em Baltimore os resultados de uma pesquisa destinada a compreender as razões que levam os jovens estadunidenses a abandonar a Igreja Católica (Going, Going, Gone: The Dynamics of Disaffiliation in Young Catholic, realizada e publicada pela St. Mary’s Press, em colaboração com o Centro de Pesquisa Aplicada ao Apostolado da Georgetown University).

Nos Estados Unidos, cerca de 35% dos jovens adultos entre 18 e 33 anos declaram não ter nenhuma filiação religiosa; 12,8% dos jovens estadunidenses entre 18 e 25 anos são pessoas que abandonaram a Igreja Católica; 6,8%, os adolescentes (15-17 anos).

Para 74% dos entrevistados, a despedida da Igreja Católica ocorreu entre os 10 e os 20 anos. Se 35% declaram já ter encerrado qualquer tipo de filiação religiosa, embora ainda acreditem em “algo maior”, 46% afirmam ainda estar em busca de uma forma de expressão prática de fé que seja congruente com sua vivência espiritual.

As razões de um abandono

A estrutura geral da pesquisa quer ir além de uma análise meramente quantitativa, tentando captar as razões que levaram à escolha desse abandono de identificação pessoal e existencial com a Igreja Católica. Coletando histórias de vida, ou seja, percursos efetivos de despedida do catolicismo, o estudo identifica três tipologias:

1) os feridos (caracterizados por experiências negativas em relação às formas comunitárias da fé católica);

2) os errantes (marcados por incertezas de fé e por pouco envolvimento nas formas comunitárias da vivência católica);

3) os dissidentes (rejeição ativa e explícita da Igreja).

São comuns a essas tipologias algumas dinâmicas que levaram ao abandono da Igreja Católica pelas gerações mais jovens. Em primeiro lugar, os dados de fato, experiências concretas que puseram em movimento uma revisão da própria filiação religiosa. Soma-se a isso a secularização cultural como atmosfera na qual estamos imersos cotidianamente, que leva alguns a verem a fé religiosa como uma das muitas opções disponíveis na vida pessoal e social.

Como introduzir e acompanhar na fé?

Temos, depois, aquela que se poderia chamar de uma espécie de coerção ambiental à pertença religiosa católica, sentida, neste ponto, como algo que foi imposto, a ponto de não ser vivido como pertencente à maturação humana de si mesmo.

Aqui, estão claramente em jogo as formas de introdução à fé em nível familiar e comunitário que, a partir dos resultados da pesquisa, pedem para ser seriamente repensadas e modeladas como um lento percurso de apropriação existencial – capaz de abrigar dúvidas, afastamentos, reaproximações hesitantes e assim por diante.

A análise qualitativa do fenômeno permitiu trazer à tona uma dialética não resolvida transversal às diversas formas de abandono da Igreja Católica: aquela entre o medo de ser julgado, que afasta da comunidade, e o desejo de formas espirituais de socialização humana, que poderiam conduzir para ela.

Essa abertura para uma comunidade espiritual, capaz de sustentar e acompanhar as vivências concretas dos jovens, poderia representar um ponto de partida para imaginar um novo modo de ser do catolicismo estadunidense, antes que ele se encontre exangue nas suas possibilidades futuras por causa do constante e crescente abandono das gerações mais novas. Que não são por si sós refratárias perante a autoridade, mas não estão mais disponíveis a uma adesão religiosa diante de uma autoridade que não se deixa pôr em discussão e aprende com isso a modificar suas próprias atitudes e seus próprios posicionamentos.

Tempos e lugares na era digital

Um último aspecto que merece destaque é o da relação entre os modos de vida das gerações mais jovens, em uma época marcada pela revolução digital, e as formas de oferta estrutural e organizacional realizadas pela Igreja Católica.

“Ainda imaginamos que as pessoas orientam a própria identidade espiritual em torno de um marco institucional que organiza a celebração em um tempo e lugar particular (...) Pergunto-me em que medida as Igrejas se comprometem e se adaptam verdadeiramente diante das correntes culturais do nosso tempo” (E. Drescher, Santa Clara University).

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