“A Aparição”, filme de Xavier Giannoli

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15 Fevereiro 2018

Neste filme, Xavier Giannoli explora o mistério da fé num mundo em que a busca pela verdade torna-se cada vez mais difícil

O comentário é de Céline Rouden, publicado por La Croix International, 14-02-2018. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

L’Apparition 
Dirigido por: Xavier Giannoli
Produzido por: Curiosa Films
Idioma: Francês
Duração: 2h17min

O desafio que Xavier Giannoli assume neste novo filme é fazer um thriller (suspense) a partir de uma aparição. De “No Começo” a “Marguerite” passando por “Superstar”, víamos o cineasta debatendo-se com a questão das mentiras e da verdade, marcado por uma formação cristã que o leva na direção de personagens em busca de orientação/direção, em que a desilusão é apenas uma aspiração a algo maior do que si próprios.

Três anos após “Marguerite” chegar às salas de cinema para a aclamação da crítica e de público, vencendo quatro Césars e atraindo mais de um milhão de espectadores, em A Aparição [em tradução livre] Giannoli se põe a encarar a questão da fé e, pela primeira vez, mistura intimamente a sua arte cinematográfica com suas questões pessoais.

Ao confrontar um repórter de guerra obcecado pelas evidências com a graça de uma menina de 18 anos iluminada pela fé, ele mistura o cinema de Scorsese e aquele feito por Dreyer. Põe-nos a acompanhar as pegadas de Jacques Mayano (Vincent Lindon) numa busca espiritual e jornalística de tirar o fôlego, da qual o espectador, crente ou não, não sai exatamente ileso, já que tem de aceitar certas verdades que são, às vezes, impossíveis de encontrar.

Jornalista na empresa Ouest-France, de volta da Síria onde perdera um amigo fotógrafo numa explosão, Jacques é prisioneiro de seu medo. Este se manifesta na surdez parcial e num papelão que cobre as janelas de sua casa, à qual ele se confinou voluntariamente. Um estranho telefonema do Vaticano pedindo-lhe para participar de uma comissão canônica de investigação voltada a avaliar as declarações de uma jovem, Anna (Galatea Bellugi), segundo as quais viu a Virgem Maria, leva-o a sair de seu confinamento.

Assista aqui, com legenda em inglês, ao trailer de A Aparição.

 

Dividido em dois capítulos que parecem estágios desta busca pela verdade, o filme começa como um documentário investigativo. Leva Jacques aos porões do Vaticano onde os arquivos sobre fenômenos supostamente sobrenaturais, concernentes a um vilarejo nos Altos Alpes em que o fervor de peregrinos mistura-se com vendedores ambulantes, são mantidos em sigilo absoluto. A descrição do embaraço da Igreja de alguns católicos diante deste evento, a ambiguidade dos padres que cercam Anna, os métodos investigativos da comissão ou o recurso a técnicas científicas para examinar o mistério, refletem o cuidado que o cineasta toma para permanecer próximo da realidade... até que o encontro entre Jacques e Anna leva o filme para dentro de uma outra dimensão.

Quando um embate toma conta dos dois e as pressões ficam mais e mais fortes, a relação deles se aprofunda, deixando espaço para dúvidas, na mente do repórter que tenta desvendar uma impostora e aquele que foi tocado pela sinceridade da jovem menina. A presença e a interação entre Vincent Lindon e a surpreendente Galatea Bellugi transformam o confronto num momento de rara intensidade.

O cineasta opõe a graça desta jovem atriz – diáfana e leve como as penas que usa para adornar as tranças feitas no convento onde é noviça – à materialidade do corpo massivo de Vincent Lindon.

Jacques quer urgentemente encontrar respostas enquanto Anna parece sobrecarregada por sua história. Isso nos leva, num ritmo sempre mais fervoroso, a um epílogo surpreendente que pode desconcertar alguns espectadores, mas não aqueles que conhecem Xavier Giannoli e a capacidade de seus filmes de questionar o mundo e a humanidade.

Ele concentra todas as suas obsessões neste filme, sem dúvida a sua produção mais pessoal. O que acontece no fim lhe é, afinal, de pouca importância: é o mistério da fé operando sem provas o que o fascina, aquela “intuição de uma transcendência” que o persegue desde a infância e que logo se confunde com o seu desejo pelo cinema. Mas tem a ver também com a busca da verdade num mundo extremamente mediatizado no qual a fronteira entre verdade e mentiras tende a ficar cada vez mais borrada.

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